Leia as Histórias

Categoria - Outras histórias Cidade Jardim, o templo do turfe Autor(a): Luiz Renato Ribas Silva - Conheça esse autor
História publicada em 05/12/2007
Mal havia terminado a guerra, a segunda, em 1944, São Paulo tinha uma nova cidade dentro dela: Cidade Jardim, nome feliz do novo hipódromo paulistano. Sua existência datava de apenas 4 anos, no lugar do pioneiro prado da Móoca.
Nos meus 14 anos, em l947, começava a freqüentar a Cidade Jardim como turfista juvenil, levado pelas rédeas do meu pai, Domingos. Não podia apostar, mas torcia muito por um cavalinho do Paraná, recordista dos 1.400 metros, o Caluba. Mestiço de um olho só, mas ganhador como poucos.
Cidade Jardim, com as mesmas três arquibancadas de hoje, mais o paddock, com suas três pistas, duas de areia e uma de grama, era um espetáculo só, mesmo sem corridas. Uma vista panorâmica, sem igual. E de graça.
Naqueles tempos comecei a apreciar, não só as corridas dos puro-sangues, como também as irradiações emocionantes, pelo rádio ou pelos alto-falantes, do hipódromo, de alguns pioneiros da narração, entre eles o Vicente Chieregatti, da rádio América.
E mais tarde, me espelhei no grande locutor da rádio Piratininga, o Otávio Rocha Filho, que marcou época no turfe bandeirante no final dos anos 40 e início dos 50. Hoje, 2007, no tempo da televisão, o narrador impecável é o "monstro" Roberto Casella.
Cidade Jardim foi palco dos grandes puro-sangues, como Gualicho e Adil, os craques que mais me impressionaram. Eram quase imbativeis, campeões dos principais grandes prêmios nacionais. Tão bons que, se permitido fosse, podiam dispensar até o próprio jóquei.
Aliás, por falar em jóquei, nos anos dourados do turfe, décadas de 40 e 50, havia bridões e freios, que não se fazem mais, como os gringos Luiz Gonzales e Francisco Irigoyen; os paranaenses Pierre Vaz, Omário Reichel e Luiz Rigoni. Pierre Vaz, criado no Paraná, era tão famoso que até guarda de trânsito parava o seu automóvel na Ipiranga, na Paulista ou na São João. No início, Pierre temia que fosse multa. Mas os guardas queriam apenas as barbadas de domingo...
Impossível esquecer a São Paulo da Cidade Jardim. Tão impossível quanto o vício contagiante que me tornou, no Paraná, narrador, editor de jornal e revista e cronista de turfe, culminando com o lançamento, em 2006, do meu primeiro livro "Esses Cronistas Super-Heróis e Suas Mancadas Maravilhosas".
Aliás, um livro, modéstia a parte, que tem sensibilizado até inimigos do turfe, porque narra episódios desde 1873 - início das corridas oficiais no Brasil - de modo jocoso, com histórias e casos inéditos, não poupando nem governadores nem os poderosos da época.
Numa dessas histórias, o jornalista Assis Chateaubriand pediu, de presente, um avião ao presidente do Jóckey Club de São Paulo, Roberto Alves de Almeida, que temendo uma campanha difamatória dos Diários Associados, atendeu ao temível alagoano dando não um, mas dois aviões. Chatô agradeceu mandando ampliar a cobertura do hipódromo.
E "Esses Cronistas Super-Heróis e Suas Mancadas Maravilhosas" não poupa a língua, contando 134 anos da história do turfe nacional, e homenageando, principalmente, aquele que foi o mais importante puro-sangue inglês de todos os tempos: o "Filha da Puta".
Hoje a Cidade Jardim, 67 anos depois, continua encantadora, maravilhosa, mesmo nos tempos de "éguas magras" para o turfe brasileiro. Mas justiça seja feita ao "Novo Jóckey", que parece ressuscitar, num grande desafio, as inesquecíveis nostalgias do "Velho Jóckey", graças ao peito, coragem, criatividade do seu robusto e inovador presidente dos tempos modernos, o Marcio Toledo.
E você leitor, se turfista for - provar é preciso -, dos novos ou dos velhos tempos de Cidade Jardim, se curioso estiver pelo meu livro, faça um comentário a respeito deste artigo, se incomodado não se sentir, que terei prazer em lhe enviar, graciosamente, um exemplar.

e-mail do autor: ribas@cinevideo.com.br
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 11/03/2012 Renato, ouvia as narrações da Rádio América com o Fuad Arida, o Vicente narrava para os falantes do hipódromo. Em tempo, e o Valentão? Ainda molha nas pedras. Abraços. Sérgio Enviado por SERGIO CERCAL - sergio@cercal.com.br
Publicado em 16/10/2011 muito boa ótima leitura e esta história do chateubriand é senssacional Enviado por josé albertino lima filho - albertino1906@hotmail.com
Publicado em 15/11/2010 trabalhei na comissão de fomento por 8 anos juntamente com H.Pereira Del Rio, Rene de Castro e escrevi alguns artigos para o Coruja, em seguida fui gerente do Haras Pirajussara onde fiquei por 2 anos até me desligar do turf profissionalmente mas sempre acompanhando as corridas em Cidade Jardim, ficaria muito honrado em receber seu exemplar. Enviado por GERALDO ROMEIRO COSTA JUNIOR - romeirocosta@terra.com.br
Publicado em 10/10/2010 sr.ribas,parabens pela memória do jockei.Guardo uma foto do Gualicho e uma foto maior da inauguração do jockey de São Vicente.Na minha rua rui barbosa no bixiga,tinham muitos aficionados pelos "burrinhos",que torciam muito ouvindo a narração do Chieregati.Em 88 fui trabalhar no Jockei e adorava andar em todos os lugares, e acabei escrevendo um livreto sobre como jogar nos cavalos,mas não publiquei.pretendo voltar e publicar o livreto atualizando-o.m abraço do reynaldo. Enviado por reynaldo papacidero ruiz - reynaldopapacideroruiz@hotmail.com
Publicado em 10/09/2009 caro Ribas, parabéns pelo seu trabalho.
O Turfe faz parte de nossa família desde 1952, quando meu pai e tios passaram a fazer suas apostas, ouvindo a narração pelo rádio Eldorado, nas tardes de sábado e domingo. Desde então, jamais deixamos de acompanhar as carreiras, embora da nova geração da família, somente eu e mais um primo ainda nos dedicamos a fazer nossa " fézinha" aos sábados. Sem dúvida,há glamour e certa nostalgia quando o locutor narra .. "e cruzam a faixa final". abçs
Enviado por Leonardo Pires - leopirespires@yahoo.com.br
Publicado em 04/03/2009 Olá,
Muito legal seu texto. Achei procurando "o ano em que o Gualicho venceu o Grande Prêmio Brasil de Turfe".
Explico: estou escrevendo um livro de curiosidades e quero citar pelo menos um cavalo vencedor, data e nome do GPBT.
Você, como conhecedor, talvez até possa me indicar um fato/cavalo mais importante que o Gualicho. Agradeço e Aproveito.
Se quiseres me mandar o livro, por favor, o endereço é:
José Carlos Costa de Andrade
rua Pantaleão Brás, 331 - Jd. Esther
05372-080 - São Paulo-SP
abc
Enviado por José Carlos - jcarlos.cincerro@gmail.com
Publicado em 25/01/2009 Seu artigo desperta, de pronto, a vontade de ler o livro todo. O senhor poderia enviar telefone de contato? Grata, Rosana Enviado por Rosana - razq@uol.com.br
Publicado em 22/04/2008 Sou neta de Luiz Gonzales e estou em busca de todo material possível para fazer um site sobre a vida dele. Sendo assim este material me interessa muito.
Atenciosamente
Marta
Enviado por Marta Costa Pinto Gonzales - orfao@uol.com.br
Publicado em 11/01/2008 Caro Ribas, sou de 1947 e portanto comecei a frequentar Cidade Jardim por volta de 1954.Levado por meu pai, íamos de onibus da Lapa para Pinheiros e depois tinha a lotação até o Jockey. No início, eu e meu irmão mais novo, estávamos mais interessados no "leite c/chocolate" vendido em garrafinhas entre blocos de gelo sob algumas árvores existentes próximas aos guichês de apostas do páteo central - lembra? separados em Vencedor, Placê e Dupla.
Mas, as corridas em si também me fascinavam e nomes de cavalos e jóqueis jamais esqueci. Vi Adil vencer Tatán e acertei a dupla de meros CR$ 11,00. Leocádia, Snooker, Alte-lá (branquinho!). Lodegar, Dendico, Pierre, Virgílio, Gonzales, Zamudio, Marchant, Edgar, Omário, quanta gente!
Mais tarde, em 1957 mudamos para bairro mais distante e também houve a proibiçao da entrada de crianças. Com isso fiquei 19 anos longe do hipódromo e só retornei, já casado e com filha que só podia permanecer no playground, em 1976. Foi época de grandes corredores: Big Poker, Donética, Revless (a que derrubou o famoso record dos 2.000 metros de Gualicho), Chubasco que perdeu a tríplice para um tal Zé-Mário); Immensity (essa era demais!).
Também tive algum brilho com apostas loucas: certa vez, debaixo de chuva, entrando no Jockey faltando 1 minuto para o encerramento, olhei a pedra e pelo rateio elevado escolhi uma dupla japonesa 18. Páreo cheio, chegada indefinida, apenas FOTO para as 5 posições. Depois, sobe o nr. 1 para primeiro (Hot Money), mais cinco minutos de espera e por fim nr. 11 em segundo (Vasparlador) e nr. 12 em terceiro para reforçar. Rateio para receber e voltar para casa e comemorar com a família.
Mais tarde a decadencia se instalou e como muitos também abandonei o hipódromo. Hoje vejo os páreos pela TV, na torcida que o trabalho da diretoria atual consigar restaurar o brilho passado.
Um grande abraço.
Enviado por Antonio Carlos Doppenschmitt - acdoppen@hotmail.com
Publicado em 21/12/2007 Concordo com você. Temos um belíssimo hipódromo. Se a localização da Gávea é inacreditável, a beleza de Cidade Jardim não é pelos encantos naturais de São Paulo, mas pela sua arquitetura. Ressalto também que o hipódromo está uma pintura. Gramas bem cortadas, cercas pintadas. Sobre as narrações, como tenho apenas 30 anos, acompanhei quase que exclusivamente o Casella, mas no início dos anos 1990, tinha o Lancelotti. Enviado por Roberto Fonseca - robertovfonseca@uol.com.br