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Categoria - Outras histórias Primeira vez em São Paulo Autor(a): Haydée M. Brock - Conheça esse autor
História publicada em 10/12/2007
Aos quinze anos, sem saber como, fui convocada para acompanhar uma senhora, amiga da família, em uma viagem para São Paulo.
A ansiedade era tanta que eu nem perguntei o porquê.
Lembro que ficamos em uma casa no Alto da Lapa, onde uma mocinha me recebeu muito bem, aproveitou para se exibir diante de um grande espelho no quarto, imitando cantoras e fazendo caras e trejeitos (achei lindo e ali tive quase certeza que ela seria uma artista famosa, pois tinha a vantagem de morar na Capital que era nessa época para mim o máximo em oportunidades). Talvez para recompensar meu aplauso, levou-me ao cinema onde estava sendo exibido o filme “Ama-me com Ternura”, com Elvis Presley, seu primeiro filme.
Calculem minha emoção... Primeira vez em São Paulo e indo ver a sensação do momento! Não dormi a noite inteira, pensando em Elvis e estranhando os ruídos da cidade grande.
No dia seguinte, ainda como acompanhante, fui de bonde e ônibus para um cemitério, se bem me recordo, em Indianópolis, ou em algum lugar perto. Assisti também pela primeira vez uma exumação de uma parenta dessa senhora em que, no meio do lamaçal, a ossada muito suja de terra foi colocada em uma caixa de papelão do sabão em barras “Campeiro”.
Enquanto esperávamos a hora de partir, lanchamos na casa de uma senhora que nos serviu (ai que delicia!) duas coisas que eu nunca tinha visto: leite em pó e bolo Pullman, cortado em fatias, que achei finas demais, comparadas ao tamanho de minha fome.
Voltamos para minha cidade de trem com a dita caixa embaixo do banco, sem maior preocupação, para ser sepultada junto aos falecidos da família.
Fico imaginando essa aventura nos dias atuais... Não seria possível pelos entraves da burocracia, desnecessária nesse caso familiar e não traria respeito ao morto, que havia expressado o desejo de descansar em sua cidade natal.
Ah... Nunca soube se a tal mocinha se tornou artista ou não.

e-mail da autora: tydee@terra.com.br E-mail: tydee@terra.com.br
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Publicado em 28/01/2008 Dna.Haydée,seu texto da um roteiro de filme,até c/musicas de Elvys,c/misto de nostalgia e suspense,o leite em pó,quem descobriu é um genio realmente daqueles em q. nos perguntavos para a epoca era um doido como outros inventores,com todo respeito. Naquela epoca a burocracia era minima em vista do q. é hoje. Onde uma viagem demora dependendo do destino em Sampa demorava 5 a6 hs. tinha até picotadores de passagem nos onibus,não tinha bebidas nas "beiras"das estradas,era um encanto viajar de onibus.
Valeu"
Enviado por vilton giglio - Viltongiglio@hotmail.com
Publicado em 17/12/2007 Achei super interessante. Há passagens que marcam e as levamos sempre em nossa memória. Hoje existe essa burocracia na tramitação de ossos entre cemitérios, mas de certa forma é até necessária para tentar evitar certos problemas. Enviado por Consolata - tpanhozzi@ig.com.br
Publicado em 11/12/2007 Tia, como sempre, tudo que escreve me deixa maravilhada e não é desta vez que vou deixar de ficar...parabéns!!! Enviado por Cláudia - claudia-rizzo@uol.com.br
Publicado em 11/12/2007 q. interessante! daria mesmo um roteiro p/ cinema! Enviado por turan bei - turanbei@hotmail.com
Publicado em 10/12/2007 Querida Haydée, um lindo roteiro pra um curta metragem, falando em linguagem cinematográfica. Não quero ser intrometido mas, não conheço nenhum cemitério nas imediações da av. Indianópolis. Será que você não confundiu com Higienópolis? que tem nas proximidades o da Conçolação e o Araça? Se estou errado, desculpe, mas isso é detalhe sem importância e não desmerece seu texto. Parabens, você escreve muito bem, mande um texto mais longo.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 09/12/2007 Extraordinárias lembranças, Haydée. Tanto para o belo quanto para o macabro... Enviado por Luiz S.Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 09/12/2007 Haydée: Hoje talvez voces usasem o metrô, a burocracia no cemitério continúa a mesma mas foi feita a vontade do falecido e isso é o que importa, muito bonita sua história, abraços, Leonello. Enviado por Leonello Tesser (Nelinho) - lt.ltesser@hotmaisl.com
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