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Categoria - Outras histórias São Paulo, ainda desconhecida Autor(a): Luiz Renato Ribas Silva - Conheça esse autor
História publicada em 28/01/2008
São Paulo da garoa, uma sexta-feira, 21 horas, salão de baile da boite do Colégio Rio Branco, ainda na sede original da Rua Dr. Villanova, ano de 1949. Lá, como crooner, a Hebe Camargo, 22 anos, cantando sob o som da orquestra de Silvio Mazuca. Eu, com 16 anos, só a via de longe sem direito a dança. Proibido para menores.
Assim foi a adolescência de muitos colegas do Liceu Rio Branco, hoje notáveis na história brasileira, como o Senna, o Carlos Alberto da Nóbrega, Tarcisio Meira, Ademar de Barros Filho, entre outros. Cada um no seu tempo, ouvindo a voz de Hebe ou de outras celebridades da época.
1950 chega com o sinal da primeira transmissão da televisão brasileira, ao vivo e em preto e branco. Novamente lá estava a Hebe, o primeiro rosto feminino da TV nacional, conduzida pela iniciativa de Chateaubriand, diante das câmeras da TV Tupi de São Paulo.
Em 1960, ainda estudante de Direito e jornalista por vocação, comecei a fazer parte também da televisão, porém, como apresentador, produtor e editor de uma revista especializada.
Como repórter, vivencio o inicio, o auge da Jovem Guarda no palco do Teatro Record, com os principiantes Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Jair Rodrigues, Wanderléia e Elis Regina. Ídolos, que ainda vivem, quase imortalmente, neste século XXI.
Com Roberto Carlos, quando não tão famoso ainda era, fiz uma entrevista, no seu apartamento no bairro de Santa Cecília. Fui recebido, com carinho, juntamente com o fotógrafo paranaense José Kalkbrenner.
Hoje, Roberto Carlos, mesmo famoso, continua o mesmo, com quem mantenho contato, através do seu amigo "Chacon" seu reconhecido "sósia curitibano". Não mudou nada. Mantém-se simpático, simples e cortês com os amigos, desde o inicio de sua carreira. Para estranhos, claro, a história é outra.
O Erasmo Carlos, seu eterno parceiro, era, em 1967, extremamente tímido, mas de uma simpatia sem igual. Aceitava toda a orientação do fotógrafo, para a melhor pose.
Da mesma forma também Wanderléia e Jair Rodrigues que, como os outros astros, começavam a despontar como ídolos da Jovem Guarda.
Mas com Elis Regina a coisa foi muito diferente. A “Pimentinha” era fogo, mesmo sem, ainda, ser famosa. Fomos encontrá-la sozinha debruçada num piano, no mezanino do Teatro Record, na Rua da Consolação. Reagiu agressiva e negativamente ao convite de uma entrevista, que não concedeu. Saímos com o rabo entre as pernas. E não seriamos os primeiros nem os últimos.
São Paulo é uma cidade sem mistérios, aberta como Roma. A diferença é saber descobri-la. Quem não a procura, não a encontra. E quem a encontra, sabe entendê-la, desde os encantos do Bar Brahma, da Avenida São João, da Igreja de Santa Cecília, do Museu do Ipiranga, do viaduto do Chá, da Rua São Bento e do fenomenal edifício Matarazzo, um símbolo postal da cidade.
São Paulo é tão marcante, que parece não existir. Para compreendê-la não basta visitá-la. É importante e indispensável tê-la vivido. Não perca tempo, comece agora para saber vivê-la amanhã. Leva algum tempo, mas vale a pena.
São Paulo, a cidade sem contra-indicação e sem efeitos colaterais. Dúvida? Quem a viveu desde os anos 40, dos tempos da II guerra mundial, da boite La Licorne, dos bondes, da Itaboca, da Aimorés, desafio: quem quer que seja a dizer o contrário.
Quem se habilita?

e-mail do autor: ribas@cinevideo.com.br
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Publicado em 06/02/2008 Olá Mario, você realmente é um senhor dinosauro da história de São Paulo.Não há assunto que você desconheça, mesmo das decadas mais remotas, 40 e 50, tempo em que vivi o dia o dia na terra da garôa. Voce escreve, e deve ler também, sem parar. E o meu livro "Esses Cronistas Super Herois e suas Mancadas Maravilhosas", quando voce vai querer de novo? Ribas, com um forte abraço de admiração pela sua contribuição a história da paulicéia, com muito conhecimento de causa. Que memória, sr.Dinosauro Lopomo. Enviado por luiz renato ribas silva - ribas@cinevideo.com.br
Publicado em 05/02/2008 O Lá Licorne, realmente era um ponto de encontro. Era coisa chique. Para endinheirados.
Lá só tinha moças do código “filé de primeira” Tornou -se famosa e passou a fazer parte do turismo sexual. Figuras importantes do cenário político, judiciário e social freqüentavam a casa. Todos de forma discreta, pois dali iam para hotéis, normalmente cada qual, cliente e fornecedora em carros diferentes. E, tudo ficava as escondidas. Quando estrangeiros para aqui vinham o Lá Licorne estava no roteiro turístico. Era só escolher no portifólio, que alguém ia buscar e levar a moça para o hotel indicado. O delegado Sergio Fleury tinha sua mesa cativa e, seu litro de uísque quando lá quisesse ir. Na faixa é lógico. Era uma casa que apesar da fama nunca foi motivo de casos de policia, pois tinha cobertura.
Enviado por Mario Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 31/01/2008 Luiz, quando escrevi que " vicia", foi também no sentido positivo.São Paulo fica para sempre no sangue. Já quanto aos "efeitos colaterais" de hoje, são bem diferentes do da nossa bela época.
Um abraço amigo, também.
Enviado por Luiz S. Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 30/01/2008 Theophilo sim o La Licorne, do tempo da Laura. O nome era de boate, mas, na verdade, um luxuoso ponto de encontro, com as mais lindas mulheres dos anos 50, tanto brasileiras, como argentinas e uruguaias. Nunca mais se fêz, um local de luxo e respeito - apesar do "fundo de negócio" - como aquele em São Paulo.Tentaram, mas não conseguiram igualar aquele clima, aquele charme, aquela classe conduzidos pela Dona Laura. Bem que eu gostaria de ler um comentário extenso a respeito da "La Licorne", pois afinal, na época, tinha apenas 18 anos. Abraços, Ribas. Enviado por luiz renato ribas silva - ribas@cinevideo.com.br
Publicado em 30/01/2008 Saindemberg, quando me referi "São Paulo, a cidade sem contra-indicações e sem efeitos colaterais" ficava claro a indicação para quem a vivesse no clima "o que é de gosto é regalo da vida". Naqueles tempos de jornalista-diretor da revista "TV Programas", (23 mil assinantes semanais), fundada em 1961 em Curitiba, foi a minha adolescência vivida em São Paulo, o marco, de uma experência paulistana, responsável pela minha vida profissional. Queira Deus, que outros leitores tenham também, graças à cidade de São Paulo, alcançado o sucesso que plantaram e colheram. Abraço amigo do Ribas. Enviado por luiz renato ribas silva - ribas@cinevideo.com.br
Publicado em 30/01/2008 Caro Renato, eu como Paulistano que sou, vivi e como vivi esta Sao Paulo nos anos dourados de sessenta, Homs, Palacio Mauá, Casa de Portugal,
belas lembranças, saudades imensas, abraços,Beira
Enviado por Jose Beira - josebeira@hotmail.com
Publicado em 30/01/2008 Ribas. O Boliche que voce se referiu, foi o verdadeiro e mais longo boliche da cidade de São Paulo. Um dia me encontrei com o meu amigo Valter "Lulu" velho companheiro de futebol, e ele me disse que era o gerente da casa. Só não me lembro se ainda era boliche ou não. Enviado por Mario Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 28/01/2008 Caro repórter e xará, concordo plenamente. É preciso viver- uma existencia só não basta - em São Paulo, para compreende-la um pouco.
Mas, discordo: como nas bulas de remédio, vicia e traz efeitos colaterais. Abraços.
Enviado por Luiz S. Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 28/01/2008 Eu vivi essa epoca, La Licorne da famosa Laura, Bar Brhama, o bife do Hotel Elcesior, fui proprietario do Primeiro Boliche Comercial no Brasil, o Boling Center 3.500 na av Sto Amaro depois foi transformado na maior restaurante dançante de S.Paulo, com a direção artistica do Abelardo Figueiredo, tenho o original de uns dos primeiros contratos artistico de Roberto Carlos seu empresario na epoca era Geraldo Alves, nessa epoca o valor para apresentação dia 19/02/1966 abertura do Baile de Carnaval e outro dia 22/2/66 o valor do contrato e de CR$2.500.000,00 isso dois milhões e quinhentos mil cruzeiros.Esse baile fois pra transição do Boling Center para o URSO BRANCO..isso e nova historia que fica pra depois abraços Theo Enviado por Theophilo - theophilodemoura@superig.com.br
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