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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Poluição na Vila Guilherme Autor(a): Francisco Ramirez Sanchez - Conheça esse autor
História publicada em 09/04/2008
Eu nasci na divisa dos bairros Brás e Cambuci, quatro anos depois minha família mudou-se para os lados de Santo Amaro, Ponto Floriano, Brooklin, Alto da Boa Vista... Em 1949 mudamos para a Vila Munhoz... Era só barro quando chovia e só poeira quando fazia sol. Ficamos por uns dias na casa do meu cunhado que já morava na Estrada da Conceição e depois fomos para um barraco construído com madeira velha no terreno da Vila Munhoz... Rua 10, atual Astrapéia. O único meio de transporte era um ônibus que saía da Praça da Alegria com ponto final na Rua Catumbi.
Nosso divertimento principal era pescar nas lagoas que existiam em abundância no bairro da Vila Guilherme. Pescar de varas. Peixes muito pouco. Pouco até o dia em que apareceu um senhor e nos pediu, ao meu irmão e a mim, que o ajudássemos a pescar de barco e tarrafa. Claro que topamos na hora. A função do meu irmão era remar e a mim cabia ficar com um bambu enorme na parte de trás do barco ajudando a fazer força, isso quando o bambu alcançava o fundo da lagoa. Ao dono do barco, lógico, restava a função de arremessar a tarrafa na água, o que, ao meu ver, ele fazia muito bem, pois a dita cuja da tarrafa vinha cheia de peixes enormes.
Como naqueles tempos eu já contava minhas mentiras, nós escondíamos da nossa pobre mãe o fato menos importante de que a pescaria era realizada com tarrafa e não com uma simples vara... Afinal, ela não iria entender, e olhem que trazíamos para casa somente a metade dos peixes capturados, pois os outros 50% ficavam com o dono do barco. Muito justo.
Mas como tudo que é bom dura pouco, a nossa festa acabou no dia em que o proprietário da embarcação fez amizade com outros dois garotos que cobravam apenas 40% do produto aferido. Vejam vocês que concorrência desleal. Mas o difícil foi explicar para minha mãe a diminuição dos peixes. Ao que meu irmão foi logo arrumando um motivo: é a poluição, mãe, pros peixes fica difícil dar cria.

e-mail do autor: paco.ramirez@uol.com.br E-mail: paco.ramirez@uol.com.br
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Publicado em 19/08/2008 Paco, sinto muita pena das crianças de hoje que não terão este tipo de lembrança que temos. Suas experiências se reduzem a computador e escorregador no prédio onde moram. A meninada da periferia desfruta de muito mais brincadeiras livres do que as de classe média. Boas lembranças. Parabéns, Ivette Enviado por Ivette Gomes Moreira - ivettegmoreira@Gmail.com.br
Publicado em 19/08/2008 Lembro bem das lagoas e dos alagados próximos à Vila Guilherme. Eu, que morava no Pari, portanto, do lado de cá do Tietê, onde hoje é a Marginal, vivíamos lá. O caminho do Pari à Vila Gulherme era uma ponte de madeira sobre tambores de 100 ou 200 litros. Chacoalhava muito quando a correnteza estava forte. Aos sábados, a gente jogava até não enxergar mais a bola. Voltava pra casa com o pé verde. Imagino como foi divertida sua aventura de pescar de tarrafa. Enviado por Ricardo Eduarte - ricardo@sqn.com.br
Publicado em 02/06/2008 Paco estou aqui de novo lendo tuas historias e rindo bastante.Sempre gostei muito de pescaria. Na minha infância vivia em rios, açudes e valas pescando "muçuns". Ainda hoje quando passo por elas, fico pensando nas horas perdidas pescando. Dizem que o tempo gasto em pescarias não é contado. Fica como sobra da vida. Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 09/04/2008 Está vendo ? Seu irmão foi gênio: ele já antecipava o futuro do rio. Enviado por Luiz S. Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 09/04/2008 Ramirez não o conheço pessoalmente, mas já me simpatizei com vc.Também morei perto dos locais que vc citou, mas presisamente na Parada Pet´ropolis, defronte ao Banespa, na década de 50. Vc conta as histórias de
s uma maneira espetacular se verosssimeiss ou não pouco importa de tão bacanas que são.Já virei seu fã.Abraços.Asciudeme.
Enviado por Asciudeme Joubert - aj@searaequipamentos..com.br
Publicado em 09/04/2008 Paco, sua pescaria só não vingou por falta de lagoa. Onde estão, agora aquelas piscosas lagoas?
Parabens
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 08/04/2008 Francisco, sentiu na pele o que a concorrência faz! Quanto as mentirinhas, teu acerto lá em cima vai ser quase nada, com certeza já está perdoado...rsrsr. Um beijão. Enviado por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br
Publicado em 08/04/2008 Paco eu tenho a impressão que até o inicio, dos nanos 1970, a gente não sabia o que era poluição.
Eu senti pela primeira vez, me lembro foi em 1972, na praça Roosevelt, estando na fila para regularizar um documento que a prefeitura exigia.
Enviado por mario lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 08/04/2008 Caro Paco, sempre se fez justiça sobre a fama de mentiroso do pescador, quando não mente pela quantidade máxima, mente pela quantidade mínima, abraço, Beira Enviado por José Camargo Beira - josebeira@hotmail.com
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