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Categoria - Outras histórias Festa de São João Autor(a): Lygia Bradnick - Conheça esse autor
História publicada em 05/05/2008

Levei o corte de chita verde à costureira, para ser feito o mais lindo vestido caipira, cheio de laços e fitas. Minha turminha havia arranjado um fundo de quintal no Cambuci emprestado para a festa: haveria fogueira, correio elegante, muitos quitutes tradicionais e quadrilha, que vínhamos ensaiando já por algumas semanas. Alguns rapazes de outros bairros viriam e entre eles o Mo, um russinho da Vila Prudente que todas as meninas achavam lindo. Ele tinha cabelos bem lisos, de um loiro dourado, um sorriso especial e havia conquistado meu coração sem nem mesmo saber.
Eu tinha dezesseis anos, nunca tinha namorado e secretamente esperava chamar a atenção do Mo durante a festa. Quem sabe dançaria a quadrilha com ele? Já podia nos imaginar de mãos dadas, ele me admirando no meu vestido novo.
Ainda me lembro de como amolei a minha mãe para comprar aquele tecido e um par de sapatos combinando! Mas valeu a pena, pois o vestido era uma beleza mesmo. No dia da festa, fiz duas tranças no meu cabelo longo, arranjei um chapeuzinho de palha com flores, e lá fui eu!
Chegamos cedo para arrumar tudo no terreno e quando a festa já estava em ordem apareceu uma lua cheia linda e o céu se tornou branco de estrelas. O pessoal veio chegando, alguns trouxeram violão e formaram rodinhas, cantando canções folclóricas e sertanejas. Passava-se quentão em canecas de lata, a fogueira foi acesa. Perfeição total.
Só faltava o Mo.
Enquanto eu corria de lá pra cá, levando bandejas de doces e servindo refrigerantes, meus olhos estavam no portão do quintal. Já estava ficando tarde e nada do Mo aparecer. Perguntei dele para minha amiga Cleuza e a resposta foi um sorriso enigmático. O que estaria acontecendo?
Quase na hora da quadrilha, notei que a Cleuza havia sumido. Já se formavam os pares, onde estaria o Mo? Ah, vocês adivinharam! A Cleuza e o Mo estavam juntos, agarradinhos, lá no fundo do quintal!
Vieram subindo a rampa, bem juntinhos, trocando beijos.
Não sei como dancei a quadrilha aquela noite. Nem me lembro com quem dancei. A festa estava acabada pra mim.
Depois da quadrilha, ainda havia o concurso de vestidos, mas eu já não tinha interesse. Meu lindo vestido caipira teria ganho o prêmio, mas não me importei. Meu coração estava partido.

e-mail da autora: lymarsouz@live.co.uk

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Publicado em 04/12/2008 Lygia que amiga você foi arrumar... Bela história. Asciudeme Enviado por patricia alexandra guedes oliveira - aj@searaequipamentos.com.br
Publicado em 11/07/2008 Ah, uma bela história, que nos remete aos bons tempos que essas festas eram improvisadas num fundo de quintal, num terreo baldio, onde hoje estão os prédios da grande cidade. Quanto ao Mo ter ficado com a Cleuza faz parte desses desencontros da vida, e talvez ele nem fosse o seu melhor par, ou poderia se tornar um desencanto. E pode ser que esse que nem lembra que dançou, morria de amores por você; ou que hoje já tenha um grande amor em sua vida. Que pena! Ficaremos sem saber... acho que nem existem mais os correios elegantes. E nem aqueles alto-falantes que podíamos oferecer músicas. Senão eu ia anunciar: - Linda menina de vestido de chita verde, sapatos combinando, tranças e fitas, chapéu de palha com flores, você escreveu uma bela história sobre festas de São João - Parabéns! ////// Enviado por bruno - brunothrelie@ig.com.br
Publicado em 06/05/2008 Decepções amorosas da juventude são apaziguadas mas não esquecidas! Enviado por Miguel - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 06/05/2008 Lygia
Não dá para confiar em um rapaz que deixa uma linda menina,com seu belo vestido de chita enfeitado de florão. Pra ir dançar com a Cleusa na noite de São João. Livre-se da mágoa,pois do rapaz,graças a Deus você já se livrou.
Um abraço carinhoso / Bernadete
Enviado por Bernadete P Souza - bernadete.pedroso@norwan.com.br
Publicado em 05/05/2008 Que susto v. me deu, Lygia, minha noiva era do Cmbuci e Mo era como me chamava (e chama...). Só que não sou loiro. Se fosse eu nunca teria magoado uma linda e formosa "caipirinha", podes crer! Belo depoimento, Lygia.
MO...desto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 05/05/2008 Sinto pelo seu vestido, sinto pela rejeição, sinto pela espectativa, sinto pelo entusiasmo, mas pode ter certeza que tudo acontece sempre para o nosso bem. O jovem não merecia você! Abraços. Mirça Enviado por mirça bludeni de pinho - by_laser@yahoo.com.br
Publicado em 04/05/2008 Ah, Lygia! Estes amores eram terríveis mesmo. Quantas e quantos de nós pagaram micos como este? São as boas lembranças da juventude.
Abração, Ivette
Enviado por Ivette Gomes Moreira - www.romorei@vsf.org.br
Publicado em 04/05/2008 E o balão vai subindo, e vai caindo a garoa... Enviado por Luiz S. Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 04/05/2008 Lygia que amiga você foi arrumar... Bela história. Asciudeme Enviado por Asciudeme Jouberta - aj@searaequipamentos.com.br
Publicado em 04/05/2008 Nosso amor que não esqueço
E que “teria” seu começo numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem recado e sem bilhete
Sem luar e sem violão......É, minha amiga Lygia, eu também perdi um amor, numa festa de São João. Só, que o meu teve bilhete, em forma de correio elegante. Eu havia brigado com ela, aquelas brigas idiotas de antigamente. Na quermesse sentei-me ao lado de duas garotas, amigas minhas, estávamos conversando normalmente, quando veio uma menina me entregar o tal correio elegante. Abri e lá estava escrito: “Você parece um palhaço no meio destas duas vagabundas, não quero te ver mais”. Pensei em ir tirar satisfações pelo termo usado por ela “vagabundas,” mas deixei pra lá.
Eu gostava muito mais das festas juninas do que o carnaval.
Muito bonita sua história Lygia, uma pena pelo final.
Abraços e parabéns. ..
carlaortt@bol.com.br
Enviado por Carlos Roberto Teixeira Trindade - carlaortt@bol.com.br
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