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Categoria - Outras histórias Foi difícil, mas contei Autor(a): Francisco Ramirez Sanchez - Conheça esse autor
História publicada em 30/05/2008
Fernando Pessoa escreveu mais ou menos isto: eu que sempre tropecei nos tapetes, etc., etc., etc. Pois eu também sempre fui assim; órfão, pobre, magricela, feio, mas em compensação sempre aprendi que certos pecados não poderiam ser cometidos. Roubar, por exemplo, nem que fosse para matar a fome. Deixar de tomar banho, de escovar os dentes, contar mentiras, estes pecados eu poderia cometer, mas roubar nunca. Pois aconteceu. Eu roubei. Em 1951, aqui no Alto da Vila Maria, nem todas as ruas tinham iluminação elétrica e os mais velhos tinham por costume carregar consigo uma lanterna de pilhas. Hoje, um objeto quase em extinção, mas naqueles tempos quebrava um galho danado para as pessoas que saíam cedo de casa ou voltavam tarde do trabalho.
Já contei que estudava numa escola de nome Escola Nossa Senhora Aparecida, da dona Lourdes, e certa vez minha professora, que não vou revelar o nome para evitar algum processo, saiu um pouco mais cedo da classe e avisou: terminem a lição e podem ir embora para casa. Que tentação. A professora esquecera em cima de sua mesa uma linda, maravilhosa, coisa de louco... Lanterna de pilhas! Bem que eu fiz força pra não tocar na lanterna, mas não resisti. Coloquei a jóia rara embaixo da minha pobre blusa e levei comigo meu sonho de consumo. Roubei a lanterna. No outro dia, a professora, depois de investigar, perguntar, questionar, chegou à conclusão de que era eu o ladrão. Fez de tudo para eu confessar. Não confessei. Prometeu que me daria outra igual. Não acreditei. Por fim, só faltava me pendurar no Pau-de-Arara, desistiu, mas me deixou com um problema maior... Uma coisa era roubar uma simples lanterna, outra coisa era não dizer a verdade para minha mãe. Foi a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa, disse pra minha mãe: Mãe, eu roubei uma lanterna. Minha mãe não me bateu, não me colocou de castigo, não fez teatro algum. Apenas ordenou: amanhã você vai devolver a lanterna durante a aula e vai pedir desculpas não só para sua professora, mas também para seus colegas de classe por colocá-los em suspeição. Pois foi o que fiz. Pedi desculpas a todos da classe com a promessa que, quando fosse roubar outra coisa, só pensaria, mas não roubaria. Tenho agido assim.

e-mail do autor: paco.ramirez@uol.com.br E-mail: paco.ramirez@uol.com.br
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Publicado em 02/06/2008 Paco você é um Número. Na história de 19 de maio, paulicéia,você utilizou no texto o nome de uma árvore, cujo nome correto é plátamos. Existem muitas na cidade de Campos do Jordão.Quanto as outras tuas dúvidas não sou especialista em árvores nem em plantas, mas conheço um pouquinho, de pássaros também. Cambacica é o nome que costumo chamar este pássaro citado. Tem coloração amarelada por baixo do peito.Abraços. Enviado por Clelsio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 01/06/2008 Paco, você e suas histórias me matam de rir...
É verdade que vc não fuma, não bebe e não joga, mas só tem um defeito? Não vou dizer qual é! Um grande abraço.Asciudeme
Enviado por Asciudeme Joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 31/05/2008 Eta "mardita" tentação Francisco....hoje em dia tem tanta gente na tentação, mas n só no pensamento...rsrsr. Um beijo Enviado por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br
Publicado em 31/05/2008 Se todas as mães agissem como a sua, não haveria ladrões no mundo. Enviado por Lygia - lymarsouz@live.co.uk
Publicado em 30/05/2008 Ramirez, "crime" cometido, investigação acurada, confissão angustiante, sentença proferida e cumprimento da pena exemplar executada. Que mais você quer pra um enredo policial dos mais emocionantes? Parabens.
laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 30/05/2008 Paco, isso foi uma prova do conceito de respeito que sua mãe incutiu na sua personalidade.Foi bom para o resto de sua vida. Enviado por Miguel - misagaxa@terra.com.br
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