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Categoria - Outras histórias Bons tempos Autor(a): Lygia Bradnick - Conheça esse autor
História publicada em 04/06/2008

O bairro do Paraíso antes da construção do viaduto 23 de Maio tinha várias lojinhas pequenas, apoiadas umas ás outras, lojas de aparência simples, mas que eram o nosso ‘Shopping Center’. Elas se estendiam pela Rua Vergueiro, onde hoje passa o viaduto, oferecendo de tudo: roupas, sapatos, objetos de casa e cozinha, tinas de metal e tábuas de lavar roupa empilhadas ás portas. Havia a papelaria Caratin, da qual me lembro muito bem até hoje, pois era onde minha prima Clélia me levava para comprarmos tinta nanquim e papel almaço para trabalhos da escola. Eu adorava papelarias e gostava de ficar um pouco por lá, olhando os livros numa pequena prateleira e os mapas de plástico que a gente contornava com um lápis bem apontado e pronto! Ás vezes se minha prima tinha dinheiro sobrando ela me comprava uma caixinha de lápis de cor.
Das outras lojas, me lembro como num sonho. Parecem muito longe, já há muito foram demolidas para dar lugar ao progresso.
Na Rua Apeninos ficava a cervejaria Brahma, enorme, imponente e malcheirosa, enchendo o ar com sua fumaça escura e o cheiro inconfundível do lêvedo de cerveja. Minha mãe ia toda semana buscar o tal lêvedo numa latinha com tampa, que ela carregava para casa com todo o cuidado. A cervejaria dava o lêvedo de graça e muita gente ia buscá-lo para bater com frutas no liquidificador, aquilo era ruim como a peste e éramos obrigados a tomar um copo cheio antes de irmos á escola. A gente tomava apertando o nariz, mas tomava, pois a mãe não era de brincadeira, e afinal ela subia a ladeira do Paraíso a pé para buscar aquela massa amarela e revoltante. Nem quero lembrar!
Descendo a Rua do Paraíso, o Jardim da Aclimação, para onde fugíamos sempre que possível. Naqueles idos anos 1950 para 1960 muitas crianças iam sozinhas para o Jardim da Aclimação e ali brincavam sem perigo algum. Sempre havia algum adulto por perto que chamava a atenção se um grupo de crianças se aventurava muito próximo do lago ou fazia alguma outra coisa considerada perigosa. Só me lembro de uma vez que minha mãe foi me procurar bastante nervosa, pois eu não havia dito aonde iria. Aquele dia apanhei, pois havia entrado no lago usando uma calça de brim vermelha limpa que ficara totalmente enlameada...
Na Rua Chuí moravam muitas das minhas amiguinhas e fazíamos ali Festas Juninas de rua, com todo o povo envolta de uma fogueira, bandeirinhas, balões e mesas apinhadas de doces e salgados. Todos se conheciam e tinham uma vida de comunidade que hoje em dia foi totalmente perdida.
Bons tempos, bons tempos! Que saudade!

e-mail da autora: lymarsouz@live.co.uk

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Publicado em 09/01/2012 Eu tb curti muito a papelaria caratin.,Eu fui muito amigo da Marilena Caratin, filha do sr.Alberto, dono da papelaria. Eu estudava no Rodrigues Alves e todo ano vinha aquela lista de compra, sempre no Caratin, Enviado por jorge - jatinel@uol.com.br
Publicado em 09/01/2012 Lygia.

Complementando. O último endereço do s.Alberto, já falecido,era na Rua Cubatão, perto do Hospital-( R.Rodrigues Alves)
Enviado por jorge - jatinel@uol.com.br
Publicado em 10/11/2009 Lygia adorei sua materia mas, preciso da ajuda de alguem como voçe;Fui funcionaria da papelaria por algum tempo;preciso encontrar alguem que saiba onde reside algum parente do snr.caratin, pois perdi a carteira de trabalho do período e não posso me aposentar.Como resido em Guarulhos, pediria que me enviasse via email ou fone 24562277. Sei que ele residia na r. Thomaz Carvalhal;Se os teus contatos puderem me ajudar, agradeço, pois nem a associação comercial tem elementos. Obrigada e parabens . Enviado por margit Gomes de Almeida - almeidamargit@ig.com.br
Publicado em 08/06/2008 Lygia,
Morei por 10 anos na Apeninos, e hoje moro juntinho do Parque da Aclimação, onde vou com frequencia para caminhar.
A Brahma sempre foi um ponto de referencia no bairro, e é verdade, sempre distribuiu gratuitamente o precioso levedo de cerveja, que embora de gosto muito ruim, é um verdadeiro remédio para o aparelho digestivo e nervoso.
O Marco Antonio (abaixo) comentou sobre a Emulsão de Scott, e por incrivel que pareça,em minha casa morava um sobrinho que na epoca tinha 5 ou 6 anos, e nós eramos obrigados a esconder o vidro em lugares altos, pois ele adorava aquela droga e se fosse possivel tomava tudo de uma vez.
Enviado por roque vasto - roquevasto@itelefonica.com.br
Publicado em 07/06/2008 Lygia, conheço bem esse pedaço, inclusive o Parque da Aclimação. Adorei a sua história, menos a parte amarga dela....
Abraços
Enviado por Berenice - doris.rabello@uol.com.br
Publicado em 04/06/2008 Lygia, saudações.
Foram tempos que não voltam mais, fica somente a saudade de que éramos felizes e não sabíamos.Abraço.Asciudeme
Enviado por Asciudeme Joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 04/06/2008 Lygia, deliciosa sua cronica... a Turma da Carneiro frequentava esses mesmos lugares que voce relembra com tanta saudade... Eram bons tempos mesmo... e não apenas saudosismo... Enviado por gilberto ramos - gramos-sc@hotmail.com
Publicado em 04/06/2008 Saudosas e amenas recordações, Lygia, com o encanto de sua escrita. Prabens.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 04/06/2008 Voce já tomou o "Óleo de Figado de Bacalhau do Dr.Scott"? Não?. Então não fala do lêvedo, pode acreditar, o tal Óleo de Figado...era bem pior, e tinha que tomar, uma colher de sopa, puro, sem essa de bater com frutas.Arrepios. Das papelarias, o que me encanta até hoje são as canetas, todos os tipos, sou fanático por elas, cheguei a ter coleções delas. Das papelarias, lembro-me bem das que ficavam no centro:Papelaria Formosa-Papelaria Rosenhaim, esta tinha muitas novidades, inclusive canetas,abraços e obrigado pelo seu comentário no meu texto (Vila Santa Catarina...)Realmente á gratificante ter o menino por perto.Marco Antonio (Marcolino) Enviado por Marco Antonio (Marcolino) - advancedtop@uol.com.br
Publicado em 03/06/2008 Tempinho bão..num vórta mais... Enviado por Luiz S. Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
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