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Categoria - Outras histórias Venha como estiver Autor(a): Lygia Bradnick - Conheça esse autor
História publicada em 14/07/2008

Nos anos 60 era moda em São Paulo uma tal de festa ‘Venha como estiver’. Nossa turma também teve uma e foi um grande sucesso. Quem se lembra? A festa ‘Venha como estiver’ trata-se do seguinte: um grupo convida outro para uma festa ás 6 da tarde, por exemplo. No entanto, às 3 horas da tarde o primeiro grupo passa nas casas do grupo convidado e praticamente leva os convidados à força muito antes da hora, fazendo o que estiverem fazendo e vestidos como estiverem vestidos, seja roupa velha lavando o carro ou pijama, tirando uma soneca.
A confusão que aprontamos foi tão grande que até hoje não sei como nada pior aconteceu. Usando uma perua volks, nós, um grupo de cinco meninas, saímos à busca dos que seriam ‘seqüestrados’.
Um dos rapazes, o Paulo, foi trazido vestindo um macacão coberto de graxa, arrastado para a perua e colocado praticamente debaixo do banco para que quando chegássemos à segunda casa a próxima ‘vítima’ não percebesse. Saímos dali para São Bernardo do Campo onde moravam o Luís Roberto e o Elias, que nos viram chegando e correram, porém entramos por uma janela, caindo bem em cima da cama do pai deles, que dormia. (Imagine só o susto deste bom homem). Trouxemos um dos rapazes (Luís) de roupão e o outro (Elias) apenas de calça e uma toalha nas costas. A terceira vítima, o Sam, morava na Vila Prudente e era a minha paixão, este foi carregado por pernas e braços e colocado na Kombi com os demais. Um amigo dele que estava apenas passando, foi levado junto aos gritos.
A quarta ‘vítima’ foi um rapazinho quieto, baixinho, chamado Reginaldo, este foi pego na Rua Bueno de Andrade, na Aclimação. Sua mãe, que estava na porta, pensou que se tratasse de um seqüestro de verdade e saiu correndo e chorando atrás do carro. O Reginaldo conseguiu abrir a porta da Kombi e fugir na Praça João Mendes, mas o Luis (de roupão) e o Elias (com uma tolha nas costas) saíram em perseguição, gritando ‘pega ladrão!’ Até hoje não sei como a polícia não se envolveu nisso.
Ainda levamos alguém de calça de pijama (Oswaldo) e de calção (Walter). Meu melhor amigo (David) foi pego muito bem vestido!

A festa em si foi no quintal da casa da Sônia, que já estava decorado e a comida já pronta, inclusive umas balas recheadas de azul de metileno, que deixava a boca desta cor, e bolinhos de pimenta vermelha. Trancamos o portão com a chave para que ninguém saísse, mas eles tentavam subir o muro alto e quase caíram na casa vizinha, imagine a cena, uns 8 rapazes de uns dezessete anos, vestidos de pijama, toalhas, roupão, macacão coberto de graxa subindo nas mãos uns dos outros para alcançar o alto do muro.
Já se foram muitos anos, mas aquela festa maluca ficou na minha memória. Não sei onde andam o Elias e seu irmão Luís, o Reginaldo nunca mais vimos desde 1970,com o Sam me encontrei novamente depois de muitos anos,conheci sua linda família e ele conheceu a minha. Um dos rapazes morreu num acidente de carro, outro mora nos Estados Unidos e se casou com uma das meninas do nosso grupo. O David morreu do coração no ano passado. No entanto, todos estão bem vivos na minha mente, e o dia que vieram á nossa festa ’Venha como estiver’.


e-mail da autora: lymarsouz@live.co.uk

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Publicado em 16/07/2008 Lygia, adorei a sua história! Tempos bons esses... tão diferentes de agora.
Um abraço
Enviado por Berê Rabello - dorisdaybrasil@gmail.com
Publicado em 15/07/2008 Essas "maluquices" inocentes davam sabor a nossas vidas e dão a nota de humor em nossas memórias. Enviado por Miguel - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 14/07/2008 Ô maldade, Lígia!!! Fazer com que eu lembrasse o que não queria lembrar. :) Eu e minha prima fomos pegos e levados a uma festa na Aclimação. Eu, que ajudava meu pai a lavar o carro, estava de Shorts e tamancos. Minha prima foi levada em "traje a rigor": Vestia um "pegnoir estampado e velho, tinha imensos bobies nos cabelos e, na cara, uma máscara de pepinos.Foi traumatizante para ambos. :) Enviado por Wilson Natale - wilsonnatal@uol.com.br
Publicado em 14/07/2008 Realmente, parece que era muito divertida este tipo de festa. Mas nos dias de hoje com as mais diferentes modalidades de sequestro a coisa ficaria muito perigosa.
Abração, Ivette
Enviado por Ivette Gomes Moreira - ivetteg.moreira@gmail.com
Publicado em 14/07/2008 Lygia você foi bem mais peralta que eu, adorei a brincadeira de vocês. Pena que hoje as coisas tenham mudado, ficamos sérios demais. Abraços de Tereza. Enviado por tereza pereira xavier - terezapx@bol.com.br
Publicado em 14/07/2008 Lygia, quanta diversão, ainda bem que nada aconteceu. Pensou hoje em dia aprontarmos algo semelhante!! Um grande beijo. Enviado por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br
Publicado em 13/07/2008 Olá Lygia.
Você deve ter sido uma daquelas garôtas que "botavam prá quebrar" e aí em País de Gales tem disso? Um Abraço. Gostei da sua narrativa, Asciudeme
Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 13/07/2008 Ahhh, Lygia, como eu gostaria de ser sequestrado por vocês... que brincadeira gostosa, menina, essa merece ser ressucitada... Abraços e feliz ressureição...
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 13/07/2008 muito legal!!! pela bala de metileno já passei! Enviado por turan bei - turanbei@hotmail.com
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