Leia as Histórias

Categoria - Nossos bairros, nossas vidas A Origem do Bairro Cidade Monções Autor(a): Heitor Iório - Conheça esse autor
História publicada em 24/09/2008
A área onde se situa o bairro Cidade Monções era antigamente uma fazenda de propriedade da família Ermírio de Moraes, onde possuíam uma grande olaria desde 1928. A porteira da fazenda ficava situada na entrada da Avenida Portugal, no sentido de quem vem da cidade para Santo Amaro.

O loteamento do bairro iniciou-se por volta de 1945, feito pela Cia. Bandeirantes (grupo Votoran), logo depois do fechamento da olaria. O loteamento foi feito em duas etapas. A primeira, com as construções das casas, conforme veremos logo abaixo, e a segunda, após o aterro das lagoas do Clube Votoran, situado entre as ruas Conceição e Monte Alegre e Arandú.

Antes do bairro se formar, a área era ocupada também, em grande parte, por chácaras com plantações de verduras, flores, e tinha até um haras que ficava na Rua Conceição de Monte Alegre. As chácaras eram exploradas por imigrantes portugueses.

Um de seus primeiros moradores foi o Sr. Vitor Alves da Rocha, hoje nome de rua no bairro, que, segundo relato de seus filhos, mudou-se para o bairro em 1933, precisamente na Rua Pensilvânia, onde montou um armazém de secos e molhados. Esse português vendia a prazo e marcava as vendas em uma caderneta, que ficava em poder do comprador, que só pagava o que devia para ele no final do mês. Eram outros tempos, o fio do bigode valia.

As ruas do bairro foram abertas pela Votoran, com tratores que eram dirigidos pelo saudoso Sr. Marcilio Giopatto, morador em uma das casas da olaria e pai de grandes amigos nossos, dentre eles a Lucia, que até hoje convive conosco no Açaí Clube. Segundo fontes consultadas, o Sr. Marcílio foi quem abriu todas as ruas do bairro. Uma curiosidade é que a maioria das ruas tem nomes de estados ou cidades americanas, tais como: Luisiânia, Califórnia, Miami, Filadélfia, Flórida, Los Angeles, Cincinati, Nova York, etc.

Fora a grande olaria que era da família Ermírio de Moraes, tinha também a Sociedade Hípica Paulista, que foi fundada em julho de 1911, no bairro de Pinheiros, e veio para o Monções em 1939, com a sua entrada principal voltada para a Rua Quintana. Vieram também para o bairro algumas fábricas, tais como: a Bombril, a Resmat, os Laboratórios Abbott e Pravaz.

No início dos anos 50, foi construída a primeira capela do bairro para abrigar o nosso padroeiro São João de Brito, cuja estátua tinha vindo de Portugal e ficou guardada na casa do saudoso Sr. Siqueira, de onde foi levada em procissão para a nova capela. Logo depois, atrás da capela, foi construída a igreja atual. Seu primeiro pároco foi o Padre Antonio José dos Santos, hoje nome da principal avenida do bairro.

Em 1953, foi construída pelo Estado a primeira escola do bairro, que era de madeira, cujo primeiro nome foi: Grupo Escolar Cidade Monções - aliás, escola esta onde terminei o curso primário.

Por que Cidade Monções?

Monções é uma palavra de origem árabe. No singular, monção significa "estação do ano em que se dá determinado fato", ou também "vento próprio para navegação". No Brasil, o termo deu nome às grandes expedições fluviais que partiam da cidade de Porto Feliz, Estado de São Paulo, nos séculos XVII e XVIII, por meio do Rio Tietê, e iam em busca de ouro nos Estados de Mato Grosso e Goiás.

O grupo Votoran tinha uma sociedade imobiliária denominada Cia. Bandeirantes, que foi quem fez o loteamento de todo o bairro. A Cidade Monções compreendia os quarteirões formados pela Rua Califórnia até a Rua Guaraiuva, tendo como ruas laterais a Avenida Padre Antonio José dos Santos (antiga Avenida Central) de um lado e, de outro lado, a Rua Flórida. Tinha uma segunda gleba loteada que era formada pelas ruas Ribeiro do Vale e Rua Mangoatá, tendo como ruas laterais a Rua Michigan e a Rua Arizona.

Nesse loteamento, por meio de uma outra empresa do grupo Votoran, a Cia. Monções, por volta de 1946, iniciou a construção das casas de moradia, todas iguais, térreas e cujo comprador, na época, ganhava um carro Anglia como brinde. O carro era para facilitar a locomoção, uma vez que o bairro não tinha nenhum tipo de condução coletiva, quer particular ou pública. Assim, surgiu o Bairro Cidade Monções, nome da companhia que construiu grande parte das casas.

Acredito que o nome foi dado porque, naquela época, para chegar-se ao bairro vindo da cidade, havia muita dificuldade e a Cia. Monções organizava, nos fins de semana, expedições do centro para o bairro em condução própria, para que os interessados pudessem ver o empreendimento. Por analogia, podemos dizer que eram verdadeiras monções.

Também, no início dos anos 50, foi fundada a Sociedade Amigos do Bairro, pelos saudosos Srs. Morita, Ernesto, Siqueira, Wilson, Prof. Camargo e mais alguns que, infelizmente, a memória não me ajudou, cuja finalidade era conseguir para o bairro melhorias necessárias, tais como escola, luz, água, transporte, asfalto, etc.

Esses senhores também fundaram uma cooperativa de alimentos, que consistia, na época, em comprar os gêneros de primeira necessidade no atacado e repassá-los aos sócios da cooperativa a preço de custo. Era um trabalho desinteressado. A intenção era servir o próximo. A Sociedade Amigos do Bairro funcionou até o início dos anos 70 e conseguiu grandes melhorias para o mesmo.

Hoje onde é a Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini, corria um riacho de águas limpas, local que eu tive o prazer de nadar. Da ponte do Morumbi em direção a Usina da Traição, passando por dentro do bairro, havia um braço de rio (apelidado na época de Rio Pinga). Rio este que foi aterrado com a areia tirada do fundo do Rio Pinheiros, dando início a um outro loteamento denominado Jardim Edith (nome este dado em homenagem a Dona Edith, que foi a corretora que cuidou da venda desses novos lotes).

Se formos analisar os bairros Cidade Monções, Jardim Edith, Hípica Paulista, eu diria que todos estão dentro do atual Brooklin Novo.

O progresso chegou depressa demais e hoje o nosso bairro tem, na Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini, os prédios mais bonitos do Brasil. Eu posso afirmar que assisto esse crescimento do bairro durante quase 59 anos, tempo este que resido no mesmo, primeiramente na Rua Guaraiuva, depois na Rua George Ohm e atualmente na Rua Conceição de Monte Alegre.

Espero ter informado, a quem possa interessar, um pouco do que é do meu conhecimento sobre esse maravilhoso bairro de Cidade Monções, que eu tanto amo.

e-mail do autor: hiorio@imjm.com.br E-mail: hiorio@imjm.com.br
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 23/09/2008 Heitor: Eu tenho gratas recordações do seu amado bairro, frequentei muitas vezes a sua casa na Guaraiuva, a casa dos meus tios e primos da r.Nova Iorque, o Amadeu Cucchi, a mia tia Ema, meus primos Lauzinho, José, Maria e a Leonilda Cucchi, com exceção desta, os demais já partiram para outra vida. A sua história trouxe-me tambem novos conhecimentos, vou arquiva-la com muito carinho. Eu também escrevi parte da história do bairro do Bixiga, onde fui criado i.é de 1933 até o ano de 1957. Enviado por José Antunes dos Santos - joseantunesdossantos@bol.com.br
Publicado em 23/09/2008 Caro Heitor,
velho companheiro de infancia, foi muito bom ouvir sua narrativa. Bons tempos de correr atraz de balões, de cambiar o ônibus do Guerino, de reunir a turma: Orival, Guido, Abé, Tigú, Os nenens, Pepo, Cláudio, Poiarão, enfim, toda a turma que ia aos bailinhos , e que na saida dava uma passadinha pelo Romeu.
Velha Monções do meu tio José e da Tia Antonieta, que nos levou a morar na Hollywood nos anos 50. Tempos em que esvasiavamos os pneus da bica dágua.
abraço
roque
Enviado por roque vasto - roquevasto@itelefonica.com.br
Publicado em 23/09/2008 Informações ricas de detalhes bastante interessantes, satisfazendo a todos que buscam fatos curiosos a respeito de formação de bairros. Parabens, Iório.
laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 23/09/2008 Prezado amigo Helio Iório. Magnífico relato o que você fez sobre o bairro Monções, nome que hoje não é mais utilizado pelos moradores. Hoje é somente Brooklin. O bairro Monções era uma linha divisória entre o brooklin velho que tinha o ônibus da linha 81, e o Brookin Novo, que ia da beirado do córrego da traição onde eu morava, até a avenida central, (Av. Padre Antonio José dos Santos) Dali em diante já se dizia Brooklin Velho. Fomos morar no Brookiln Novo seis anos depois da formação do bairro Monções, que segundo seu relato data de 1945. o seu inicio. Mais precisamente dia 1 de Abril de 1951, passamos a ser moradores do Brooklin. O Bairro estava ainda sobe os últimos loteamentos da Companhia Bandeirante de Terrenos e Construções, de onde seu Manoel Campos comprou e nos vendeu. Em 1951 contavam-se as casas, nos dedos. Vi praticamente todo o inicio desses dois bairros, que hoje é uma linha reta da avenida dos bandeirantes até a avenida Morumbi. Sem que se tenha a preocupação de dizer Brooklin Novo. Monções e Brookklin Velho. E a mania de modificar a historia da formação. O Grupo escolar, que você se refere acredito ser o Professora Diva Maria, da avenida Padre Antonio dos Santos esquina com a Rua Guaraiuva, que a secretaria da educação Rose Newbauer criminosamente fechou, juntamente com outras 104 escolas. E fechado ficou por quatro anos, sendo hoje uma escola de musica do estado. O rio Pinga que também ia nadar quando criança tinha uma ponte de ferro de 50 centímetros de largura de onde os garotos se atiravam para nadar. Quando para lá mudamos já tinha a sociedade Hípica Paulista, de grandes torneios hípicos, onde se destacava o Ginete James Savaia. Tinha também a fabrica Bom bril que eu pulava o muro para pegar restos da palha de aço para piratear e vender as mulheres da vizinhança. Quanta saudade dos meus tempos de garoto lendo esse lindo relato seu. Enviado por Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 23/09/2008 Heitor,

Parabéns pela história do Bairro Monçoes.

Aliás ao lado do mesmo tinhamos o Bairro Hipica Paulista, nome oriundo da Hipica, conforme seu relato, que por lá se instalou.
Proximo ainda a Hipica Paulista tinhamos o Bairro do Brejo Alegre, cuja divisa ficava entre a Hipia Paulista e a Vila Olímpia, cuja divisão era o corrego da Traição, por onde hoje passa a Av. Dos Bandeirantes.
abraços

Manoel
Enviado por Manoel Rodrigues - adv-rodrigues@uol.com.br