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Categoria - Outras histórias Quase só para mulheres Autor(a): Haydée M. Brock - Conheça esse autor
História publicada em 31/10/2008
Uma mulher poderá entender melhor o sufoco que passei na década de 60.

Nessa época, morávamos em Pirituba, na Rua Candido de Souza, 21 F (hoje com outro nome e número), de onde guardo boas recordações, especialmente de uma família italiana que tinha um comércio na rua principal da igreja São Luiz.

Passado mais de cinqüenta anos desde que vim para o interior, lembro com gratidão de como tive ajuda dessa família, que infelizmente não lembro o nome. Recém casada e com as dificuldades normais naquela época, passei a costurar para as mulheres dessa família e, com o ganho do serviço, comprava no estabelecimento pão, leite, gás, mantimentos etc., porém o mais valioso era a amizade que recebi de todos.

Meu marido trabalhava em uma empresa com várias filiais e muitos funcionários e, até hoje, não entendo porque cargas d'água os casais que namoravam e resolviam se casar, um atrás do outro, nos convidavam para padrinhos. O que no início era uma honra transformou-se no inferno.

Nossa situação não era das melhores e tínhamos que arcar com as despesas de roupas, presentes etc. Resolvemos que os presentes seriam dentro de uma quantia estipulada para todos, independente de cargo ou amizade.

Lembro que fui a uma loja de presentes e estava em promoção louça para churrasco, bonita e barata, e não pude comprar mais de um jogo porque os convidados eram sempre os mesmos e saberiam da minha compra no atacado.

Roupa então... Era um tal de emprestar de irmã, sobrinha, amiga - e, mesmo assim, com repeteco. Até que, um dia, decidi não mais aceitar esses convites, pois aconteceu o seguinte: a empresa onde meu marido trabalhava resolveu abrir filial no interior e, como já tínhamos fama de "padrinhos da capital que davam sorte aos noivos"...

A moça que fazia a faxina nessa nova filial (nossa derradeira afilhada) marcou dia, endereço e horário para seu final feliz. Como sempre, eu não conhecia a noiva e resolvi chegar à cidade pronta para a cerimônia de igreja. Viajei duas horas de carro no calor de dezembro, vestida com um conjunto que me sufocava, meias de nylon, laquê no penteado, sapatos altos. Havia deixado para fazer a minha maquiagem na última hora.

Sempre olhando o relógio, cheguei só meia hora antes procurando o endereço. Surpresa! A noiva estava sentada no meio de uma saleta com "bobes" enormes nos cabelos, "peignoir" e chinelos. Em outra cadeira, o vestido de noiva.

Quando perguntei o porquê, me disseram que era costume na cidade a madrinha pentear e vestir a noiva. Atônita, não lembro o que fiz; suava em bicas, toda atrapalhada, presa no meu "modelito". Eu, que jamais tinha arrumado nenhuma noiva.

Quando conseguimos sair, nos avisaram que antes passariam no cartório para a cerimônia civil, com direito a filmagens com replay e fotos. Entrei rápido no cartório querendo terminar tudo, mas nos obrigaram a voltar, atravessar a rua novamente e vir devagarzinho para sermos filmados.

Fomos caminhando do cartório à igreja com platéia curiosa por onde passávamos. Nunca mais me esquecerei do traje da madrinha do noivo: era um vestido balonê em brocado prateado, chapéu, sapatos e bolsa forrados no mesmo tecido do vestido.

Quero esquecer que vislumbrei a igreja muito longe, porque estava sofrendo com "rosetas" no calcanhar e toda desmantelada. Terminado o casamento, fiquei mais de hora sentada em um banco na praça, esperando os noivos, que foram ser fotografados em um ponto turístico da cidade bem distante. Depois disso, a recepção: pastel frio e refrigerante sem gelo.

Meses depois, recebi fotos com a seguinte dedicatória: "Aos padrinhos, com carinho". Só então vi que, na correria, não tinha lembrado da minha maquiagem. Nem ao menos passei batom.

e-mail do autor: tydee@terra.com.br E-mail: tydee@terra.com.br
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Publicado em 24/11/2009 Querida prima Haydée: quem conhece vocês todas, irmãs Mazulo, endossa as palavras de suas sobrinhas. Amei cada texto de sua autoria que li. Amei, também, "São Paulo, minha cidade" e ainda não o explorei inteiro. Você foi muito feliz em ter os excelentes textos publicados aqui. Beijos. Enviado por Maria Lúcia Bernardini - ml.bernardini@uol.com.br
Publicado em 04/11/2008 Gostei de saber dessas peripécias de Tia Haydee por São Paulo, apesar de ter sido desgastante para a época, acredito que sempre deixa um pouco de saudades, velhos tempos, velhos dias. Enviado por miriam - borgessecretaria@ig.com.br
Publicado em 04/11/2008 Quem diria que minha tia Haydée iria relatar em um site sua história de sampa.Adorei. Por favor tia relate nossa ida a Santos de Kombi. Não consigo me lembrar com detalhes, só me lembro que foi muito engraçado. E concordo com Claúdia voces irmãs deveriam se reunir pelo menos uma vez por mes para nos contarem essas histórias hilárias. Passaremos a nossos filhos e assim por diante...Beijos, sua sobrinha que te ama. Meire Enviado por Meire - meirerizzi@yahoo.com.br
Publicado em 03/11/2008 Pois é tia, como sempre arrasando nas lembranças. Se juntar a Sra., tia Eneida (grande memória) e mamãe, daria pra montar um livro, com histórias engraçadíssimas! e aproveitar pra contar algumas que ainda não sei rs. Beijos e mais uma vez Parabéns!!! Enviado por Cláudia - claudia-rizzo@uol.com.br
Publicado em 03/11/2008 Haydee, se eu me casar de novo ja esta feito o convite: voce sera minha madrinha. Que tal?
Lindo, tambem, o comentario da sua irma Maria Ascensao e o da Nininha, sua sobrinha!
Um abracao!
marcia ovando
(desculpem a falta dos acentos)
Enviado por marcia ovando - marcia.ovando@bol.com.br
Publicado em 02/11/2008 Haydée,que estória mirabolante!!!!
ATENÇÃO FALCON!!!!...Cuide-se,pois agora você tem uma concorrente feminina no site.
Adorei Haydée,muito hilario!!!
Um Abraço / Bernadete
Enviado por Bernadete P Souza - bernadete.pedroso@norwan.com.br
Publicado em 02/11/2008 Mana,
Lendo esse ‘causo’já tão conhecido por nós foi como se tudo estivesse se repetindo.
Só te conhecendo para saber que,jamais poderia sequer ousar em maquiar alguma noiva naqueles tempos.Nós que na nossa longínqua juventude só tínhamos uma caixa de pó de arroz(Lady,Royal Briar,Cashemere Bouquet?) para ser usado pelas 5 irmãs e um batom,talvez Tangee Ciclâmen,ou Palermont....rs talvez com validade vencida,como saber? Me ponho a rir imaginando o assombro nos dias de hoje se isso acontecesse.”Que falta de higiene...que propagação de bactérias.”...Mas aqui estamos nós,com certos achaques
acarretados pela idade,é verdade,mas vivinhas e ainda podendo rir das nossas histórias,tantas acontecidas.Na verdade, vc poderia, com essa verve,em nome de nós todas,vez ou outra ir relembrando coisas –são tantas- para alegrar os leitores.Tenho certeza que todos gostariam.
Ah, agora confesso:Eu,assim como o Lopomo também jamais fui convidada para madrinha,seja para casamentos ou batisados.Alegavam que por eu morar muito distante...Não sei.De crisma tenho apenas uma,a quem dedico especial carinho,a Miriam.
Espero que ela retribua com o mesmo carinho e,... presentes?...Ela quem me dá...rs
Um abraço
Enviado por Maria Ascensão Mazulo Rizzo - sensaitu@uol.com.br
Publicado em 31/10/2008 Haydée, ai está um belíssimo exemplo de roteiro para um filme de Federico Felini, faltando só o "noninho" trepado na árvore pedindo uma mulher... Crônica de folego, atraente e divertida. Parágrafos bem distribuidos, oferecendo leitura agradável.Parabens, Brock.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 31/10/2008 Essa minha tia é demais, sempre apresenta histórias pitorescas e gostosas de ler.
Desconhecia totalmente esse episódio, mas o que mais me encantou foi ela ter de arrumar a noiva para o casamento, deve ter sido hilário para ela, pois hj sei que jamais faria isso, rs.
Beijos e continue com suas histórias que vc vai longe, rs.
Nininha
Enviado por Nininha - nininha17@gmail.com
Publicado em 31/10/2008 Haydée, adorei sua historia. Na época acho que foi desgastante, mas hoje vc deve dar boas risadas de tudo isso e ainda dizer....bons tempos aqueles em que fui madrinha!
Um beijo
Enviado por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br
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