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Categoria - Personagens Meu namorado Claudinei Autor(a): Lygia Bradnick - Conheça esse autor
História publicada em 08/12/2008

Ele apareceu na minha turma em julho de 1965. Natural de Curitiba, passava férias com a família em São Paulo e começou a andar com a nossa turminha de rapazes e garotas mal saídos da adolescência. Não era bonito, tinha um certo charme, um pouco mais velho que os outros rapazes, mas se vestia mal, com roupas fora de moda, e para mim, aos quatorze anos, roupa da moda era essencial.

Claudinei começou a se aproximar de mim e, em uma tarde, depois de um passeio no Parque da Aclimação, me pediu em namoro. Ele tinha dezessete para dezoito anos, parecia velho aos meus olhos, e o pedido de namoro me assustou um pouco, pois era bem novinha e nunca havia tido um namoradinho que fosse. No entanto, a atenção que ele me dava me proporcionava algum status na turma, e por isso comecei um namorinho tímido e sem graça, sem muito interesse, pois não gostava nadinha dele.

Claudinei, no entanto, estava apaixonadíssimo por mim. Trazia presentinhos, era um cavalheiro perfeito, me tratando como a uma princesa. E quanto mais ele me tratava bem, mais eu o tratava mal. Ria dele por trás com minhas amigas, marcava encontros aos quais não ia. Uma vez o deixei plantado na porta do cinema, passando de carro com várias meninas para vê-lo esperando por mim.

E ele continuava sendo amigo e carinhoso comigo.

Finalmente chegou o dia em que ele deveria voltar para Curitiba e percebi que a despedida foi triste para ele. De lá me escrevia longas cartas, as quais eu respondia apressada ou deixava de responder. Finalmente escrevi terminando o namoro, que, para falar a verdade, para mim nunca fora nada importante. Recebi uma última carta dele, e depois nunca mais.

Aos 24 anos fui para a Inglaterra estudar inglês. A escola ficava na St. Johns Wood, a mesma rua do studio dos Beatles. Era um lugar lindo e bastante frequentado por brasileiros.

No terceiro dia que apareci na escola, levei o maior susto da vida, pois lá estava o Claudinei, um homem de 28 anos, impecavelmente vestido (quando isso não era mais importante para mim), as mesmas feições agora em adulto, que o tornaram um homem muito charmoso e interessante. Bonito de chamar a atenção, tudo nele mostrava confiança própria, falando um inglês perfeito e rápido (quando o meu ainda era terrível) com os alunos de outros países. Percebi que era popular e conhecia Londres muito bem. Tinha se formado em não sei o quê, fazia pós-graduação na Europa.

Reconheceu-me vagamente. Perguntou se eu era “aquela Lygia”, respondi que era sim. Conversamos um pouquinho, mas não demorou muito e ele foi conversar com outra pessoa. Pouco depois, me apresentou uma mulher belíssima, sua esposa.

Ah, como a vida ensina a gente... Quase bati a cabeça na parede.

e-mail do autor: lymarsouz@live.co.uk

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Publicado em 28/04/2009 O destino e incrivel, nos ensina muitas coisas uma delas foi essa, aprender a valorizar as pessoas. Mas amei sua história, muito interessante. Beijos e abraços Enviado por Adriele Fernanda - adriiele.fernanda@hotmail.com
Publicado em 14/02/2009 Coisas do destino, não era pra ser ele.
Mas adorei a sua história romântica.
Abraços.
Enviado por Doris Day - dorisdaybrasil@gmail.com
Publicado em 08/12/2008 BEEMM FEITO !!!!!!!!! rsrsrsrsrsrs Enviado por Flavio Rocha - flaviojrocha@bol.com.br
Publicado em 08/12/2008 Bonita história e gostosa de ler,isso acontece diariamente no mundo, isso que move o mundo, a ilusão de um , tristeza de outro, descaso de terceiro, dá uma novela da 19h00,parabens,Estan Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 07/12/2008 Lygia,sua história deria ser assim: Meu namorado Claudinei,no Parque da Aclimação,até o nome do local já estava induzindo vc. conhecer o seu príncipe. Aprendi que nossa vida é ciclica embora depois de começar a entrar na terceira idade,falou o "pai Dinah".
abs.
Vilton Giglio
Enviado por Vilton Giglio - viltongiglio@hotmail.com
Publicado em 07/12/2008 A vida da muitas voltas, e a as vezes
reencontramos quem menos esperamos nao eh??
Enviado por Etel - ebussbuss@gmail.com
Publicado em 07/12/2008 Lygia, por isso não devemos nunca esnobar as pessoas. É o que procurei ensinar aos meus filhos e estou feliz por ter transmitido isso à eles. Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 07/12/2008 Liga não Lygia, no fundo no fundo eu acho que ele era Gay, kkk. Brincadeira. Acho que na Juventude todos nós passamos por essas coisas, tinha uma menina que eu conhecí de garoto e que não me dava bola de geito nenhum e eu era louco para namorar com ela, passaram-se os anos eu nunca mais a ví, em 98 indo a Roma, eu a encontrei na Pça. do Vaticano no dia de Pentecostes em maio de 1998 e ela é a superiora de uma congregação Religiosa, e já estava em Roma A 6 ANOS. Enviado por Arthur Miranda - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 07/12/2008 Mas a vida é mesmo assim, e segue em frente, que atrás tem gente ! Enviado por Luiz Simões - saidenberg@ajato.com.br
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