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Categoria - Paisagens e lugares Há sessenta anos nascia o TBC Autor(a): Mario Lopomo - Conheça esse autor
História publicada em 28/01/2009

O Bixiga, centro cultural da cidade de São Paulo, era o felizardo por mais um teatro, o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), e os palcos nacionais ganhavam sua maior escola. A Rua Major Diogo foi o felizardo para acolher uma das mais queridas salas de espetáculo.

Franco Zampari, um italiano que, juntamente com outros patrícios endinheirados, transformou um casarão do Bixiga no teatro brasileiro de comédia, chamado na época de teatro assobradado. Franco Zampari propõe a duzentas personalidades da alta sociedade paulista a fundação da sociedade brasileira de comédia, entidade sem fins lucrativos que congregaria os grupos de teatro amador.

O teatro foi inaugurado a 11 de outubro de 1948, com a peça La Voix Humaine, de Cocteau, apresentada no original por Henriqueta Morineau, e a mulher do próximo de Abílio Pereira de Almeida, encenada pelo grupo de Teatro Experimental de Alfredo Mesquita.

Para que a companhia teatral fosse de primeira linha, famosos atores e diretores estrangeiros foram convidados a participar do TBC, com apoio de mecenas paulistas, como o Conde Francisco Matarazzo, e os banqueiros Adolfo Rheingantz e Paulo Assumpção. A partir daí foi organizado o primeiro elenco profissional, do qual participavam como contratados exclusivos Cacilda Becker, Madalena Nicol e Mauricio Cardoso. De Buenos Aires importaram o jovem diretor italiano Adolfo Celi.

A fase profissional do TBC teve início em junho de 1949, com a estréia da peça Nick Bar (adaptação da peça de William Saroyan, The Time of Your Life), dirigida por Adolfo Celi.

Mais tarde, o time de astros e estrelas foi reforçado por artistas que deixaram seus nomes marcados na história do teatro, cinema e televisão. E uma coisa, até então ainda não vista, era dois palcos giratórios, que recebeu a peça "Entre Quatro Paredes", de Jean Paul Sartre, também dirigida por Adolfo Celi, com Sérgio Cardoso, Cacilda Becker e Nidia Licia nos principais papeis.

Vieram muitas outras peças com um elenco muito maior: Paulo Autran, Tonia Carrero, Walmor Chagas, Maria Dela Costa, Natalia Timberg, Fernanda Montenegro, Cleyde Yaconis, Ítalo Rossi, Tereza Raquel e outros.

É preciso que se diga que o TBC não foi uma companhia dominada por atores, como acontecia até então. Isto é, a direção não cabia a um primeiro ator, e sim a um diretor, que foi principalmente o Celi.

O TBC era uma referência do teatro brasileiro e muito divulgado pela mídia. Além de teatro a receber as peças e seus componentes, era uma escola de teatro.

No ano 2001, fui ver uma peça, e ele ainda estava de pé, já bastante desgastado, como tudo que fica a mercê de verba para continuar vivo e de pé. Quando saí do teatro com minha mulher, fui pegar o carro no estacionamento e vi uma gigantesca obra destruída e o entulho espalhado pelo chão sem o teto. Perguntei ao manobrista:

- O que era aqui nesse prédio destruído?

Ele de pronto disse:

- Aqui era a indústria de calçados Scattamachia.

Deu vontade de chorar ao ver aquele enorme esqueleto de concreto armado, só com as pilastras de pé.

e-mail do autor: mlopomo@uol.com.br

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Publicado em 27/01/2009 Mario, seu texto é simplesmente impecável, verosinil, perfeito, etc...
Já conhecia a história do TBC. Escrevi um texto contando a história do Nick Bar que tinha sua história ligada ao TBC e a Franco Zampari.
Parabéns
Pedro Nastri
Enviado por Pedro Nastri - p.nastri@yahoo.com.br
Publicado em 27/01/2009 Mario,muito bom conhecer um pouco da historia do TBC.Parabens! Um beijo amigo. Enviado por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br
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