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Categoria - Personagens A rua do posto Autor(a): Luiz Gonzaga Simões Garcia - Conheça esse autor
História publicada em 21/07/2009
Iniciava o ano de 1972 quando uma menina de 14 anos me deu seu caderno de recordação para que eu escrevesse nele alguma lembrança...

Eu o apanhei com carinho e até com muita emoção, pois dela eu já estava enamorado há algum tempo.

Levei-o para casa, e naquela noite não conseguia dormir, só pensando o que nele escrever... Lá pelas duas ou três horas da madrugada levantei-me, peguei aquele caderno perfumado e escrevi o seguinte:

AUREA

Quando a noite chega, fria e silenciosa me encontra sozinho, me encontra pensando. Meu olhar vazio perde-se na escuridão imensa, bem como a fumaça pálida e frágil de meu cigarro. Nem mesmo o vento úmido e gelado consegue varrer do meu pensamento a lembrança que alguém deixou... As nuvens passam rápidas e pesadas pelo céu, parece que tentam seguir os rastos de quem partiu; mas não irão conseguir eu sei... Quem partiu não deixou o menor sinal. Nem mesmo na areia branca e fina que recebe com ternura o beijo das alvas ondas... Quem partiu não deixou marcas, nem na areia nem em lugar algum. Só deixou saudade... uma saudade doce imensa e imorredoura.

Luiz
São Paulo 29 de fevereiro de 1972


Em 1976 nos casamos na igreja Monte Virgem, na Penha. Hoje, de vez em quando, passamos pela Rua Francisco Amaral, local onde nos encontrávamos às escondidas e que para nós era apelidada de Rua do Posto.

A emoção ainda é a mesma... Parece-me que a vejo chegar com o uniforme branco do ginásio. Nos braços bem junto ao peito o caderno de português, o livro de história e o estojo colorido.

O tempo passou, vieram os filhos, as dificuldades, os problemas aumentaram... Mas também aumentou cada dia o nosso amor, a nossa amizade. Sempre que quero deixar a ela um recado lembro-me do caderno de recordação...

Ainda bem que, apesar de romântica, aquela narrativa não se cumpriu. Pelo contrário, juntos nos recordamos com saudade e com muita alegria daqueles tempos. E ao olharmos para trás, na areia branca e fina da vida podemos ver nossas pegadas sempre juntas, sempre firmes um ao lado do outro até um dia... até quando Deus quiser.

e-mail do autor: gonzagagarcia@ig.com.br E-mail: gonzagagarcia@ig.com.br
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Publicado em 03/08/2009 Esta história me fez lembrar na minha época de namoro que bom,que maravilha e que saudades. Luizãovocê é um grande e eterno amigo que mora no meu coração. Gostei muito do romantismo e da maneira como vive a vida. Parabéns... Enviado por Margareth Gomes Ussami - mgussami1@terra.com.br
Publicado em 25/07/2009 Luiz, linda declaração de amor. Parabéns. Enviado por Márcia Sargueiro Calixto - marciascalixto@hotmail.com
Publicado em 24/07/2009 Hé hé hé ... Eu me lembro que no seu casamento a Aurea estava vermelha feito um pimentão ... Um abração e escreva mais, seu irmão Leandro Enviado por Leandro S. Garcia - leburu@bol.com.br
Publicado em 24/07/2009 Querido irmão, presenciei essa linda estória e sei que ela é verdadeira.
Parabéns a você e a Aurea e que Deus continue abençoando-os sempre.
Enviado por Jurema - juremacremasco@hotmail.com
Publicado em 22/07/2009 Nada é mais eterno e lindo do que um grande amor e, com o passar do tempo, essa cumplicidade ganha as forças do entendimento onde a renúncia de um não quer dizer a vitória do outro. Pois, que seja eterno, enquanto dure. Felicidades mil para voces.
Nelson
Enviado por nelson de assis - nel.som55@yahoo.com.br
Publicado em 22/07/2009 Muito bom, xará. Romantismo é isso aí. Felicidade também.
Abraços.
Enviado por Luiz Simões. - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 22/07/2009 Que lindo! A Aurea deve ficar muito feliz com esse amor. É, quando nossos pensamentos nos levam a esse tempo, o sentimento volta com se tivessemos aquela idade. Parabens Enviado por lourdes cecilia bove ciavata - lucebove@ig.com.br
Publicado em 22/07/2009 A Aurea é que é feliz. Enviado por Lygia - lymms7@hotmail.com
Publicado em 21/07/2009 Muito bom. Alguns namoros cheio de romantismo terminam pela metade. Esse pelo que está escrito está sendo corresponddido pelo dois. parabens. Enviado por Mario Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 21/07/2009 MUITO BONITO O SEU TEXTO, ISSO E QUE E UM GRANDE AMOR,( O POSTO DEVIA SE CHAMAR, O POSTO DO AMOR). Enviado por joao claudio capasso - jccapasso@hotmail.com
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