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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Uma vida em São Paulo Autor(a): Joaquim Ignácio de Souza Netto - Conheça esse autor
História publicada em 29/07/2009

Chegamos em São Paulo em 1944, vindos de Bauru.

Verdadeiramente nada foi planejado para essa mudança. Meu pai era telegrafista da antiga Rádio Patrulha e, por motivos talvez políticos, pelo fato de ter lutado por São Paulo na Revolução de 1932, vivia sendo transferido de cidade para cidade.

Naquela época estávamos em Bauru e eu adoeci com um problema renal, sendo encaminhado para a Santa Casa da capital, onde fui curado. Mas isso não tem nada a ver com o assunto. O importante é que viemos para a capital em 1944 e, como bons caipiras, fomos morar perto da estação de trens da Sorocabana, no Largo Coração de Jesus, então um lugar estritamente residencial, assim como todo o bairro de Campos Elísios.

Depois para a Vila Carrão, um fim de mundo onde Judas perdeu as unhas, já que as botas e as meias já tinham ido para o beleléu.

Em seguida fomos para a Liberdade e depois para o Bexiga das melhores lembranças de minha infância. Morávamos no cortiço do "seo" Beppino, num quarto, cozinha (1x1m), dois banheiros coletivos e quatro tanques para a lavagem de roupas e taréns de cozinha. Ali moravam dezessete famílias, mas a vida era boa e o ambiente agradável, nada do sentido pejorativo que a palavra "cortiço" tem hoje em dia.

Depois do Bexiga fomos para a Vila Clementino, para a Rua Leandro Dupré, 655, já melhores de vida e de situação financeira principalmente, o que deu a possibilidade de meu pai alugar uma casa verdadeira, com um quarto só para mim, com chuveiro elétrico (imaginem!) e pondo fim aos terríveis banhos de bacia do tempo do Bexiga. Era uma maravilha, a casa tinha quintal com marmeleiros, abacateiros, parreira de uvas, caquizeiros (que "pegavam" na boca!), pude ter amigos da minha idade, joguei futebol, "taco" na Rua Loefgren... A vida era boa...

Em 1954 meu pai foi sorteado com uma casa no bairro da Previdência, entre Pinheiros e Caxingui. Mudamos em abril de 1954 e ainda moro na mesma casa, agora com minha esposa, filhos e netos.

Este texto é uma homenagem a meu pai, Alcides de Souza Leme, um trabalhador brasileiro, e a minha mãe, Maria José de Souza Leme, a D. Zezé, que, graças a Deus, ainda está comigo aos 89 anos. Saudade de tudo, de todos e mais de meu pai.

e-mail do autor: ignacio.netto@bol.com.br

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Publicado em 17/06/2010 nossa que texto Enviado por karoline - karol_100%eu@terra.com
Publicado em 02/08/2009 Bonita História, bonita Homenagem, Nelson Leite. É muito bom, muito gostoso, quando se vê carinho para com o Pai que já partiu. Graças a Deus, quando podemos assim dizer, referências elogiosas aos Pais, eles sendo merecedores disso. Um bom Pai nunca é esquecido, por mais tempo que passe. Beleza! - abraços - Pedro Luiz Enviado por Pedro Luiz Boscato - plboscato@uol.com.br
Publicado em 02/08/2009 Joaquim Ignacio de Souza Neto, queira desculpar, sei lá o que está acontecendo, hoje já é o segundo autor que me refiro de forma errada. Em lugar de colocar o seu nome no texto anterior, coloquei Nelson Leite. Queira desculpar, principalmente, pela bonita Homenagem e palavras com muito carinho que você se referiu ao seu saudoso Pai. Mil vezes perdão. - abraços - Pedro Luiz -. Enviado por Pedro Luiz Boscato - plboscato@uol.com.br
Publicado em 29/07/2009 Parabens! uma estória realmente paulista, da época em que o trabalho honesto garantia uma vida digna e estável, e que fez de nosso Estado o que é hoje: o Estado mais forte economicamente da Federação porque nunca foi dependente do assistencialismo que infelizmente ainda subsiste em nosso Pais, impedindo o progresso das cidades e de seus cidadãos. Enviado por Vera Bertolucci - veravailati@uol.com.br
Publicado em 29/07/2009 Bela homenagem, Ignacio, pelo relato posso ter uma pálida ideia das dificuldades que seus pais enfrentaram. Lutador e valente, sr. Alcides confiou na sua tenacidade e em Deus, alcançando, junto com dna. Zezé, ainda viva, seus objetivos.
Passo quase todos os dias na Leandro Dupret pra pegar minha neta na escola Pioneiro, na mesma rua e, ao passar pelo 655, prestarei uma homenagem a um filho digno, que sabe reconhecer o sacrifício de seus pais. Parabéns, Ignácio.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 29/07/2009 Sr.Souza Netto, conseguiu fazer uma bela homenagem ao seu pai e toda sua família. Bom que D.Zezé ainda esteja em sua companhia para receber a homenagem. Parabéns. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 29/07/2009 Conterraneo Ignácio. Eu tenho orgulho de ter nascido ali na Rua 12 de Outubro, 5-53, Vila Bela Vista, Bauru-Sp. A duas ou três quadras da famosa PRG-8 Bauru Rádio Clube. Anos depois o Canal 2. Mas não me arrependo em nada de estar hoje nesta "Selva de Pedra" que me acolheu com braços abertos. Aliás, como o faz com milhaes de outras pessoas, independentes de raça, cor ou situação financeira. (Arlindo-Ligeirinho-Ribeiro é Jornalista) Enviado por Arlindo-LigeirinhoRibeiro - arlindoligeirinho@itelefonica.com.br
Publicado em 29/07/2009 Bela homenagem, Joaquim Ignacio. Abraços. Enviado por Luiz Simões - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 29/07/2009 Souza Netto, ve como ser feliz não se necessita de muita coisa? Sua narrativa nos mostra.O velho bexiga com seus cortiços onde exalava humanidade, amizades, cordialidade, e principalmente alegria de viver.Suas lembranças dizem que você foi realmente feliz.Com isso e por isso você chegou bem até hoje.
Parabéns.
Enviado por Fábio Belviso - fabio.belviso@ig.com.br
Publicado em 28/07/2009 Joaquim, sua história trouxe-me singelas recordações; Meu pai nasceu em Baurú. Tive um tio que morou na Leandro Dupré e um primo que mora na rua Loefgren. Boa narrativa. Parabéns!.asciudeme Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
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