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Categoria - Paisagens e lugares Estádio Municipal do Pacaembu Autor(a): Mario Lopomo - Conheça esse autor
História publicada em 14/08/2009

Dizem que um dia o prefeito Prestes Maia, passando bairro do Pacaembu, viu aquele vale, um local sempre alagado pelas chuvas e onde a terra preta fazia um poeirão na estiagem. Isso trouxe a sua mente que ali era um local ideal para se construir um estádio de futebol, tão reclamado pela população que até então tinha o Parque Antártica como o único estádio de futebol para a prática do esporte bretão.

Engenheiro que era, Prestes Maia vislumbrou dois morros, um à frente do outro. E no meio um terreno plano. A medida certa para se fazer um estádio. Nos morros era só fazer os degraus, e as arquibancadas estavam prontas. Bastava apenas fechar a frente arredondada, em concreto armado, e pronto. E assim foi feito.

Um enorme portão que posteriormente os locutores esportivos batizaram de portões monumentais. Mas o estádio não seria somente para as atividades de futebol. O atletismo também estaria presente e seus atletas também desfilariam.

E, em volta do campo de jogo, foi construída a pista de atletismo. Oito linhas a toda volta dos 400 metros em forma circular, com um fosso d´água na curva de onde se localizavam a gerais (chamada de populares), era o obstáculo às corridas de tal modalidade.

Dias depois da corrida de rua de São Silvestre, o estádio do Pacaembu recebia os atletas para as varias provas de pista, e o estádio de Pacaembu ficava lotado, para ver os grandes atletas que participaram da São Silvestre, como aconteceu em 1953 com a "locomotiva humana", o Tcheco Emil Zatopek.

Em 1958, com o argentino Osvaldo Suares, e o belga Gaston Roelants nos anos 1960.

Fora as atividades esportivas o estádio também receberia espetáculos musicais ou teatrais. Para tanto foi construída uma enorme concha acústica para evitar que o barulho viesse a perturbar a vizinhança.

O estádio já era uma coisa de felicidade para o povo que acompanhava sua construção, mas os oposicionistas achavam que o prefeito estava gastando dinheiro a rodo. E as críticas eram assim. Para que um estádio tão grande para a população que temos?

A resposta de quem sabia das coisas vinha com muita naturalidade. Ele pode ser grande hoje, mas num futuro não muito distante ele será muito pequeno.

Em dezembro de 1964, portanto 24 anos depois de sua inauguração, o comentarista esportivo Mauro Pinheiro, da Rádio Bandeirantes, dizia, num Santos 7 x Corinthians 4, que o estádio do Pacaembu era uma caixa de fósforos.

O nome Pacaembu veio pelo fato de o estádio estar no bairro que tinha esse nome. Porém, em 1958, em homenagem ao chefe da Seleção Brasileira de Futebol, que foi campeão mundial na Suécia, o nome do estádio passou a se chamar Paulo Machado de Carvalho. Mas o nome fica somente na fachada, pois o povo prefere chamar de Pacaembu.

Esse estádio passou por várias reformas, em 1957 o Pacaembu era um verdadeiro charco, o estádio ficou fechado por algum tempo. Já em 1959 foi a iluminação que teve que ser reformada, o que forçou o super campeonato entre Palmeiras e Santos, que haviam terminado o campeonato empatados, para uma disputa em três partidas.

Por falta de iluminação foram realizadas nas tardes de terça-feira, 1x1, na tarde de quinta-feira 2x2 e no domingo 2x1 para o Palmeiras.

Nos anos 1980, novamente o Pacaembu foi usado para um show de música com o cantor e autor de o Fuscão Preto fazer miséria com o Fusca dessa cor, em pleno gramado num dia chuvoso, e o estádio foi fechado mais uma vez. Em outra oportunidade uma prova de motocross, com seus promotores prometendo refazer o gramado.

Mais uma vez se falou em nova reabertura, e foi num sábado de 1984, num jogo entre Palmeiras x São Paulo, um jogo em que todos que fossem com uma camisa amarela não pagaria ingresso, uma gentileza das pilhas Evereard, as amarelinhas. Nesse jogo de reabertura o Palmeiras ganhou de 1 x 0, gol de Carlos Alberto Borges.

A reforma que mais marcou negativamente foi em 1969, quando outro engenheiro, digamos o oposto de Preste Maia, se mostrou relapso ao demolir a concha acústica para dar lugar a uma arquibancada e aumentar o público. Foi um crime cometido ao estádio, operando um órgão de suma importância ao corpo do Pacaembu.

A própria vizinhança veio dizer que com a concha acústica não se ouvia tanto barulho vindo dos potentes auto falantes, quando Jota Domingues, o locutor dos anos 1950, anunciava: O posto de serviços Esso, de Francisco Zambrana, informa: escalações das equipes. A cada nome anunciado, um uníssono assobio era feito pela torcida.

O Pacaembu era bonito e gostoso de se ver. Chegou a receber 72 mil pessoas num jogo. Foi na estreia de Leônidas da Silva em 1942.

O público vinha chegando e entrando. E o alto falante pediu para que os espectadores ficassem de pé para poder acolher todos os que estavam entrando. Por esse motivo que recebeu tanta gente.

Eu vi num jogo entre Palmeiras e Corinthians, numa quarta-feira da Semana Santa de 1960, 65 mil expectadores no estádio. Olhando aquilo fiquei imaginando como não seria com aqueles setenta e dois mil de 1942.

Foi o Pacaembu o palco de grandes espetáculos, sempre num ciclo de determinados clubes. Foi os anos 1940 predominantes do São Paulo F. C., uma verdadeira máquina de jogar futebol, tendo o Palmeiras quebrando suas séries de campeonatos, como aconteceu nos anos de 1945-46, e 1948-49, tendo o Palmeiras quebrado duas vezes o tri sãopaulino, em 1947 e 1950.

Já nos anos 1950 até sua metade, foi o Corinthians o dono de fortes emoções no Pacaembu, sendo o ano de 1954 o maior ano do Corinthians, quando levantou o campeonato do IV centenário da cidade de São Paulo, num luta titânica com seu arquirrival Palmeiras até a penúltima rodada, quando empatou com o alvi verde, aquele dia com a camisa azul, com medo da macumba que podia estar em cima da camisa verde.

Daí em diante os anos 1950 tiveram um estranho a se meter no meio do trio de ferro, foi o Santos, que a partir de 1955 foi campeão, repetindo em 1956, voltando a ser campeão em 1958. E seus títulos interrompidos pelo São Paulo, 1957, e Palmeiras, 1959.

Nos anos 1960, foi quase de ponta a ponta do Santos que foi. Bi campeão, e tri campeão por duas vezes. 1960-61-62, 1964-65, 1967-68-69. Interrompido pelo Palmeiras, em 1963, 1966.

A partir dos anos 1970, com o estádio do Morumbi totalmente construído, o Pacaembu passou a ser uma opção e usado mais pelo Corinthians, já que os demais clubes têm o seu estádio.

No início deste ano de 2008, teve mais uma reforma, talvez a melhor reforma de todos os tempos. Porque não foi somente o gramado a ser reformado, e sim todo o estádio, até mesmo as infiltrações de sua cobertura foram corrigidas. E a iluminação de primeiro mundo. O gramado como nunca se tinha visto. Uma grama diferente daquela grama chamada de Batatais. Uma grama miúda que deu gosto de ver, agora sim a bola passou a rolar de verdade.

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Nota de esclarecimento:

Estou recebendo e-mails de pessoas curiosas para saber por que me chamam de “TOMATE” no site São Paulo Minha Cidade. Essa denominação vem do meu sobrenome, LOPOMO, e geralmente por pessoas descendentes de italianos. LOPOMO, "POMO", sugere POMAR, plantação, que pode ser uma plantação de TOMATES, vide a embalagem da massa de tomate POMODORO, que tem tomates na foto da caixa. Isso me foi dito por um homem estando a meu lado no guichê de um banco na década de 70, quando ouviu o caixa citar meu sobrenome. Para mim soa como um chamado carinhoso e amistoso por parte dos amigos.

e-mail do autor: mlopomo@uol.com.br

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Publicado em 03/09/2009 Mário, parabénz pela excelente narrativa.Lembro qdo vc, o Rubinho e o Alce e o Paim iam assistir os jogos do Palestra e do Timão e como o Alce era pequeno, vc o levava e ele chorava no seu colo? Um abraço my friend. Ricardo Enviado por Ricardo Oliveira Vasquez - Ricoliva@uol.com.br
Publicado em 01/09/2009 Mário : Quando o estádio do Pacaembu ficou pronto, eu já morava na rua Itapicuru, em Perdizes. Nos dias de jogo eu e meus amigos íamos ficar nos portões de entrada porque no início do segundo tempo eles eram abertos e nos podíamos entrar para assistir o rsto do jogo. Ao final, nos percorríamos as arquibancadas para juntar tampinhas de cerveja que serviam para jogarmos na calçadas, "embocando-as" no registro de gás, cuja tampa se abria com facilidade. Bons
tempos de infância ! Abs EMP
Enviado por expedito marques pereira - marquespereira75@gmail.com
Publicado em 30/08/2009 RETIFICAÇÃO NO TEXTO ANTERIOR: errei, peço desculpas, na explicação sobre o filme "23 ANOS EM 7 SEGUNDOS", alusivo ao tempo que o Corinthians ficou na fila e conquistou o título paulista de 1977 e não 1957 como escrevi, 1957 o Campeão foi o São Paulo, venceu o Corinthians na final, 3x1, jogaço de bola, jogo das garrafadas. - abraços - Pedro Luiz Enviado por Pedro Luiz Boscato - plboscato@uol.com.br
Publicado em 28/08/2009 sr. mario gostei muito de sua narrativa pois ela bate com as de minha mae que ao chegar em sao paulo vinda de serra negra na decada de 30 para morar em uma chacara na rua cardoso de almeida acompanhou a construçao do pacaembu,inclusive usou muitos restos de madeira da obra para cozinhar no fogao a lenha de minha saudosa avo.

obrigado pelas recordaçoes
Enviado por benedito - benedito.gloria@hotmail.com
Publicado em 18/08/2009 Mário : No dia em que o Leão devorou o DANIEL, lembro a voce que o Pacaembu fora expropriado pela prefeitura n=em fins do século XIX. A única família que lá morava recebeu em pagamento do sítio do Pacaembu 5 mil contos de réis. Lá ia ser construido o novo matadouro municipal que saíria da rua Formosa, no vale do Anhangabaú para a periferia da cidade ...Detalhes no artigo que escreví há tempos passados. EMP Enviado por expedito marques pereira - marquespereira75@gmail.com
Publicado em 18/08/2009 Lopomo, curto e grosso:O Pacaembu é o melhor, o mais bonito, o melhor localizado, e nenhum outro estádio chega aos seus pés.É comparado ao primeiro beijo recebido da namorada: inesquecível.
Que o diga o primeiro vencedor do Pacaembu (com amor, diga-se)o eterno PALESTRA.
Parabéns
Enviado por Fabio Belviso - fabio.belviso@ig.com.br
Publicado em 17/08/2009 Foi no estádio do Pacaembu que meu saudoso pai me levou pela primeira vez para assistir a um jogo de futebol. 1973, Santos x Portuguesa. Pelé fez 2 gols e Edu humilhou o lateral Cardoso. Inesquecível. Enviado por Almir - almir1960@hotmail.com
Publicado em 17/08/2009 Caro Mário: Você se esqueceu de dizer que o estádio foi inaugurado 27/4/1940 com o jogo entre o mio Palestra e o Coritiba, 6 a 2 prá nóis. Até o Getúlio Vargas veio ver.Parabéns
Heitor
Enviado por HEITOR IÓRIO - hiorio@imjm.com.br
Publicado em 17/08/2009 Lopomo, parabens;que belo relato histório voce nos fez sobre o nosso querido Pacaembu. Assisti muitos jogos ali. Mas, um dos acontecimentos esportivos que guardo na memória foi o Sul Americano de Atletismo, lá pelos anos 60. O Estádio ficava lotado, prestigiando aquele grande acontecimento esportivo. Uma das modalidades mais emocionantes era o salto com vara. Quan do o atleta começava a se concentrar para partir para o salto, a assistência ia se silenciando, silenciando, quando o silêncií. Enviado por milve antonio peria - milveperia@hotmail.com
Publicado em 17/08/2009 Esse jogo que você viu numa Quarta Feira de Semana Santa, Mário, em 1960, Corinthians 1x0 gol de Lanzoninho, pelo Rio São Paulo/Roberto Gomes Pedrosa, segundo a Rádio Bandeirantes há vários anos, foi recorde de público pagante na História do Pacaembu, na estréia de Leônidas pelo São Paulo foi recorde de público pagante em Campeonatos Paulista. Então, se é que teve esse público mesmo na estréia do famoso Diamante, 72.000 pessoas, muita gente entrou sem pagar. Depois desse 1x0 na Quarta Feira de Semana Santa em 1960, o Corinthians só veio vencer o Palmeiras em Rio São Paulo/Roberto Gomes Pedrosa, Robertão, Campeonato Brasileiro, sequência de certames, no Brasileiro de 1972, também por 1x0 também no Pacaembu num meio de semana à noite, não lembro se quarta ou quinta feira, gol do ponteiro canhoto Marco Antonio, ex-São Bento. – abraços – Pedro Luiz -. Enviado por Pedro Luiz Boscato - plboscato@uol.com.br