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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas " O Brás nunca vai acabar " Autor(a): Fortunato Montone - Conheça esse autor
História publicada em 16/11/2009

Sempre que alguém diz ou escreve a frase "o Brás acabou", sinto uma necessidade de relatar, de contestar, de contar fatos, de tentar convencer, de explicar o que não tem explicação. Daí paro, penso, será que vão me entender? Afirmo com todas as letras, não! Não concordo, pelas razões que relatarei abaixo:

O Brás, assim como o universo, é eterno. Como poderia acabar um bairro utópico como o meu velho e querido Brás? Como apagaríamos as lembranças deste bairro que adoramos tanto e que para alguns é inexplicável a sua presença em tantos textos, versos e prosas. Pelo menos aqui neste site temos uma amostra.

No meu caso, é simples. Foi lá que cresceram meus avós, foi lá que cresceram meus pais, foi lá que cresci. Parece nada, mas é diferente você chegar a algum lugar, e ser reconhecido pelo lugar em que nasceu ou viveu. Além disso, ele é eterno. Pois tenho certeza que ficou nas lembranças de quem passou por lá, de quem viveu lá, de quem nasceu lá.

No meu caso em particular, além de estar nas minhas lembranças, ficou gravado na minha retina. Quando criança, tive a satisfação de viver em um lugar, que tinha o ar de cidade do interior, poderia ser um simples lugarejo no meio de uma São Paulo pujante.

Pare para pensar, um lugarejo, com limítrofes marcados por uma ferrovia, uma estação de trem, um rio caudaloso, um parque, por que não dizer um bosque verdíssimo, um mercado que até hoje é referência, um grande parque de diversões, uns oito cinemas, as melhores cantinas, os melhores restaurantes, um completo comércio, festas até hoje cultuadas.

Povoado por pessoas simples, alegres, cheias de esperança, e com seus "velhos" cheios de histórias e conhecimentos para nos emprestar, e ainda tendo quase todos os parentes morando lá!... Seria o paraíso?

Na minha mocidade, tempo esse muito marcante em nossa trajetória, que ficou marcado como o melhor período. Os anos 60 e 70, considerado os anos de ouro. Época romântica vivida e cantada, cheia de influências, despertadas por fatos que transformariam o mundo moderno.

Praticamente tudo aconteceu naqueles dias! Se me perguntarem onde você estava quando isto ou aquilo de importante aconteceu? Eu responderei, no Brás.

Do bonde, ao metrô, do Romão Puigari, ao Pueri Domus, do Cine Piratininga ao Dvd. Do Ouro Preto, ao Mc Donalds, do Balila, ao Por kilo. Do batateiro, da carroça que vendia “miúdos”, do homem que vendia peixe, do velho da sfogliatella, da bicicleta com carrinho que trazia o pão, do saco de pão velho pendurado atrás da porta, ao hipermercado, das lojas da Rangel, aos shoppings. O Brás não acabou, ainda está nas nossas mentes.

Bairro com uma peculiar pujança, artística, cultural, comercial, e principalmente industrial.

Hoje com 58 anos, percebo que com raríssimas exceções, lembro de todos os meus amigos, que considero como verdadeiros, apesar de não conviver com todos, mas assim os considero, por que cresceram comigo e vivenciaram tudo isso. E guardam em suas memórias, como na minha ainda guardo, todas estas lembranças. Somos amigos por amizade.

Presto aqui uma homenagem aos meus amigos que se foram, mas nem por isso deixaram de povoar minhas lembranças sempre emolduradas pelas imagens do meu "eterno" velho e querido Brás.


E-mail do autor: fortunapule@hotmail.com

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Publicado em 05/03/2013 Eu adorava passear no Brás nos bons tempos de mocinha,frequentava o Cine Piratininga e era mesmo assim como voce contou Fortunato.Gostei da sua história. Enviado por Nercy Grabellos - nercygrabellos@superig.com.br
Publicado em 18/01/2013 Fortunato, li seu texto amoroso. Brás tem que ser lembrado assim. Somos contemporâneos e testemunhei toda sua saudade.
Para minha alegria, recebi do amigode infância
Cláudio Chofi, um livro institulado "Nas ruas do Brás", escrito pelo ilustre Dr. Dráuzio Varella que também nasceu naquele Bairro, na Rua Henrique Dias. Como nós trata o Brás com nostalgia da felicidade de ter vivido alí. Um abraço.
Enviado por João José Candido de Araújo - jjota.araujo@hotmail.com
Publicado em 19/12/2012 Fortunato estive ai no bairro neste sábado 15 de dezembro de 2012, e é difícil explicar por palavras o que a gente sente; Meu conhecimento é bem pequeno. Nosso carro ficou estacionado bem próximo ao Mercadão, depois passei por lá. Mas no percurso que fazia por ali, avenida Mercúrio, Cantareira, avenida do Estado, avistava as torres de uma Igreja, que depois constatei ser a Igreja de São Vito mártir. Aquela imagem não me sai da cabeça. O Brás realmente é encantador. Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 03/10/2012 Fortunato, devido aos milhares de comentários aqui postado, tenha certeza absoluta que o nosso Bráz, é eterno. Parabéns.Abraço.
MC
Enviado por mary clair peron - clairperon@hotmail.com
Publicado em 21/08/2012 Trabalhei na Av. Celso Garcia, em frente da Garagem dos Bondes, entre a Costa Valente e Rubino de Oliveira; durante 12 anos (de 1955 a 1967), na firma IRMÃOS GOGLIANO, a nossa loja vendia eletrodomésticos e móveis, porém no dia 15 de novembro de todos os anos, era transformada completamente, passando a vender exclusivamente brinquedos, era seguramente a maior loja de brinquedos de S.Paulo(aproximadamente 1000m2) No dia 26 de dezembro (logo depois do natal), voltava as atividades normais. Enviado por Mamede Pinheiro Netto - pinheironet@gmail.com
Publicado em 28/05/2012 Moro no Brás desde 1969, quando minha querida e saudosa mãe se separou do meu pai.Morei na Rua Mello Barreto, depois na Prof. Batista de Andrade, e hoje moro na Rua prudente de Moraes.
Estudei 8 anos no omão Puiggari e frequentei muito o cine Piratininga.
Saudades dos meus colegas de infância, o Toninho(Motta), o Mauro(Tinta Dura), O Oswaldo(Rocha), o Paulinho(Capacete), o Robertinho(Fontenelle), o Miro...
Que saudades!!!!
Enviado por Carlos Eduardo Fratacio - edufrata@hotmail.com
Publicado em 24/05/2012 No prédio da Alpargatas, hoje funciona a Universidade Anhembi Morumbi, vendida em 2005 para um grupo Americano. Porém, 49% ainda é do Dr. Gabriel, proprietário de todos os prédios da Universidade. Ao lado da Universidade, na Rua Dr. Almeida Lima, a GMR manté o Teatro Anhembi Morumbi, que mudará de nome brevemente, provavelmente será o Teatro os Trilhos, mantendo o Brás vivo. Enviado por Manoel Valladão - mvalladao@gmrpar.com.br
Publicado em 26/01/2012 Saluti Fortunato
Lembrar,
Deixe-me lembrar,
Meus tempos de rapaz,
No Brás...
...Imagem de um passado,
Que não volta mais.
O BRAZ É ETERNO SIM! E VIVE! Vive em nossa alma...Vive em nossas lembranças...Vive em nossas retinas. Nasci, morei, vivi neste Bairro e quem bebeu dessa água, jamais esquece. Almoços de domindo com a Mamma fazendo o fusili com os ferrinho, braciola, chianti...Pirani,Jorgete, Bauducco, Santa Cruz, Fartura...Cine Roxi, Universo, Brás Polythema, Piratininga...Cantina do Chico, 1060, Ballila, Porcaro, Castelões...Ali sim, as pessoas eram feliz e não sabiam... un bacio grande per me ricordare
Enviado por Pedro Nastri - p.nastri@yahoo.com.br
Publicado em 12/01/2012 E viva o Bras ! Enviado por newton - newton_sismotto@hotmail.com
Publicado em 20/12/2011 Fortunato, grandes lembranças hem.
Mudei para o Bras em 1962, com 15 anos e fiquei até 1978, quando mudei para a Mooca.
Morei na Av. Celso Garcia, em frente a Igreja São João, um predio de tijolinho a vista.
Só lembranças boas do pedaço, eu e os amigos não viamos a hora que o comercio ficava até as 22 horas, só pra passearmos na avenida e ir sapear na loja Pirani. Cine Roxi, Universo, padaria Garoto,
tinhamos até um time de futebol chamado gremio 29 de janeiro, as nossas reuniões eram na cantina Polar, esquina da Celso Garcia com a rua Julio cesar. Bons tempos, a gente podia até paquerar na av. , não tinha perigo nenhum. E o clube Independencia, ainda existe? Faz 22 anos que me mudei para o interior, não sei mais nada do Bras, mas vc tem razão, ele nunca vai acabar.
Um grande abraço a vc e a todos que curtiram esse maravilhoso bairro.
Enviado por wagner martins - wgm.martins@yahoo.com.br