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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Lembranças do bairro Tatuapé Autor(a): Ludovina Maximo - Conheça esse autor
História publicada em 22/11/2009
Nasci em São Paulo no bairro Tatuapé. Morei por muitos anos naquela região, próximo ao parque São Jorge, na Quinta Parada, Estação Sebastião Gualberto da Central do Brasil e na Rua Triunfo. Hoje moro na Rua Pedro Berengarde, paralela a Rua Antonio de Barros.

A casa de meus avós foi a terceira a ser construída nessa rua.
Era uma comunidade na sua maioria portuguesa, mas também constituída por muitos italianos e espanhóis. As ruas eram rudimentares, precárias.

As crianças brincavam na rua de pega-pega, pulando corda, brincadeiras de roda e muitas outras usadas naquele tempo. Todos se conheciam e se respeitavam. Vivíamos como uma grande família com acertos e desacertos, mas que no final tudo era resolvido da melhor maneira possível.

Tínhamos uma escolinha particular, muito simples que ficava nos fundos de uma farmácia na Rua Antonio de Barros, que pertencia ao seu Chico como era conhecido no bairro. Farmacêutico muito conceituado que dava toda assistência aos moradores sempre que estes precisassem de cuidados com a saúde, não tinha médico no bairro.

Seu Chico com seus conhecimentos e remédios era chamado a qualquer hora, e atendia a clientes sem olhar para seu poder aquisitivo. Era muito respeitado pela vizinhança por ser uma pessoa atenciosa, prestativa e eficiente.

Suas filhas eram as professoras da escola. Que nos passava os ensinamentos que precisávamos para nos tornarmos dignos de ser um cidadão brasileiro. Estávamos em uma época em que alunos e professores se respeitavam mutuamente. Sou muito grata a Dna. Anita e Dna. Carmem que muito me ajudaram na minha formação para a vida.

A minha rua começava na Avenida Melo Freire hoje Avenida Radial Leste. Que também era de terra batida, cercada de um lado pelos trilhos da estrada de ferro e do outro por varias chácaras que iam até a Rua Tuiúti. Esse era o trecho que eu freqüentava quando me transferi da escolinha para o Grupo Escolar Visconde de Congonhas do Campo que estava sendo inaugurado.

Nós alunos íamos por essa rua sempre em turmas brincando, pulando de trilho em trilho da linha do trem ou pulando corda no meio da hoje Avenida Radial Leste, pois o movimento era quase nulo, mas o perigo existia, porém não tínhamos noção dele.

Crianças perderam a vida por não notarem a aproximação do trem.
Mesmo cientes desses acontecimentos continuavam indo pelos trilhos, pois o caminho era longo e assim achavam menos cansativo. Fazíamos tudo sem acompanhamento de adultos, a única segurança que tínhamos eram os conselhos dos pais, parentes, pessoas mais velhas e principalmente a mão de Deus.

Quando me lembro disso, custo a acreditar no tamanho da diferença dos dias de hoje, onde crianças jamais podem ir e vir das escolas sozinhas e nem ter uma liberdade necessária para poder dosar os seus limites.
Hoje aos 76 anos moro em Jacareí. Longe da Capital a liberdade das pessoas também é restrita, das crianças muito mais, o perigo da violência esta em toda à parte. Sempre que posso vou a minha querida São Paulo que mora em meu coração.


E-mail do autor: lumaxbr@yahoo.com.br E-mail: lumaxbr@yahoo.com.br
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Publicado em 10/01/2010 OLÁ
NA MINHA INFANCIA FUI MORADOR DO TATUAPE
RUA EMELIO MALET MEU PAI TINHA UM BAR NESSA RUA
FUI COROINHA DA IGREJA NS DO BOM PARTO
PARTICIPEI DA SERIMONIA DA PEDRA FUNDAMENTAL DA IGREJA ATUAL,A ANTIGA FICAVA NO MEIO DA PRAÇA
ESTUDEI NO COLEGIO NS APARECIDA SE NAO FALHA MINHA MEMORIA
BONS TEMPOS
HA O FILME DA EPOCA K FEZ MUITO SUCESSO
MARCELINO PAO E VINHO
ABRAÇOS
Enviado por MOTTA - JSMOTTA@IBEST.COM.BR
Publicado em 25/11/2009 Sra.Máximo, as crianças de hoje não PODEM ser mais como as ontem. Tem um texto muito popular na internet que diz, que nós andávamos de carrinhos de rolimã, íamos brincar longe de casa, almoçamos noutras casas e não tínhamos celulares, e então pergunta, "Como é que nossos pais faziam?" Grande abraço. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 25/11/2009 Sra. Ludovina. parabéns! A sra. escreve muito bem!
Tenho 52 anos e atualmente moro no Tatuapé, adoro este bairro...Mesmo nos dias de hoje, com tanta violência, transito, e outras dificuldades, é bom morar aqui.

um abraço.
Enviado por margarete - margarete@nomminal.com.br
Publicado em 23/11/2009 Pois é, Ludovina, os tempos são outros, nas suas lembranças estão registrados os melhores, porém, são mesmo? se fosse possível, ter uma visão dos atuais tempos com olhos de criança, talvez mudasse-mos de opinião. Em todo caso, sua evocação foi perfeita, parabéns.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 23/11/2009 Bons tempos, não é Ludovina? Liberdade para ir e vir,brincadeiras criativas etc... Hoje as crianças são meio mecanizadas, confinadas dentro de shoppings e nos plays dos prédios. Conhecem tudo através da internet,mas nós, conhecíamos tudo ao vivo, alí mesmo na rua onde morávamos.
Como já disse "bons tempos, bons tempos"
Um abraço / Bernadete
Enviado por Bernadete P Souza - bernadete.pedroso@gmail.com
Publicado em 23/11/2009 Sra.Ludovina, eu também sou do Tatuapé, me alfabetizei no Visconde de Congonhas do Campo, época em que aprendiamos a ler e escrever já nos primeiros meses de estudo, não tinha a famigerada progressão, lembro dos terríveis desastres de trem da Central do Brasil, nas ruas Vilela e Antonio de Barros, abraço, Beira Enviado por José Camargo Beira - josebeira@hotmail.com
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