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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Por que a Freguesia é Freguesia do Ó Autor(a): Arthur Miranda - Conheça esse autor
História publicada em 27/11/2009

Antônio Preto que veio de São Vicente para São Paulo para assumir as funções de Juiz Ordinário da Câmara, em 1575 era pai de Manuel Preto que em 1580 partindo da Aldeia de São Paulo pelo Rio Tietê, aportou à margem direita em um areal e se apaixonou pela colina vizinha.
Este foi o lugar escolhido pelo sertanista para construir sua casa, seu moinho sua olaria, seu engenho sua fazenda e sua vida.

Segundo o historiador Silva Leme, no ano de 1580, Manoel Preto teria trabalhando em suas terras, mais de mil escravos aprisionados no sertão. A tradição consagrou o ano de 1580 como o ano de fundação do bairro. Em 18 de setembro de 1615, a capela construída por Manoel Preto foi provisionada. A provisão é ato do prelado Administrador Mateus da Costa Morim.

Em 15 de Agosto de 1618, Manoel Preto e Águeda Rodrigues fazem a escritura de doação a Nossa Senhora da Esperança... No lugar onde tem a fazenda que se chama da banda além do rio chamado Anhamby em suas terras chamado Sítio do Jaraguá, possuindo os seguintes bens: benfeitorias, duas dúzias de vacas, um touro, um moinho, uma dúzia de escravos, uma gleba de terras "pelo mato adentro meia légua de comprimento”.

É possível afirmar sem erros, que o bairro de Freguesia do Ó nasceu com a devoção e o culto a Nossa Senhora da Esperança. Desde o século XVII, há referências ao nome de Nossa Senhora do Ó como sendo padroeira da capela construída por Manuel Preto. Monsenhor Paulo Florêncio de Camargo justifica a mudança de nome de Nossa Senhora da Esperança, em virtude das celebrações pré-natalinas que se faziam. Na novena dedicada a Nossa Senhora da Esperança recitavam-se as antífonas do Breviário Romano que eram assim:

Ó, Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo...
Ó, Adonai, senhor e condutor da casa de Israel...
Ó Raiz de Jessé, que sois como estandarte dos povos...
Ó Chave de Davi, centro da casa de Israel,...
Ó Sol Nascente, esplendor da luz eterna e sol da justiça:...
Ó Rei das gentes, e objeto de seus desejos, Pedra Angular,...
Ó Emanuel, Rei e Legislador nosso esperado.

Das nações e seu Salvador vinde,
Salvai-nos senhor nosso Deus,
Que os céus chovam das alturas
E as nuvens nos tragam o Salvador.

O nome de Nossa Senhora do Ó teria surgido do "Ó" sete vezes repetido nas evocações das antífonas.

E assim a Freguesia passou a ser do Ó nome herdado de sua padroeira. Nossa Senhora do Ó que de início era conhecida como Nossa Senhora da Esperança, que nada mais é que uma homenagem a mais que se faz a Maria mãe de Jesus. Foi uma benção muito grande em minha vida ter nascido crescido e fazer parte da história desse famoso bairro de São Paulo que no dia 29 de agosto de 2009 completou seus 429 anos de existência. Sendo hoje o Bairro mais antigo.

É para mim o bairro mais querido dessa nossa imensa cidade. Se você não conhece não perca a oportunidade, de ir até o Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, conhecer a Freguesia do Ó de Nossa Senhora, com seus bares e prédios antigos o seu jeito de cidade histórica, e sem sair de São Paulo. Lá você vai se sentir em Ouro Preto, Mariana cidades de Minas. Em São Luiz no Maranhão ou até mesmo em Salvador na Bahia.

E lá do alto da Freguesia, você vai ver no horizonte bem a sua frente, grande parte da metrópole mais importante de todo nosso Continente, São Paulo Minha Cidade.


E-mail do autor: 27.miranda@gmail.com

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Publicado em 17/04/2013 Mais conhecimento nos enriquece de sabedoria!!!! Enviado por reginaldo - rc-soledade@bol.com.br
Publicado em 25/09/2010 Ola arthur, muito boa a sua crônica mas desde menino tenho uma pergunta que não quer calar,pois sou nascido no bairro de santana, O QUE QUE O Ó VENDIA seria os produtos da fazenda e do engenho? ka ka ka Enviado por mauricio pereira marques - mauricio.p.marques@hotmail.com
Publicado em 29/11/2009 Arthur são textos como estes que contribuem com a qualidade de nosso site. Parabéns e agora fico menos preocupado com a origem deste nome, pois ao interpretá-lo ao pé da letra seria o local onde os moradores eram os compradores contumazes de "Ó".
Abraços

Falcon
Enviado por Marcos Falcon - marcosfalcon@uol.com.br
Publicado em 29/11/2009 Muito bom, Miranda. Beleza esse seu fanatismo pelo seu bairro. Isso ajuda muito à preservação. É um significado de grande amor. Enviado por Ivette Gomes Moreirai - ivetteg.moreira@gmail.com
Publicado em 29/11/2009 Olá, Arthur!
Muito legal conhecer mais um pouco de São Paulo, através de sua crônica.
Ó, Nossa Senhora, rogai por todos nós.
Valeu, Arthur.
Até breve.
Muita paz!
Enviado por Sonia Astrauskas - soniaastrauskas@uol.com.br
Publicado em 29/11/2009 Ótima aula de história, Miranda. Ao relacionar tópicos temporais com a propriedade que lhe é peculiar, satisfaz o mais exigente dos leitores. Minúcias curiosas, datas e locais preciosos, tão proximo do centro de São Paulo, testemunham o nascimento dessa espantosa metrópole. Parabéns, Arthur.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 28/11/2009 ARTHUR MIRANDA, PARABENS, PELA AULA DE HISTORIA
DA FREGUSIA DO O.
Enviado por joao claudio capasso - jccapasso@hotmail.com
Publicado em 28/11/2009 Caro Arthur, que fantástico texto e para mim importante porque meus pais se casaram em 1951 na Igreja da Freguesia do O, no largo da matriz. Eu estudei no Jácomo Stávale, escola importante do bairro na minha época, trabalhei por 17 anos na agência do Banco do Brasil da Freguesia do Ó e vivi dos 4 qos 46 anos no bairro de Itaberaba. Sem contar dos barzinhos. Hum. Pizzaria Bruno, Chicarino, Frangó. Nossa. Parabéns e abraço. Vera Enviado por Vera Lúcia de Angelis - deangelisgomes@terra.com.br
Publicado em 27/11/2009 Miranda. Moro aqui na Bahia (interior) e conheço bem a capital, Salvador. Antes de vir para cá, morei por algum tempo na Vila Iório, na rua Galeão Coutinho, e viví um pouco da famosa e bem cantada Freguesia do Ó, de muitas saudades. Abraços, Nelson. Enviado por nelson de assis - nel.som55@yahoo.com.br
Publicado em 27/11/2009 Oh, senhora que não é dos Óss, e nem dos nós, è Nossa senhora do Bairro, que tem a letra Ó. Nome que sempre mexeu comigo. Gosto de ouvir. A zona norte é uma das primeiras zonas habitadas da cidade, Talvez depois da zona centro e leste. Só não sei se segunda ou terceira. Enviado por Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br
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