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Categoria - Paisagens e lugares Instituto Cristóvão Colombo Autor(a): Antonio Carlos C. Guimarães - Conheça esse autor
História publicada em 04/12/2009
Corria o ano de 1954. Corinthians campeão do IV Centenário de São Paulo. Eu começava a entender o futebol. Havia perdido meu pai dois anos antes e era o mais velho, tinha 10 anos, de quatro irmãos. Minha mãe, coitada, analfabeta, sem dinheiro, trabalhando de doméstica, não tinha com quem deixar os filhos pequenos. Não restou alternativa senão colocar-me em um colégio interno e minhas irmãs em outro, ficando apenas com meu irmão, o felizardo, menorzinho.

Acabei sendo internado no então Orfanato, depois Instituto Cristóvão Colombo, no Ipiranga. Lá, sob a supervisão dos irmãos Carlistas, Ordem de São Carlos. Completei o ensino primário nos anos de 1955 e 56. Tenho boas e gratas recordações desse tempo em que lá vivi. Lembro-me bem das aulas de música com o irmão Francisco, saudoso, as broncas do irmão Leão, as missas com o irmão Danilo e outros, pois logo me tornei coroinha e ajudava nas missas, que eram rezadas em latim.

Lembro-me das idas à igreja de Santo Antonio, na Praça do Patriarca, onde eu e outro colega ajudávamos nas missas e nos outros afazeres, retornando ao ICC no final da tarde, sempre de bonde. Lembro-me do imenso dormitório, que diziam que era mal-assombrado. Dos pátios internos, do campo de futebol, das oficinas, do galinheiro, do Melquíades e do João Tomazelli, meus amigos de lá. Por onde andam vocês?

Um dia tive um enorme corte no pé, com um caco de vidro. O irmão Francisco me levou de cavalinho e depois de carro até o hospital, pois eu sangrava muito e não podia por os pés no chão. Eu me sentia muito solitário, pois minha mãe, por falta de dinheiro, raramente ia me visitar. Era muito triste ver a maioria dos meus colegas receberem visitas e guloseimas, abraçarem suas mães ou seus pais, enquanto eu ficava em um canto qualquer, observando tudo e perguntando a mim mesmo porque minha mãe não aparecia. Cheguei a pensar em fugir dali, mas para onde eu iria?

Enfim, um dia de dezembro ela apareceu para me levar embora. Lá deixei uma parte da minha vida que jamais esquecerei, pois a formação que ali recebi me ajudou em meu crescimento como ser humano e a ser o que sou hoje. Agora, só restam saudades. Quando puder, um dia pretendo lá voltar para fazer uma visita e relembra um pouco mais do meu passado.


E-mail do autor: accguima@yahoo.com.br E-mail: accguima@yahoo.com.br
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Publicado em 25/10/2012 Amigo passei 4anos da minha vida lá, era feliz não sabi guardo muita lembrança boas graça, icc só uma pessoa boa e feliz guardo muito amigos que um dia quero reencontra fique com deus. Enviado por Daniel Lingiardi - Danielmentex.1978@hotmail.com
Publicado em 06/03/2012 um abraço a todos os meus irmaos do instituto cristovao colombo, fui interno de 1975 a 1979 tinha 06 para 07 anos , minha mae me selecionou entre seis irmaos eu era o caçula dos homens..se pudesse voltar no tempo gostaria de estar la hoje.na minha epoca eram os padre pedro , padre romano , irmao leao irmao matheus , irma rosa...ja tinha piscina q piscina grande sou eximinio nadador , quadra de futebol de salao taqueada ,mes estudos la dentro foram muito importantes na minha vida, sou funcionario publico concursado,o q mais me da saudade e nunca mais ter voltado la , o mundo aqui fora ficou meio corrido e o tempo foi passando, essa geraçao de padres e irmaos ja nao se econtram mais entre nos , deus os tem ao seu lado no ceu...irmao leao ainda estava la na minha epoca, era um personagem e tanto,meus valores estao agregados a todos eles.so posso finalizar deixando meu email se algum irmaozinho meu desta epoca quiser bater um papo e so add.deus abençoe a todos.pauloclaudiano@hotmail.com Enviado por PAULO HENRIQUE - pauloclaudiano@hotmail.com
Publicado em 09/09/2011 boa noite, li varias vezez e sinti muitas saudades daquele tempo. estudei la de l944 a l947,diretor padre izidoro bizoto, irmão leão e padre santo,naquele tempo ainda não existia a igreja nova e sómente o predio velho, no meu tempo o irmão leão puxava as orelhas e dava belisção.as professoras davam palmaadas mas foi muito bom.tambem fui varias vezez na igreja de santo anonio de bonte 4, ponto final na avaenida nazare. atravessa aquela campo de terra, voce se lembra da carpintaria, da grafica Enviado por antonio zovadelli - antoniozovadelli@bol.com.br
Publicado em 25/04/2011 Quanta saudade dos tempos, em que rezavamos para entrar em aula pela manhã e após o almoço, fila indiana, aventais pretos com cianinha azul, e lá iamos todos amassando barro pela Rua DR. Mario Vicente até os portões enormes pretos que nos recebia, estavamos na entrada de longa alameda margeada por eucaliptos e a famosa barroca, ao alado direito, e ao esquerdo os eucaliptos plantados que produziam uma briza deliciosa, logo a seguir o campo de futebol, e o pateo com balaças e gira-gira. Enviado por arnaldo bisoni - abisoni@bighost.com.br
Publicado em 25/04/2011 ....continuando, agradeço a Deus pela educação e pelos conceitos morais que nos foram passados pelos Irmão Leão, Padre Antonio, profa. Alzira, de lembranças que hoje são refletidas, em todas as atitudes que a vida nos faz enfrentar, como já dizia o Padre Izidoro, lá aprendi o Italiano Genovês. Emerich Ary Silva onde estão vcs. Enviado por arnaldo bisoni - abisoni@bighost.com.br
Publicado em 12/04/2011 Olá amigo. Estive no Ceistóvão Colombo entren 1958 e 1960. Lembro-me da gruta que era grande pelo meu tamanho. Estive lá em 1978 e vi que a gruta não era grande eu, que era pequeno. Voltei em 2009 e a gruta não está mais lá. Saudades. Enviado por ROBERTO - roberto_alar@hotmail.com
Publicado em 22/04/2010 Tambem morei no icc de 85 ao final de 88, fui criado sem pai e mãe, mas sempre tive Deus ao meu lado, no icc aprendi muitas coisas como organização por exemplo, lá era um lugar onde tinha horário para tudo e todos os dias íamos dormir as 19:00 horas, aos domingos lembro que dormíamos depois dos saudosos trapalhões. Hoje sinto muita saudade de lá onde aprendi a ser correto, sério, honesto e ter responsabilidade na vida e também agradeço à Deus por ter vivido alí, um abraço à todos. Enviado por Marcos Fabio Rocha Peres - marcosfabio@hotmail.com.br
Publicado em 10/12/2009 Antonio Carlos, ninguém merece viver sem a companhia das mães!!! Mas veja que Dezembro feliz!!! Precisa o branco, para existir o negro. Precisa a tristeza, para se conhecer a alegria. Mirça Enviado por Mirça Bludeni de Pinho - by_laser@yahoo.com.br
Publicado em 06/12/2009 S.Paulo é isso, superação,emocionante a sua trajetória e guerreira a sua mãe.Você também é um sobrevivente nesta selva de pedra. Que a luz de Jesus o ilumine em todos os dias de sua vida. Sua história é um exemplo de vida...( história com h porque as estorinhas com e, não refletem vida, luta, superação). Enviado por trini pantiga - trinesp@ig.com.br
Publicado em 06/12/2009 Oi Guimarães, tambem perdi meu pai cedo, mas por sorte eu era o menor ou caçula com 6 anos, minha mãe também era analfabeta, mas como era cozinheira e fez um curso de massagens no Inst.Pe.Chico, conseguiu assim criar sozinha eu e duas irmãs mais velhas. Tenho também muitas saudades da minha infancia, onde para se ir ao cinema ou comprar sorvete e balas a gente tinha que engraxar sapatos ou tomar conta nos fins de semana dos poucos carros que estacionavam na unica pizzaria do bairro, Parabéns, Enviado por Arthur Miranda - 27.miranda@gmail.com
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