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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades Saudades daquele tempo Autor(a): Antonio Carlos C. Guimarães - Conheça esse autor
História publicada em 04/12/2009
Semana passada, passando pela Praça do Patriarca, não pude evitar que a nostalgia tomasse conta de mim. Hoje moro em São José dos Campos, mas, dias atrás, precisei ir até à Rua Líbero Badaró para resolver um problema, depois tive que ir até à Rua da Quitanda, em certa agência bancária. Foi nessa rua que eu tive o meu primeiro emprego com carteira assinada, tinha treze anos e minha mãe precisou de autorização do Juiz de Menores, para que eu fosse registrado.

Era o ano de 1957 e eu fui trabalhar em uma agência de telegramas por cabo, como mensageiro, na All América Cable and Rádio Inc. Andava o dia inteiro por todas as ruas de São Paulo, de bonde, ônibus elétrico e na maioria das vezes a pé. Conforme a distância, a empresa me dava os passes de ida e volta, mas eu ia correndo para economizar os passes para fazer um lanche, ou o que era pior, guardava para poder trabalhar no dia seguinte. Tempos difíceis... quem não os teve?

Usava uma fardinha cor cáqui, sapatos marrons e um quepe da cor do uniforme. Hoje essa empresa não existe mais, pelo menos no Brasil. Dois anos depois, fui trabalhar como auxiliar de escritório nas Casas Fausto, principal concorrente das Casas José Silva e da Garbo. O escritório ficava na Rua Líbero Badaró, mas, em determinado momento fui destacado para trabalhar na loja, que ficava na esquina da Praça do Patriarca com aquela rua.

Ao lado existia uma loja de doces da Kopenhagen, aonde raramente eu ia, não por falta de vontade, mas, porque o meu bolso não me permitia. Na hora do almoço, eu e alguns colegas íamos até o auditório da Rádio Nacional na Rua das Palmeiras. Onde ficávamos assistindo não me lembro o quê, comandado pelo saudoso Manoel de Nóbrega, onde um dos apresentadores, no início da carreira, tinha o apelido de "Peru" e mais tarde viria ser um dos mais famosos apresentadores da televisão brasileira, Sílvio Santos.

Nessa época o Baú ainda pertencia ao Manoel de Nóbrega. A entrada era gratuita e essa era a nossa única diversão. Depois voltávamos do almoço, que na verdade era uma marmita que comíamos fria, pois não havia onde esquentá-la. Retomávamos o nosso serviço de entrega de telegramas.

Enfim, essas lembranças passaram em minha memória como um filme. E eu ali, em pé, na Praça do Patriarca, cruzando comigo mesmo na magia do tempo. O nostálgico e o garoto com sua fardinha cáqui, com as mãos cheias de telegramas e alguns passes no bolso.


E-mail do autor: accguima@yahoo.com.br E-mail: accguima@yahoo.com.br
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Publicado em 04/12/2009 Sr.Guimarães, voltar aos lugares onde vivemos causa um sentimento estranho mas gostoso. Sinto o do dever cumprido e é uma saudade boa. Abraço. Bernardi Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 03/12/2009 Na metade dos anos 1950 eu tambem freqüentava o auditório da radio Nacional, mas não era na Rua das Palmeiras, e sim Rua Sebastião Pereira. Era o programa Manoel de Nóbrega que ele mesmo comandava do meio dia, as 14 horas. Tambem vi lá, o Silvio Santos recém chegado do Rio de Janeiro, e o apelido de Peru, foi dado pelo próprio Manoel de Nóbrega pelo fato de o ele o Nóbrega, mexer com o Silvio da mesma forma que mexia com Helio de Alencar, o outro locutor Comercial. Silvio ficava vermelho de vergonha. Era impressionante como subia o sangue na cabeça dele. Participavam do programa, Carlos Alberto de Nóbrega, Ronald Golias, Valter Ribeiro dos Santos, o Japonês da escolinha de grupo, o ultimo quadro do programa. Enviado por Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 03/12/2009 Na metade dos anos 1950 eu tambem freqüentava o auditório da radio Nacional, mas não era na Rua das Palmeiras, e sim Rua Sebastião Pereira. Era o programa Manoel de Nóbrega que ele mesmo comandava do meio dia, as 14 horas. Tambem vi lá, o Silvio Santos recém chegado do Rio de Janeiro, e o apelido de Peru, foi dado pelo próprio Manoel de Nóbrega pelo fato de o ele o Nóbrega, mexer com o Silvio da mesma forma que mexia com Helio de Alencar, o outro locutor Comercial. Silvio ficava vermelho de vergonha. Era impressionante como subia o sangue na cabeça dele. Participavam do programa, Carlos Alberto de Nóbrega, Ronald Golias, Valter Ribeiro dos Santos, o Japonês da escolinha de grupo, o ultimo quadro do programa. Enviado por Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 03/12/2009 Antonio Carlos, se não me engano, a Casas Fausto, ficava nos "baixos" do Edificio Sampaio Moreira e a Casa de Chocolates Kopenhagem, ficava entre a Casas Fausto e a "famosa" Casa São Nicolau e nessa época (1957) vocês iam vêr na Radio Nacional o "Programa Manoel da Nobrega", que tinha o seriado do "Aguia Negra" (Carlos Alberto de Nobrega e Ronald Golias) e de fato o locutor era o "Perú que fala" (Silvio Santos)e eu também tive minha "fardinha cáqui", somente que era da Light and Power. Abraços Enviado por Flavio Rocha - flaviojrocha@bol.com.br
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