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Categoria - Outras histórias Natal e Fim de Ano no Brás... Autor(a): Fortunato Montone - Conheça esse autor
História publicada em 14/12/2009

Estou escrevendo este texto no início de Dezembro, já sentindo a aproximação das festas de fim de ano, quando dizem: como passou rápido este ano! Começo a sentir aquele nó no "Gorgomilo", de pensar nesta festa de fim de ano. Que nos dias de hoje nos deixam "tristes".

Estas datas eram muito esperadas durante o decorrer do ano, eram famílias que embora unidas, estavam separadas pela distância, e por isso aguardavam para se reunirem no Natal ou no Fim do Ano. Eram pessoas que estavam longe e solitárias que corriam para junto de seus familiares, para comemorarem estes dias festivos.

As famílias que estavam juntas o ano todo também aguardavam com bastante expectativa, para juntas participarem solidariamente destas prazerosas reuniões festivas. Enfim, eram como qualquer ser humano "normal" na sua grande maioria "curtindo" o convívio de seus familiares e amigos queridos.

Avós e pais aguardando seus filhos, genros, noras, netos, parentes, amigos e vizinhos, ruas em festas, a cidade em festa. Uma festa universalmente conhecida por ser uma festa onde se reunia a "Família" ops! Cheguei na parte principal da questão!

Onde está a "Família" só vejo "individualidade", só vejo "egoísmo" só vejo “competitividade", só vejo "futilidade", se olhar bem, só consigo enxergar "falsidade”, (logicamente não de um modo geral). Para início de conversa, atualmente os casais não se casam, em sua maioria "se juntam". Sem nenhum planejamento familiar se quer criam seus filhos.

Os avós e as escolinhas, com suas falsas "tias", quem criam estas crianças. Os filhos não respeitam os pais, os pais não se fazem respeitar e os avós são cúmplices destes desvios de educação. A família fica muito tempo fora de casa e as reuniões familiares ficam cada vez mais difíceis de serem realizadas.

Trocaram os valores, mudaram o "tempo", o imediatismo impera, não só na vida familiar, como também na "extra" familiar. A permissividade, a banalização, a indignação com a miséria e com a degradação do Ser Humano. Parece que pode tudo, que tudo é válido e que o "viver" restringe-se a um universo de 50 ou 100 metros quadrados.

No meu "Velho e querido Brás", com raríssimas exceções, as portas das casas ficavam abertas, o ar era de festa. No ar os aromas dos deliciosos manjares preparados pelas nonas, mamas, madres, avós e mães. Temperados com muito amor, e que eram oferecidos não somente para os da casa, mas também para os vizinhos.

Na manhã do dia seguinte, nós as crianças, nos encontrávamos na rua para brincar com nossos novos presentes, que tanto poderia ser um revolver de "espoleta" como o "top", uma bicicleta "monarck". Que quase nunca ganhava, mas pedia emprestada e acabava matando a vontade. Em um Natal ganhamos, eu e meu irmão, uma bicicleta, era muito peso pro Papai Noel.

Enfim era um verdadeiro desfile de alegria, e não menos importante era também a Festa de Final de Ano, em que tudo se repetia, e culminava com uma "monumental quebra de pratos", que representava o final do "Ano Velho", abrindo-se com esperanças o início do "Ano Novo", e no primeiro almoço do ano era servido um "magnífico" banquete.

Previamente elaborado pelas "especialistas em culinária" que contavam com todo o apoio logístico dos familiares, que tornava a tarefa mais amena, e era feita com absoluto prazer e já no final da tarde, "invariavelmente" iniciava-se uma divertida tômbola (bingo), quase sempre quem "cantava" as pedras era aquele tio ou tia mais alegre.

Dentro deste cenário descrito acima, como podemos ter Natais e Festas de fim de ano como antigamente, com toda a família reunida, e com todos colaborando com algo ou com alguma atitude, não era preciso "justificar" ausências, não brigavam para lavar a louça, não disputavam qual era o presente mais caro, todos (no sentido mágico), acreditavam em "Papai Noel".

Os presentes eram demonstrações de afeto, e não secreto, de preço pré-estipulado, sabia-se com antecedência quem era quem! Cunhado era cunhado, sobrinha era sobrinha, e assim por diante, enfim todos eram conhecidos e conviviam sempre em "harmonia" não era essa bagunça de hoje, em que as pessoas "estão" e não "são", dá para "entender", como podemos nos relacionar com quem "está" e não "é"...

A moralidade está acabando e o sentido da amizade também. Alguns livros, alguns filmes, algumas teorias, algumas letras de músicas, a televisão, alguns atos praticados por quem tem o dever de dar exemplo. "Empurram" goela abaixo uma "permissividade" muito perigosa, e é por isso talvez que estamos tendo uma "amostra" do que está por vir.

Não quero com este desabafo, desestimular as pessoas, ou afirmar que esta instituição que é a "Família", não exista mais, nem tampouco parecer radical, mas que está acabando, cada vez mais, lamentavelmente... Está!


E-mail do autor: fortunapule@htmail.com

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Publicado em 29/12/2009 Fortunato est ! Beato est! Sacra peroração, provinda de uma mente heróica e arcana, que deveria ter nascido no tempo das Santas Cruzadas, e não no malévolos dias de hoje ! Temos de exorcisar, pela prece, uma vez que as espadas foram aposentadas, infelizmente, esse discípulos de Asmodeus, seguidores de de Asteroth ! Quem sabe, senhor Montone, o sr. se junte à nossa paróquia para uma peregrinação ao Santo, Santíssimo Sepulcro, para aplacar os males do mundo que sopram sobre a Família ! Enviado por Padre Giovanni Buscaglione - pbuscalione@ig.com.br
Publicado em 28/12/2009 A família, propriedade e tradição do Brasil faz coro com as palavras do Sr. Mantone.
Tudo isto é obra do comunismo, que ao destruir os valores da Família, destroi também a Sociedade, para que os lacaios de Stalin tomem o poder ! Devemos sair novamente às ruas, em oração, exigir, senão novamente Ouro Para O Bem do Brasil, ao menos o Ouro das consciências e da prece para rstabelecer a união entre Estado e Religião, em má hora abolida pela "República".
Estamos de acordo consigo, Sr. Mantone!
Enviado por Pelópidas Malheiros - pmalho@uol.com.br
Publicado em 23/12/2009 Sr.Montone, cumprimento pela melhor história que tenho visto por aqui há tempos. A tristeza do Natal tem mais estes argumentos, a dissociação familiar. O sistema capitalista é manipulador e nós embarcamos como cegos, valorizando o ter mais que o ser. Meu irmão mais velho acha que em nossa família com a característica de muitos filhos e primos homens, tem estragado esses encontros de família. Acho possível. Mas não vamos ao exagêro de ressuscitar Torquemada. Abaixo a Inquisição. Abraço.Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 18/12/2009 Fortuna, acho sempre importante tentarmos transmitir as novas gerações o sentimento de familia e amizade que na nossa juventude parecia estavar mais presente e de uma maneira mais simples e fraterna. Alem disso nos resta continuar cultivando dentro das nossas proprias familias esse saudavel ritual natalino. Baccione...Salvador Enviado por salvador montone neto - smn.crei@uol.com.br
Publicado em 16/12/2009 Fortunato, o Natal representa a ideia de união em família, a troca de abraços e a felicidade da aproximação. Quanto aos novos modelos... vamos curtor o que é bom, os valores perenes, como o amor, a simplicidade, a lealdade, a partilha, a bondade e a homenagem ao grande aniversariante. Um grande abraço e Feliz Natal. Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 14/12/2009 Na verdade, todas as festas religiosas se tornaram, não uma festa familiar, mas uma festa comercial. O comércio se esba com esta necessidade imposta de presentear a qualquer custo, mesmo que a pessoa se endivide para fazer bonito. Enviado por Ivette Gomes Moreirai - ivetteg.moreira@gmail.com
Publicado em 14/12/2009 Fortunato, creio que você retratou bem a realidade atual. Felizes daqueles que ainda têm a família como a essência da vida.Parabéns pela excelente narrativa. Um abraço. Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 14/12/2009 Sr.Fortunato Montone, de fato tens razão, há vida inteligente na terra, e no SPMC, Sra.Trini Pantiga, coincidentemente do Brás,não se envaideça, e do Braz antigo.Rubens da Mooca. Enviado por Rubens Ramon Romero - rrubensrr@bol.com.br
Publicado em 14/12/2009 Sua crônica de costumes é digna dos meus mais entusiásticos encômios !!!!! A FAMÌLIA BRASILIERA precisa de urgentes providências para ser resgatada das mãos dos ateus e hereges, que hoje dominam o mundo. Esses iconoclastas destroem toda a moralidade, antes firmada sob sacros princípios ! É precisda que os laços sagrados do matrimônio voltem a se firmar, até que a morte separe os santos cônjuges; sexo só no casamento e com fins reprodutivoS. Lamento que a Santa Inquisição tenha sido extinta! Enviado por Benedicto Astrogildo dos Santos - beneastro@ig.com.br
Publicado em 13/12/2009 Como diz o velho adágio, " Yo no creo en fantasmas, pero que los hay,los hay".Indo na sua esteira " do politicamente incorreto" aproveito para criticar e colocar que esta "muvuca" foi uma hábil estratégia da sociedade industrial- metade da humanidade estava ociosa, dentro das casas, criando seus filhos e começou-se a " buzinar" a tal da libertação feminina " leia-se a dupla jornada feminina, mulheres estafadas, crianças largadas em escolinhas,a casa entregue ao Deus dará" e o salário, " Oh!". Enviado por trini pantiga - trinesp@ig.com.br
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