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Categoria - São Paulo do século XXI É Primavera Autor(a): Luiz Simões Saidenberg - Conheça esse autor
História publicada em 19/03/2010

Será mesmo? Parece que este ano a Primavera entrou em cena com o pé esquerdo, pisou na jaca, escorregou e estatelou-se no palco. Há muito não víamos tal vexame. Chuvas de Verão, frio de Inverno, mas de Primavera mesmo pouca coisa de bom. Vivaldi ficaria louco, e suas Quatro Estações virariam Cinco, Seis,... perderiam todo ritmo e compasso.

As cidades do sul debaixo d’água, cinco graus em Curitiba. Hoje acordo tremendo de frio, para enfrentar mais uma São Paulo cinza e úmida. Hemingway disse, em "Paris é Uma Festa", que nada mais triste que uma falsa primavera, aquela que não veio, e faz tempo que não vejo uma tão falsa como esta.

E as flores? Em verdade, a entrada da estação veio para derrubar o que restara de meu ipê amarelo, estas sim, primaveras encarnadas. E olhem que este ano o ipêzinho florira como manda o figurino. Não como em anos passados, com uma florada pobre seguida, dias mais tarde, de uma outra, mais festiva.

Já a primavera, carregadinha, deixou no chão um tapete vermelho, como numa entrega do Oscar. Mas, para ser justo, os prejuízos não foram totais. Os sabiás continuaram vindo e cantando apesar do mau tempo. Em certas regiões, como Moema, os jacarandás mimosos continuaram tão mimosos como sempre, copados de suas elegantes flores malva e roxo, que combinam com as cores frias do dia.

A murta que ladeia meu portão abriu-se, pela primeira vez, nas suas perfumadíssimas florzinhas brancas, para fazer coro a suas companheiras que espalham seu delicado odor pelo Brooklin todo. E sempre a esperança de que, como demonstram essas flores, as coisas não estejam tão ruins assim ainda em matéria de clima.

Elas sabem melhor do que nós, dos níveis de poluição, das misteriosas seivas que lhes alimentam as raízes, do que se passa, acima e abaixo, na nossa ameaçada Mãe Terra. Embora a Primavera ainda não tenha dado o ar de sua graça, esperamos que ainda possa aparecer.

E que as crianças continuem a cantar, como nas minhas frustradas e inúteis aulas de Canto Orfeônico, no ginásio: - Desperta no bosque gentil Primavera. Com ela chegou o canto, gorjeio do sabiá. Lá, Lá,... (16 vezes a sílaba Lá).


E-mail do autor: saidenberg@ajato.com.br

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Publicado em 28/06/2010 Gosto muito de seus textos pela riqueza de detalhes e curiosidades que abordam.Embora estejamos no inverno,a Primavera está próxima;principalmente após a leitura do seu texto.A preocupação com a conservação das espécies diante de tantos impasses sofridos pela natureza também é louvável e compartilhador.Lembro também dos lindos eucaliptos de Pinheiros e das hortênsias de Campo Limpo.Parabéns,belo e reflexivo texto! Enviado por Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - anamarisribeiro@ig.com.br
Publicado em 31/03/2010 Beleza de narrativa. Alma primaveril. Talentos mil. Enviado por suely aparecida schraner - cgestorveleiros@gmail.com
Publicado em 24/03/2010 Primavera é e sempre sera a mais bela e feminina das estações. Mesmo que ela venha deturpada, desfolhada, esmaecida, ela é linda. Parabéns pela narrativa, Luiz.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 23/03/2010 Os Jardins da minha rua estão todos floridos neste quente final de Março "Vê, estão chegando as flores/ Vê, nesta manhã tão linda/ Vê, o sol iluminando/ Vê, há esperança ainda!" Geraldo Vandré. Parabéns Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - lia.ferrero@hotmail.com
Publicado em 22/03/2010 Luiz, como sempre seu texto é belo. A gente nem estranha o fato de ler um texto no outono, com clima de verão, sobre a primavera. Abraços Enviado por Márcia Sargueiro Calixto - marciascalixto@hotmail.com
Publicado em 22/03/2010 Saidenberg,como já estamos no outono, fica a constatação de que, não é só o clima que está atrasando as estações, o site também está um tanto atrasado com os textos. Quando você escreveu sobre a gentil primavera, nem podia imaginar o que viria pela frente. Um verão brabo, quentíssimo e tremendamente chuvoso. Será que teremos alguma novidade nesse outono? Vamos aguardar.
Um abraço / Bernadete
Enviado por Bernadete P Souza - bernadete.pedroso@gmail.com
Publicado em 22/03/2010 Luiz, parabéns pelo bonito texto. Apesar de estarmos já no outono, fica ainda no ar o perfume da sua primavera. Um abraço Grassi. Enviado por J. Grassi - jr_grassi@yahoo.com.br
Publicado em 22/03/2010 Saidenberg, A estação da Primavera assim como as demais estão desnorteadas, porém a grandeza da sua sensibilidade tornou florido e perfumado o jardim do seu texto. Adorei! Um verdadeiro canteiro de Amor Perfeito. Um abraço. Alaíde Enviado por Alaíde Santos - alaide.santos2010@hotmail.com
Publicado em 21/03/2010 Sr. Simões,realmente esse clima está descontrolado. Na escola eu também cantava. Mas não conseguia por causa do diapasão. Gostei da sua estória. Conte mais.Parabéns. Enviado por Nideno de Oliveira - nid@bol.com.br
Publicado em 21/03/2010 Luiz, mesmo estando nos primeiros dias do Outono, li teu texto com todo o carinho que a primavera nos proporciona.
Textos bons não t^wem época de serem lidos.
Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
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