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Categoria - Personagens O camelô-consultor Autor(a): Lídia Maria Marques - Conheça esse autor
História publicada em 25/03/2010
Quem gosta e tem dinheiro para comprar roupa e acessórios de griffe costumam frequentar o Shopping Iguatemi, um ponto comercial que figura na lista dos 10 mais caros do mundo. Mas quem não tem dinheiro e quer estar na moda bate perna no centro de São Paulo. Tudo o que é lançado como moda é rapidamente copiado e na mesma semana se espalha nas vitrinas populares das Ruas 25 de Março e José Paulino.

Porém, nos dias de hoje, a moda não é como antigamente quando um produto poderia durar até um ano. Hoje em dia, existe aquilo que chamam de fast-moda, moda rápida. Trata-se de algum produto novo que uma atriz exibiu num capítulo de novela e que, geralmente, dura poucas semanas, pois, já nos próximos capítulos, a mesma atriz aparece com algo totalmente diferente, ou então o mesmo artigo de duas semanas atrás, mas usado de forma diferente.

A mulherada fica doida com tantas tendências diferentes e tem dificuldades para escolher o que está em voga. Você anda pela Rua 25 de Março e você pode ver aquela mulher em dúvida, meio perdida, daí ela se aproxima de um camelô e finge que sabe o que quer, mas não está encontrando. O camelô pede detalhes e ela disfarça com palavras vagas: - - “Sabe, é um tipo de top mais ou menos assim”. Aí, entra o camelô-consultor e mostra o top que está na moda.

A mulher ainda tem dúvidas. Ela não sabe se a peça deve ser usada como lingerie ou como biquíni. E o camelô explica que dá para usar das duas maneiras e ainda esbanja: - “O top listado vermelho e branco fica ótimo na praia, como biquíni mesmo, com uma calcinha lisa, que tenha uma das cores da estampa do sutiã. Você veste uma camiseta de gola canoa por cima, um short e um chapéu e vai arrasar”.

Se você perguntar a um camelô onde ele aprende sobre as tendências, você recebe a resposta mais óbvia: - “Fico de olho nas novelas e principalmente em revistas de gente famosa”. E lá vem outra mulher, andando a passos lentos pela José Paulino, prestando mais atenção nas bancas dos camelôs do que nas vitrinas das lojas, e o camelô logo percebe e ataca: - “E aí, dona, não vai querer levar uns óculos da moda?” A mulher deve estar pensando: - “Estou cansada de pagar caro por óculos”.

O camelô não perde tempo e começa a dar dicas: - “Óculos grandes estão na moda, mas não cai bem na senhora que tem rosto redondo, por isso recomendo que a senhora leve o oval que é universal”. Outro dia, na 25 de Março, perguntei a um camelô que estava por dentro de tudo, cores, formas, estampas. – “E se a cliente pede uma mercadoria que já saiu de moda?”.

O camelô responde: - “É problema dela, mas se a freguesa pergunta se ficou bom, eu não minto. Digo que não fica e mostro o que tem de melhor”. São Paulo é assim, tem de tudo. Até camelô-consultor de moda que entende mais do que uma vendedora dentro de uma loja.


E-mail do autor: ld-marques@hotmail.com E-mail: marques@hotmail.com
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Publicado em 28/03/2010 LIDIA, EU PAREI COM O CARRO NO SEMAFORO, VEIO UM
CAMELO. VENDENDO GUARDAS CHUVAS, ERA MUITO BONITO
TODO ESTAMPADO, PAGUEI 6,00 DEXEI NO CARRO, UM DIA
ESTAVA CHOVENDO EU FUI ABRIR O GUARDA CHUVA, ELE
ESTAVA TODO FURADO.
QUANDO COMPREI ELE ESTAVA TODO ENROLADO, CAI NO CONTO DO GUARDA CHUVA.
VIVA OS CAMÊLOS;;
Enviado por joao claudio capasso - jccapasso@hotmail.com
Publicado em 26/03/2010 Lídia, vc. sabe como os camelôs se transformam em consultores (as vezes, ótimos...)? aprendem com as próprias mulheres. No mister de suas atividades, adquirem tamanha experiência que, sem menospresar a inteligência das mulheres, com um pouco de psicologia, "fazem" a cabecinha das dondocas ou de peruas com tal facilidade que vendem de tudo. Fazer a mulher gastar dinheiro é a coisa mais fácil do mundo. As industrias de cosméticos e modas são as que mais progridem em TODOS os paises. E isso é bom.. Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 26/03/2010 Olá Lídia, muitas vezes um camelô-consultor é mais válido do que certos vendedores de marcas de grife que tentam nos empurrar mercadorias como se fossemos acéfalos. Valeu ! Bem-vinda ao site. Abraço, Carmen Enviado por Carmen Francisca León Duarte - carmen.duarte@uol.com.br
Publicado em 26/03/2010 Sra.Marques, seu relato é a cara do centro de S.P. e pode-se confiar nas "trend" da fast mode mas na qualidade do produto não; então é preciso ter muito cuidado. Excelente história. Abraço. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 26/03/2010 excelente! Adorei, pois realmente Sp tem de tudo e esta é mais uma. Eu tenho uma lista de profissoes estranhas em Sp e é de morrer de rir. Enviado por lygia - lymms7@hotmail.com
Publicado em 25/03/2010 Lidia, até camelô-consultor-meteorologista já encontrei por lá; estava em dúvida se levaria um guarda-chuva num desses dias que parecia que ia chover. Aí ele me disse: "a senhora tá vendo aquelas nuvens? umas são cúmbulus, outras são nimbos; vai chover. Pode comprar um guarda-chuva". Enviado por Márcia Sargueiro Calixto - marciascalixto@hotmail.com
Publicado em 25/03/2010 Lídia. Futuramente não extranhe se aparecer por aí algum folheto anunciando Curso de Consultor de moda por correspondencia para camelô, Se o Silvio Santos venceu na vida iniciando a carreira como camelô, por que não tentar, não é mesmo? Gostei da Narrativa. Enviado por Arthur Miranda - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 25/03/2010 Perto da minha casa, isso nos anos 1950. tinha um camelô itinerante que vedia de tudo. Empurrando sua carriola ele ia gritando. Olha o tomate, batata, pinhão, batata doce e sapatos... Enviado por Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 25/03/2010 Linda homenagem à garra do camelõ...Hehehe!!! É a vendedora é empregada, né, e o camelô é seu próprio patrão isso faz a diferença...
Parabéns pela escrita
Um abraço.
Enviado por mary clair - clairperon@hotmail.com
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