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Categoria - Personagens Acepipe! Autor(a): Luiz Carlos Gusman - Conheça esse autor
História publicada em 07/06/2010
Iniciei estes escritos pensando em fazer deles apenas mais um comentário elogioso ao grande e sempre constante colunista Miguel Chammas mas, quando vi... É nisso que dá, Miguel, mexer tão bem com os sentimentos de seus leitores.
Vai, então, na forma de artigo, ou sei lá que nome pode-se dar a uma mal redigida manifestação de recônditas saudades.

Visitante bissexto, sempre que necessito temperar meus momentos com uma sadia nostalgia, recorro às páginas do São Paulo Minha Cidade. Faz-me tão bem! Retornam-me princípios apreendidos nas carteiras do Instituto de Educação Caetano de Campos. Revejo lugares, que vão de santos bares a profanos altares. Relembro amores, odores, sabores... Revivo tempos em que o ser humano tinha muito mais de humano que de simples ser.

Carência afetiva? Pode até mesmo ser, afinal a "modernidade" cobra-nos uma postura mais hermética, individualista, levando-nos a declinar os verbos apenas em seu singular e isto não se compatibiliza com o tipo de vida vivido nos anos 50, 60, 70...

O certo é que estar sempre atualizado é muito bom para o Windows, não tanto para nós. Não sou mais um "workaholic" e, em meu leque de conquistas, uma rede baloiçante hoje se faz preferência, desbancando antigos objetos de sonhos não realizados.

Assim é que...

Indo garimpar "recuerdos"* nos textos do São Paulo Minha Cidade - como nunca deixo de fazê-lo - busquei primeiro a página do Miguel Chammas.

Poderia ser a do Saidenberg, a do Laruccia, do Lopomo, do Chiappetta, da Margarida, da Doris... Todos estes (e outros agora não lembrados) têm o condão de me reconduzirem a uma felicidade que, nesses tempos idos, me chegava de forma gratuita e natural.

Nem precisei chegar ao fim do brilhante texto. Ao meio caminho, lá estava o propulsor da minha máquina do tempo: ACEPIPE!

ACEPIPE! Onde mais, nos dias de hoje, encontrar e saborear um acepipe, que não no saboroso "São Paulo Minha Cidade"? E nas páginas coloridas pelas mágicas mãos do Miguel Chammas!

Veio-me água à boca, aliás, para ser verdadeiro, veio-me Brahma Extra à boca (não se fazem mais extras como as da “Pilsen” e da “Brahma”. Por quê?).

ACEPIPE! Ao que chamávamos acepipe? À inesquecível salada de batatas, ladeada por duas divinas salsichas, comidas em pé nas “Saladas Paulista” e “Record”? Ou à sardinha inteira, comida com as mãos, à frente de um tosco “guardanapo?” de pano, pendurado na parede da pequena casa portuguesa da Rua Quintino Bocaiuva?
ACEPIPE! Muitos, talvez (e com razão), adjetivassem assim a pizza brotinho da “Casa Italiana”, parece-me que a criadora de tal formato. Só para não repeti-los, eu andava algo em torno de duzentos metros mais e ia desfrutar de igual sabor italiano, só que, fatiado, na “Ayrosa”!!!
ACEPIPE! Poderia ficar aqui relembrando sabores que se tornaram amores, ainda por muitas linhas, mas o duro é suportar a nostalgia, a cruenta saudade que faz acelerar o velho coração.

Se deixar, entra em cena a coxinha do “Fasano”; a esfiha dupla do “Paco” o sorvete da “Whisky”; a salsicha do Largo do Café; a Mortadela do Viaduto Santa Ifigênia; o bacalhau da “Tramontana”; o fusilli do “Massadoro”; a bomba de chocolate da “Charlu”; a Floresta Negra da “Dulca”...
Da esfiha dupla do “Paco” à coxinha do “Fasano”: nada mais democrático que um bom acepipe! ACEPIPE! Poderia até mesmo ser guloseima, mas o momento, o espaço, as memórias redivivas exigem mais: exigem ACEPIPE! Isto talvez restrinja seus leitores, afinal, nada mais letal que décadas de vida somadas. Somos cada vez menos. Mas enquanto ainda o somos, "acepipemos" à vontade.

Quem, como nós, viveu um tempo em que se era feliz e se sabia?!? Tem não só o direito mas, e principalmente, a obrigação de revolver nossos arquivos de saudades. Continue, Chammas, a adentrar o meu. Mantenho-lhe abertas as duas entradas que a ele levam: a da mente e a do coração. Entre à vontade.

Ah, ia esquecendo: se possível, traga um ACEPIPE!

* Desculpem-me pelo "recuerdos", mas recordação ou qualquer um de seus sinônimos, em português, não refletem a ternurenta emoção que alí recolho.
E-mail: lcgusman@gmail.com
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Publicado em 28/06/2010 Caro Gusman, ao longo de sua bela narrativa, vc. destaca os nomes e locais onde se saboreava um bom acepipe, eufemisticamente assim denominado, do petisco. Esse enriquecimento do termo se faz necessário pois, tudo que é mencionado é sofisticado pra ser simplesmente um tira-gosto ou petisco. Depois que terminei a leitura, subiu minha glicemia, a pressão, ganhei alguns quilos, arrotos e bocejos, denunciando uma lauta refeição que há muito não fazia. Muito obrigado, Gusman. A título de colaboração, (não é do seu tempo) menciono a coxinha cremada do Bar Viaduto, na rua direita com a maravilhosa “pastieri di grano” (torta de trigo) e a torta de ricota. E o famoso sorvete italiano na Confeitaria Guarany, na Rangel Pestana, no Braz, evidentemente.
Uma curiosidade, vc. é ou é parente do jornalista da famosa “Coluna do Gusman? Parabéns, Gusman
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 28/06/2010 Caro Gusman, ao longo de sua bela narrativa, vc. destaca os nomes e locais onde se saboreava um bom acepipe, eufemisticamente assim denominado, do petisco. Esse enriquecimento do termo se faz necessário pois, tudo que é mencionado é sofisticado pra ser simplesmente um tira-gosto ou petisco. Depois que terminei a leitura, subiu minha glicemia, a pressão, ganhei alguns quilos, arrotos e bocejos, denunciando uma refeição que há muito não fazia. Muito obrigado, Gusman. A título de colaboração, Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 19/06/2010 Aqui da minha zona de conforto, gostaria de lhe falar de seu comentário no texto da Dóris. Minha cabeça voa, exulta, remonta alto, no contagioso êxtase de vida e morte tão maravilhosamente escrito por você. E agora, através deste seu texto em que posso enxergá-lo um pouco mais, finalmente tenho acesso a outros escritos seus. Não se ausente mais! Parabéns!!! Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - lia.ferrero@hotmail.com
Publicado em 10/06/2010 Olá, Luiz!
Interessante como nossas recordações tem sabores. Nossa memória guarda recordações de sabores e amoras e nos transportam ao tempos idos, trazendo-nos imensa saudade.
Viajamos com você, neste texto..
Adorei ler sobre a influência dos textos de Miguel para você escrever este.
Ficou ótimo! Parabéns!
Muita paz!
Enviado por Sonia Astrauskas - soniaastrauskas@uol.com.br
Publicado em 10/06/2010 Acepipe! Como é bom viver e um dia poder ter essas lembranças. Ainda vivemos, então: Acepipe!!! Enviado por Consolata Panhozzi - tpanhozzi@ig.com.br
Publicado em 10/06/2010 Gusman, que belo roteiro gastronômico!!! E um "tin tin" de Pilsen, às famosas "Memórias do Miguel".
Um abraço
Enviado por Bernadete P. Souza - bernadete.pedroso@gmail.com
Publicado em 09/06/2010 Gusman, na realidade você ficou salivando com os gulosos relatos do Chammas. É natural, como não fazê-lo, ouvindo falar dos halawy recheados de queijo na Ladeira Gen. Carneiro, ou da lasanha de uma velha casa italiana na Estrada de Itapecirica? Os acepipes são alguns dos tempêros que condimentam nossa sofrida vida...abraços. Enviado por Luiz Simões - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 08/06/2010 Luiz, que saudades! Ler seu texto foi saborear um acepipe delicioso com o gostinho dos finos temperos da sua sensibilidade,espiritualidade de paz, harmonia e coração cheio de amor.Amei seu texto, e que o Miguel continue nos mostrando os arquivos da saudade. Parabéns e um grande beijo. Enviado por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br
Publicado em 08/06/2010 Gusman, ACEPIPES eram minhas guloseimas de antigamente, hoje, meu mais novo acepipe ficou sendo teu texto. Nunca me senti tanto e tão bem elogiado como agora.
Fico feliz em poder, com meus simples rabiscos, motivar lembranças e saudades aos que se propuserem ler.
Confesso, não sabia que minhas Memórias eram tão apreciadas.
Informo que toda vez que tiver de rabiscar um texto aproveitando minha memória gustativa, vou lembrar-me do companheiro e inserir uma porção de novos acepipes.
Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 08/06/2010 Parabéns Luiz Carlos, líndíssimo texto e muito bem lembrados os autores que você citou e sem os quais o site não seria o que é. Um abraço. Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
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