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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades Liceu Coração de Jesus Autor(a): Alvaro Glerean - Conheça esse autor
História publicada em 17/08/2010
Este Colégio ocupa em minha memória um largo espaço, pois foi nele que cursei o “Primário, o Ginásio e o Científico” (denominações das décadas de 30 e 40). Eu morava na Rua General Osório e ia a pé, nos primeiros dias, acompanhado pela minha mãe, pela Rua Sante Ifigênia, cruzava a então Rua Rio Branco e atingia, depois de cruzar o Largo Coração de Jesus, a Rua Alameda Glete, local de entrada do Colégio. Atingia então um imenso (na época para mim) páteo, onde todos os alunos se perfilavam, de acordo com sua série e letra de turma, sob a enérgica vigilância do Padre Avelino, Diretor na época, cuja característica (e esse era o terror dos alunos) era levar à mão, pelo cabo, um sino que às vezes servia para atingir o cocuruto de um aluno menos dócil.

Todos nós alunos levávamos pela mão uma mala pesada, graças aos livros e cadernos que continham (na época não era costume levar a dita cuja às costas). Isso motivava uma brincadeira um tanto desagradável, que era a de um companheiro qualquer dar com as mãos ou com a própria mala uma forte pancada na dita cuja do colega desavisado. Isso era motivo para um início de beligerância, logo desfeita ou pelo olhar do Diretor ou pela turma dos já existentes "deixa disso".

Meu professor das primeiras letras foi o Prof. Nolasco, que me deixa, ao lembrar, uma doce recordação, apesar de esse andar pela sala com uma régua longa sempre à mão e de vez em quando bater com ela sobre a carteira. Não atingia o aluno (lembro-me bem, mas dava-lhe um susto suficiente. Todos meus professores foram leigos e, com rara exceção, padres. Figura marcante foi o Prof. Chediack, de francês. Creio que devo a ele meu gosto por essa língua. Um professor, o Padre Nelo, professor de História foi, não sei por quem designado, para dar aos alunos adolescentes lições (para a época!!!) de educação sexual.

Posso dizer apenas que ele se esforçava bastante. Mas todas as quintas-feiras os alunos, pela manhã, frequentavam a Companhia de São Luiz, que após a habitual Missa dedicavam-se ao jogo de futebol. Uniforme? Claro que não havia, jogava-se com a roupa do corpo, em geral o próprio uniforme. Bola? Era o famoso capotão, de couro rígido, onde se introduzia, no seu interior, uma bexiga de borracha e a enchia com uma bomba pelo famoso beleguim, que depois era amarrado com uma tira de couro e introduzido no interior do capotão, o que resultava numa enorme saliência na superfície da bola, que machucava quando atingia a pele do pobre jogador.

Imaginem o pobríssimo goleiro! Eu jogava num time que às vezes enfrentava o temido time dos internos. Geralmente eles ganhavam e normalmente eu era logo substituído, com toda a razão, porque era um mau jogador. Mas no confronto seguinte, lá estava eu de "beque direito", novamente, afinal eu era amigo do capitão do time...

Banho depois do jogo? Ora, por que? Porém o que me seduzia de fato era que depois de encerradas as atividades na Companhia, lá saíamos nós à rua, ávidos para comprar um pedaço de pizza, vendida por um senhor que os trazia no interior de um enorme latão. Seu sabor e aroma ainda hoje me seduzem e poderia dizer, com todos os exageros, que foram os melhores pedaços de pizza que comi em toda minha já longa vida.

Tudo era muito ingênuo e sem nenhuma malícia. De vez em quando dou uma espiada no álbum de formatura do científico e penso cá com meus botões por onde andarão todos esses velhos amigos? Terão eles as mesmas recordações agradáveis? Creio que sim. No ginásio eu fazia parte da banda de música. Talvez por eu ser, na época, um tanto rechonchudo, destinaram-me como instrumento o bumbo. Ao lembrar agora, me vem à mente a imagem de que eu deveria parecer um enorme caracol, só que com a casa não nas costas e sim no ventre!!! Obrigado pela oportunidade.

e-mail do autor: alvarogle@terra.com.br
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Publicado em 17/09/2010 caro amigo e colega, estudei no Coração de Jesus de 58 a 66 pertenci a fanfarra, ganhei duas medalhas de ouro da Record e o prof.Chediack nos dava aula de frances. Tive como meus diretores o Padre Mario Quilici, o Padre Romano e o Rafael Chorobozeck, missa todos os dominigos e o carimbo na caderneta, mas era tudo muito legal. Estudei de tarde e de manhã. Recordar é viver. Um abraço do Orlando.... Meu filho també estudou no Liceu. Enviado por orlando rasia junior - orlandorasiaadv@globomail.com
Publicado em 20/08/2010 Senhor Álvaro. Bela lembrança do Liceu Coração de Jesus. Fiz a 5ª e a 6ª séries do antigo curso ginasial nessa excelente escola. Bons tempos aqueles. Enviado por Adeimar Vicente Santana de Toledo - adeimartoledo@hotmail.com
Publicado em 18/08/2010 Auspiciosas e alegres recordações de um nobre colégio, é sempre uma delícia sua leitura. Mesmo não estando familiarisado com o tema, é sempre prazeiroso uma leitura de texto bem cuidado. Parabéns, Glerean.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
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