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Categoria - Outras histórias Amor Eterno Autor(a): Lygia Martins de Souza - Conheça esse autor
História publicada em 23/08/2010
Ele, um rapaz engraçado, vestido de velhos jeans, por escolha; cabelos negros e olhos azuis. Ela, cabelos compridos, olhos verdes, quadris redondinhos e muito séria. Cursavam a faculdade juntos, ali começaram a se conhecer melhor. Ele morava no Campo Belo e ela na Aclimação, mas na faculdade passavam os dias, estudando juntos, comendo, conversando sobre tudo. O amor que nasceu era mais de alma e coração, vindo dos longos tempos de se sentarem juntos nas salas de estudo e discutirem o que estudavam. Estudavam Teologia. Com o passar do tempo, o amor que ela sentia por ele tornou-se mais forte, mas não havia nenhum sinal de que ele estava levando a coisa a sério. O palhaço da turma e a mocinha quieta eram um casal estranho, mas se amavam, ela querendo um noivado, ele, quem sabe...

O dia da formatura chegou, ela de vestido rosa, ele de jeans, como sempre. Ele era um caso à parte! Diplomas em mãos, despediram-se e partiram em direções opostas. Ela, para ficar em São Paulo, ele, para os Estados Unidos, de onde havia vindo. Ali ele se casou no mesmo ano. Ela nunca mais soube dele. Às vezes passava pelos jardins da faculdade, lembrando de como ele aparecia de repente, de como a fazia rir e das coisas que haviam dividido, dos pensamentos que compartilharam. Passaram-se muitos anos. Muitos, muitos, muitos. Ela se casou, teve filhos e netos, foi para outro país, para morar, mas finalmente voltou a São Paulo. Aqui ficou sabendo dele novamente, alguém lhe deu o e-mail do rapaz que ela pensava nunca mais ter notícias.

Por e-mail, começaram a se falar novamente. A conexão do coração não estava perdida. Nas noites quentes e macias de São Paulo, e-mails corriam para o inverno da América. A alegria era tanta em tê-lo reencontrado. Até que um dia, que surpresa! Ele falou tudo do que nunca havia falado antes. Do amor que sentira por ela, do amor que ainda sentia por ela. Da beleza que vira nela e em mais ninguém. Era, porém, muito novo para lidar com tudo aquilo: amor, desejo, incerteza, a volta ao seu país. E a perdera. E não dormira aquela noite pensando no que poderia ter sido se ela tivesse sido sua esposa, como teria sido sua vida. E a amaria para sempre.

Para ela, um buraco na sua vida se fechou de repente. O vazio que ele deixara havia terminado. Era como se os anos voltassem e pudessem ainda ter 18 e 21 anos, e sentarem-se na grama vendo as estrelas do céu paulista em noite clara. Jamais se encontrarão novamente. Ele tem família no Arizona, ela tem sua vida em Sao Paulo.

Ele declarou-lhe amor quarenta anos depois.

e-mail do autor: lymms7@hotmail.com
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Publicado em 22/09/2011 Lygia, que estória linda, triste, emocionante e, quem sabe, ainda terá um final feliz?
Conheço casos de pessoas que se uniram depois de mais de quatro décadas!Um desses casos, cada um já tinha constituído família e tudo o mais, mas, quando se reencontraram tantos anos depois, na Espanha, perceberam que nada havia mudado! O que mudou foi a estória da vida deles...
Quando há amor, há sempre esperança!
Abraço
Célia
Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - rccsimonato@hotmail.com
Publicado em 24/08/2010 Lygia, uma linda estória de amor, que ainda não terminou.Quem sabe dias melhores virão? Vamos aguardar.
bjos
Enviado por Bernadete P. Souza - bernadete.pedroso@gmail.com
Publicado em 23/08/2010 É muito bom encontrá-la depois de tanto tempo. Com relação há sua história, ele disse tudo que ela queria escutar. Lembrei-me de uma música antiga: "fala, só por brincadeira que me queres / jura, que só eu existo entre as mulheres / mente, ,mente uma vez e serei tua / haverá festa em minha vida / e feriado em minha rua" etc. Parabéns e um abraço! Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - lia.ferrero@hotmail.com
Publicado em 23/08/2010 Cara Lygia, sua narrativa nos prende desde o começo, numa grande torcida para que um amor não precise ser impossível para ser eterno e maravilhoso. No fim, nos resta a doce e sábia menção do Quintana: "Tão bom morrer de amor e continuar vivendo” . Parabéns pelo lindo texto. Um abraço, Carmen Enviado por Carmen Francisca León Duarte - carmen.duarte@uol.com.br
Publicado em 22/08/2010 Lygia, jamais é muito tempo; termine a frase com "um dia se encontrarão novamente?"...beijos Enviado por Márcia Sargueiro Calixto - marciascalixto@hotmail.com
Publicado em 22/08/2010 Lygia, lindas histórias de amor nem sempre têm o final de contos de fadas. Mas um amor declarado, ainda que tardio, faz uma linda história de amor. Belo texto... parabéns! Enviado por PAULO FÁBIO ROBERTO - fabbito@uol.com.br
Publicado em 22/08/2010 Ah!!! estas, são as ciladas que a vida prepara!!!! E agora??? só resta "curtir" a vida de sexagenários e ajudarem a criarem os netos!!!! Enviado por Flavio Rocha - flaviojrocha@bol.com.br
Publicado em 22/08/2010 Lygia, daria um belo romance essa sua história. Dizem que se uma mulher quer saber se gosta de um homem, é só "observar" se ele a faz rir, senão desista... risos.
Parabéns!
Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 22/08/2010 Como eu gosto de ler suas histórias! Fico aguardando ansiosa! A senhora tem livros publicados? Enviado por MARIA HELENA SANTIAGO - mariahelenasantiago@hotmail.com
Publicado em 22/08/2010 Lygia, Quem sabe seja mais do que um amor para recordar, seja um grande amor para viver. Lindo e emocionante texto. Consolata Enviado por Consolata Panhozzi - tpanhozzi@ig.com.br
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