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Categoria - Paisagens e lugares Bom, muito bom! Autor(a): Fortunato Montone - Conheça esse autor
História publicada em 23/08/2010

Muito bom ter nascido no início dos anos cinquenta, muito bom ter sido testemunha do surgimento de movimentos que mudaram a trajetória do mundo. Muito bom ter vivido intensamente os anos 60 e 70, décadas estas, talvez, as mais férteis da humanidade, em que praticamente aconteceu quase tudo na moda, nas artes, no comportamento, na política, na ciência etc.

Muito bom ter sentido as mudanças de costumes, a partir da contracultura, do início das liberdades que nasceram por imposição dos jovens, que aos poucos foram introduzindo um jeito novo de "entender" o mundo e pelas mãos da própria juventude, abriram-se as portas para as transformações mais importantes da humanidade.

Muito bom ter acompanhado essas revoluções sócio-culturais, com o olhar de jovem também e perceber o tamanho da importância dos jovens naqueles momentos, visto que a "alienação" das classes dominantes motivaram a aceleração de tais mudanças. Ter percebido que tudo isso ocorreu de "dentro para fora".

Muito bom ter visto os primórdios da formação de várias identidades (entre os jovens), o que hoje em dia chamamos de "tribos". Eu, por exemplo, era da tribo dos que trabalhavam, (precisava, mas não gostava) tive dezenas de empregos, estudava também (no caso queria dizer "ir na escola") cabulava as aulas (no caso "fingir que ia na escola"), namorava, ia aos bailinhos nos finais de semana, comia “bracciola” e “porpeta” de domingo, alíás, era muito muito bom!

Muito bom ouvir Elvis, Beatles, Credence, Beach Boys, Nat King Cole, Frank Sinatra, Four Seasons, Birds, Roy Orbinson, Hollies, Rita Pavone, Gianni Morandi, Pepinno, Nicola di Bari, Pepino Gagliardi, Modugno, Gigliola, Donnagio, Bongusto, Paoli, Roberto, Erasmo, etc.

Muito bom ter nascido "Paulistano"
Muito bom ser do "Brás"
Muito bom ser "oriundi"

Muito bom ter aprendido a ler e escrever no "Romão Puiggari", ter sido aluno no "Eduardo Carlos Pereira", na Trinta de Outubro, no Carvalho de Mendonça, no Luciano Maia.

Muito bom ter conhecido a maioria dos meus amigos no Brás, vivido grandes "aventuras", grandes "histórias", grandes "amizades", e grandes "saudades".

Muito bom, ter comido a pizza do Castelões, do Luiz, do Avenida Chic, o macarrão da Adega do Bráz, do Marinheiro, o Capão do Balila, a Sfogliatelle, o Tarallo, a Guimirella, a Pizza de Rua etc.

Muito bom ter dado meu primeiro beijo no cine Piratininga. Muito bom ter tido "Meu Primeiro Amor" no Brás.

Muito bom ter a oportunidade de aos domingos, após o namoro, voltar para casa "cantarolando" “Io que non vivo senza te”.

Muito bom brincar no Parque Dom Pedro, ir ao Parque Xangai, nas Matinês dos cinemas do Brás, jogar no APEA, no Amor e Glória, no Imprensa, no River, sentir o calor humano, as emoções de viver num pedacinho de São Paulo, tão importante, várias vezes citado como o mais famoso de São Paulo e, principalmente, dizer que foi Muito bom, que "Deus" me deu a oportunidade de ter podido conviver, e ter aprendido muito com meu querido pai, um grande e legítimo “brasense”.

Muito, bom, muito bom mesmo!

e-mail do autor: mailto:fortunapule@hotmail.com

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Publicado em 24/05/2011 MUITO BOM LER SEU TEXTO! Enviado por CRISTINA K.T.RANEA - cristinakiyomitakatsuki@ig.com.br
Publicado em 01/09/2010 Fortuna, como te chama teu irmão Salvador e meu querido amigo, voce se excedeu no teu texto. Fez-me lembrar, com imensa saudade, os 20 anos que passei na Professor Batista,quase em frente à tua casa, mas que a diferemça de idade não nos fez encontrar inteligentemente.Muito bom mesmo! Abraços Ricardo Enviado por Ricardo Ferrero - ricardoferrero@uol.com.br
Publicado em 28/08/2010 Fortunato, ter a oportunidade de ler seus textos é sempre muito bom. Abraços Enviado por Márcia Sargueiro Calixto - marciascalixto@hotmail.com
Publicado em 26/08/2010 Para muitas pessoas de idade, o bom é sómente aquilo que passou. E o presente, não existe? Às vezes, o passado nem era assim tão bom: nossa memória, seletiva, privilegia os bons momentos e deixa o ruim de lado. A vida segue, nem boa, nem má, apenas como sempre foi...abraço. Enviado por Carlos Alberto Nasser - nasserian@terra.com.br
Publicado em 25/08/2010 Tudo isso foi bom demais e, o seu texto, melhor ainda.
Abraços
Enviado por nelson de assis - nel.som55@yahoo.com.br
Publicado em 25/08/2010 Fortunato em primeiro lugar, MUITO BOM VC TER NASCIDO NO BRAZ. O resto é consequência. Auguri, ragazzo, parabéns sua narrativa é maravilhosa.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 24/08/2010 Tudo isso é muito bom,mas melhor ainda e poder partilhar com nossos filhos nossas experiências e viver juntos com eles o presente para contar a nossos netos amanhã, um abração Enviado por Leandro - leburu@bol.com.br
Publicado em 23/08/2010 Pensei em todas as variáveis possíveis e imaginaveis para escrever bonito! Não consegui! Depois de tanto tempo... é muito bom ler um texto seu! Parabéns! Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - lia.ferrero@hotmail.com
Publicado em 23/08/2010 Fortuna, muito bom é te-lo de volta.Muito bom é ter vivido ao seu lado todas essas historias.Muito bom é poder lembrar dos nossos amigos, da nossa infancia e do nosso querido pai. Muito bom...melhor ainda... é ser teu fratello. Baccione!!! Enviado por salvador montone neto - smn.crei@uol.com.br
Publicado em 23/08/2010 Muito bom haver este site e muito bom também ler textos como este. Um abraço. Consolata Enviado por Consolata Panhozzi - tpanhozzi@ig.com.br
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