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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Aventura na lama Autor(a): Lucidalva Soledade - Conheça esse autor
História publicada em 20/10/2010
Há fatos que são lembrados por longos anos de nossa vida, e um deles eu me lembro com muita saudade, pois já faz muito tempo, 1960 por ai.

Hoje a cidade de São Paulo tem quase todas as suas ruas calçadas, mas naquele tempo não era bem assim.

Há 40 anos atrás eu estudava no Grupo Escolar João Vieira de Almeida, na Av.Guilherme Coaching, em Vila Maria, São Paulo.

Na época, eu morava na Rua Amadeu e para chegar à escola, andava muito. Nos dias de chuva ia com os pés descalços pela Rua Diamantina, patinando na lama.

Já ficando adolescente pensava, é claro, em agradar a algum menino da escola, procurando valorizar tudo de bom que julgava possuir em mim. Então, chegar com os sapatos sujos no colégio, nem pensar.

Assim, levava os sapatos com as meias num pacote, juntamente com um pedacinho de pano, que sobrava das costuras de minha mãe, que era costureira, para enxugar os pés, após lavá-los na Avenida, com a água da chuva que corria pelo meio fio.

Eu e minha amiga Maria Luiza, fazíamos isso com muita alegria, já vendo o resultado: pés limpos e enxutos, dentro de sapatos também limpos.

Tinha um detalhe: precisávamos chegar mais cedo, para que ninguém visse essa transformação. Na verdade, os pés ficavam muito diferentes, pois a lama espirrava entre os dedos.

Todas as vezes, com os pés já calçados, dizíamos: "Todo mundo pensa que chegamos de carro !!!". E saltitantes exibíamos nossos sapatos limpos.

E-mail: licidalva@ig.com.br E-mail: licidalva@ig.com.br
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Publicado em 26/10/2010 A lama era uma constante naqueles tempos. Alguns usavam galochas que tiravam e os sapatos estavam limpos. Em uma noite fria e chuvosa, ao voltarmos para casa, eu vinha com as duas mãos nos bolsos do casaco, escorreguei e cai de cara na lama . Nunca mais ande com as duas mãos em bolsos de casacos, meu pai ensinou enquanto tentavam me levantar e limpar...E, nunca mais coloquei duas mãos em bolsos, faça o frio que fizer... Enviado por Trini Pantiga - trinesp@ig.com.br
Publicado em 21/10/2010 Oi Lucidalva, seu relato me fez rir muito...Sou da mesma época e acompanhei situações parecidas. Lembro-me de meus primos que já trabalhavam no centro de São Paulo e quando chovia, eles colocavam sacos plásticos sobre os sapatos até chegarem ao ponto de ônibus, era muito divertido, principalmente quando alguém escorregava e caia na lama.
Um abraço
Enviado por margarete - margarete@nomminal.com.br
Publicado em 21/10/2010 Conheci, outro dia um rapaz cego que estuda na escola em que minha filha leciona e ela me disse que ele, pelo método Braile, é, de longe, o melhor e mais inteligente da classe. Cito isso pra comprovar que a nescessidade é o melhor incentivador de aperfeiçoamento. Se vcs queriam entrar na sala de aula calçadas, recorreram ao melhor expediente. Parabéns, Soledade, gostei muito do seu texto.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 20/10/2010 Era um tempo que se brincava na lama ou na peira, na lama uma banho rapido e tudo bem, na poeira tinha que tirar o cascão com caco de telha. Eita vida dura... Enviado por Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 20/10/2010 Interessante e inteligente a idéia de vocês.
Quando adolescentes, damos uma atenção exagerada às pequenas coisas porque não temos certeza de
nada e o mundo se apresenta como um "bicho papão".
A beleza estava justamente naquilo que vocês
queriam esconder!rs Parabéns, Lia
Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - lia.ferrero@hotmail.com
Publicado em 20/10/2010 Boa Recordação, lembrança de um tempo distante. Dia desses eu ví uma moça bonita, com o sapato cheio de barro, então pensei que ela devia morar bem longe, onde ainda não há asfalto e me lembrei dos tempos passados como era comum ver as pessoas com o sapato cheio de barro. Parabéns. Alaíde Enviado por Alaíde Silva Santos - alaide.santos2010@hotmail.com
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