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Categoria - Paisagens e lugares Teatro Paulo Eiró Autor(a): Luiz Boz - Conheça esse autor
História publicada em 10/04/2011
O Teatro Paulo Eiró é um próprio da municipalidade, instalado em uma praça em ponto nobre do bairro de Santo Amaro, inaugurado em 23 de março de 1957, e até os tempos de hoje, ainda é um pólo importante para o meio cultural da cidade, com apresentações de espetáculos de primeira qualidade.

Passou por inúmeros processos de reformas, para cada vez mais se adequar e modernizar-se ás necessidades de uma casa de entretenimento.
O teatro leva este nome para homenagear um dos mais ilustres santamarenses, na área de poesia, literatura, dramaturgia e ensino.

Outro dia, estava em um jantar de amigos, relembrei alguns acontecimentos do querido Paulo Eiró, e dos vários momentos vividos naquele simpático teatro, e esses amigos me solicitaram que os colocasse em papel tais relatos.

Parei alguns dias para pensar e foram me surgindo alguns casos, que ora passo a descrever.

Provavelmente na década de 60, veio uma companhia artística, para se apresentar no Teatro Paulo Eiró em Santo Amaro, com uma peça intitulada "Vida e Morte de Cristo", levada ao publico precisamente nas semanas anteriores e na própria Semana Santa.

Tinha um diretor e artista cujo primeiro nome Alessandro, que o sobrenome gostaria de não evidenciar, que durante um bom período ensaiava um elenco, que modestamente eu, e alguns amigos ainda crianças, fomos convidados a integrar.

Como esta companhia não possuía muitos recursos financeiros, foi nos solicitado que contribuíssemos com as vestimentas, e rapidamente, saímos à procura de tecidos, que com ajuda de nossas mães, converteram em túnicas de juta, amarradas na cintura, por um tipo de corda colorida, e nos pés uma sandália romana com tiras entrelaçadas nas canelas.

Então garbosamente passamos a representar como coadjuvantes, integrantes do povo, dotados de duas brilhantes falas:

A primeira quando perguntavam ao povo:

-Verdade falais?

Então respondíamos:

- Verdade.

A segunda quando tínhamos que dar o veredicto, pela condenação de Jesus, quando Pôncio Pilatos (prefeito da Judéia), ao impostar sua voz nos perguntava:

-Jesus ou a Barrabás?

E nós depois de um longo ensaio respondíamos:

"A Barrabás". (ladrão e assassino colocado em julgamento juntamente com Cristo).

E saíamos do palco, envaidecidos com nossos desempenhos.

Durante as apresentações oficiais, sucederam fatos, que para um espetáculo sério, o transformavam em passagens hilariantes.

Em uma das encenações, entrava um de nossos amigos, puxando uma égua, carregando Jesus Cristo, mas incrivelmente, parecendo que de propósito, ao se aproximar do centro do palco, a eguinha fez um trabalhinho completo (número 2), o público não se conteve em gargalhadas, e fez com que de imediato o contra-regra acionasse o fechamento das cortinas.

Na mesma noite quase ao final do espetáculo, o ator que fazia o papel de Judas, ia para um canto do palco, onde existia uma arvore, ele se enforcaria subindo em um banquinho cuidadosamente disfarçado e ao som de relâmpagos e com a iluminação quase na penumbra para dar uma melhor veracidade, e lá se foi Judas para o enforcamento. Mas quando a coisa tem que dar errado, acabou acontecendo o pior, ao dobrar as pernas para o enforcamento, o banquinho se deslocou caindo, o que fez a cena se tornar real, mais uma vez o contra-regra foi eficiente fechando as cortinas e todos os atores correram para retirar o Judas preso por sua garganta, corda e árvore. Se não fosse pelo corte brusco, talvez a platéia nem se apercebesse do ocorrido, tal foi a realidade apresentada.

Nas últimas apresentações tudo seria controlado, sem maiores problemas, há não ser o dia em que o diretor-ator Alessandro, que protagonizava o papel de Cristo, devido a sua exaustão e inadequada alimentação durante o período de ensaio e atuações, veio a desmaiar em meio de uma cena na qual carregava a cruz, o que tornou a mesma muito real.

Isso tudo ocorria por motivo da companhia teatral ser muito amadora, igual a seus atores e figurantes.

Ao longo dos anos, eles continuaram se apresentando, então mais ensaiados e experientes, e nós acompanhávamos já como assistentes, pois nossa passagem na vida artística não foi bem sucedida, para não dizer desastrosa.

Existem vários outros casos passados dentro do nosso querido Paulo Eiró, e se os leitores permitirem darei continuidade futuramente.


E-mail: luiz.boz@hotmail.com E-mail: luiz.boz@hotmail.com
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Publicado em 30/04/2011 Sr. Boaz....amei sua narrativa...dá pena em pensar que o lindo Teatro acha-se um pouco abandonado...Realmente poderia ser muito melhor aproveitado nas atrações culturais.. Ficarei ansiosa aguardando mais relatos...Abraços.. Jussara Enviado por jussara - jussaramunhoz@hotmail.com
Publicado em 23/04/2011 Hoje abro a janela e não mais vejo o nosso Teatro,
e voce Boz , com suas narrativas, nos permite reviver momentos maravilhosos de nossa infancia!! Parabens..... Não pare!!!
Enviado por Sueli Roth - sueliroth@hotmail.com
Publicado em 13/04/2011 Com certeza o nosso Teatro Paulo Eiró deveria receber atenção a altura de sua importancia. Sua pequena praça quase sempre suja e seu jardim sem trato. Quanto ao belo mural de Julio Guerra, que tristeza, além da poluição a enegrecer suas pastilhas algumas plantinhas a estabelecerem moradia certa nas fisuras displicentes. Parabéns pelo texto Enviado por rita cassia oliveira - rcco3@hotmail.com
Publicado em 12/04/2011 Ótima história e também muito bem contada. Espero que voce envie outras em breve. Abraços, Abílio Enviado por Abilio Macêdo - abilio.macedo@logoseng.com.br
Publicado em 11/04/2011 Lindíssima narrativa, Luiz. Continue escrevendo sobre nosso querido Teatro Paulo Eiró. Enviado por Aroldo Ramos da Silva - aroldoramos@gmail.com
Publicado em 11/04/2011 Um excelente texto de um teatro muito querido pelos paulistanos. Quanto a fatos engraçados, lembro-me de um tio de meu marido, um espanhol, que fazia o papel de Jesus em um circo de quinta categoria. Já amarrado na cruz pediu um cigarro e o fumava esperando ,quando a cortina se abriu fora de hora ,e foi aquele vexame... Enviado por Trini Pantiga - trinesp@ig.com.br
Publicado em 11/04/2011 Boz,com certeza vc. deve ter mais,o Teatro Paulo Eiro poderia ser melhor aproveitado,,mais utilizado,com muitos eventos,grande parte da pop. de Santo Amaro não sabe q. existe teatro em S.Amaro e muito menos a pop. de S.P.
Valeu e muito,sua lembrança.
Abs.
Enviado por vilton giglio - viltongiglio25@gmail.com
Publicado em 11/04/2011 Achei a encenaçõa da história de Jesus Cristo muito real. Conte-nos mais histórias, Boz, vc sabe mandar mensagens atraentes. Parabéns.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 10/04/2011 Boz,muito boa essas recordações, de nossa maior casa de espetáculo, nesse teatro de tantas tradições, onde também tenho muitas passagens boas na época de estudante em Santo Amaro e Socorro.O senhor está intimado a escrever mais sobre essa casa, para nosso deleite, parabéns ,Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
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