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Categoria - Outras histórias Inesquecimento Autor(a): Ana Maria Freire Antonio - Conheça esse autor
História publicada em 27/04/2011
Fui criada em São Paulo desde 1959 quando aqui chegamos oriundos de Carmo do Rio Claro, Minas Gerais, então com nove anos. Menina do interior, simples e achando que tudo era lindo, e era; passeava com minha mãe pela Estação da Luz, mágico. Aqueles prédios, ruas largas, o Jardim, tudo tão diferente, enorme pra menina interiorana, abobada com tanta coisa nova.

E o Bondinho? Nossa! Um trenzinho pequeno eu dizia, íamos para a Rua Tuiuti para um culto da Igreja O Brasil para Cristo, do missionário Manoel de Melo. Eu queria que o maquinista parasse a cada vez que via uma rapadura, e como via. Minha vontade era dirigir aquele trenzinho, chegava a pedir para pegar naquelas alavancas, sim, a gente andava ali na frente grudada apreciando tudo. E tinha o aberto e o fechado, mas eu gostava de andar no aberto, a gente subia e descia à vontade, era fácil, nada de portas, imagine.

Caminhar pela cidade, só com a cabeça olhando pro alto, aqueles prédios, que altura! Tudo me fascinava. E as pessoas, gente indo e vindo, tropeçando, às vezes caindo por causa da pressa, e eu? Apreciando tudo na minha inocência e curiosidade, como se tudo fosse só pra mim. Estou de volta nos meus sentimentos. Tudo era lindo.

Numa dessas ocasiões, vindo de não me lembro de onde pra casa, minha mãe, meu pai e minha irmã Vanizinha, ambas vestidas iguais, um vestidinho verde, cheio de babados, olhando pra cima como sempre, distraída perto da Avenida São João, ali embaixo, minha família atravessou e seguiu e eu, eu fiquei, quando percebi, que olhei, cadê? Aí foi aquele berreiro, e foi juntando gente e um policial eu acho, disse que me levaria pra casa, mas só depois do seu turno de trabalho, imagine; quando um transeunte viu os vestidinhos iguais e disse para meus pais que nesse momento estavam retornando para onde eu estava.

Me perdi depois dessa vez? Muitas, até hoje, pois sou muitíssimo distraída.

Amo São Paulo, amo seus habitantes, tem lugar aqui pra muita gente. De todos os lugares, aqui fizemos nossa história e aqui fazem histórias nossos descendentes.


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Publicado em 30/04/2011 Ana Maria, um amiguinho de infância também vindo de Minas Gerais, quando chegou na estação da Luz, foi andando olhando para cima encantado com a altura dos prédios, acabou dando uma cabeçada numa pilastra e ficou com um enorme galo na cabeça. Isso, acabou ficando no inesquecimento. Enviado por Mario Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 28/04/2011 Que maravilhosa narrativa! Só podia ser de uma mineira, doce no seu inesquecimento. Adorei! Parabéns e que Deus te dê muita luz para nos alimentar de suas inesquecíveis imagens.
Um grande abraço.
MC
Enviado por mary clair - clairperon@hotmail.com
Publicado em 27/04/2011 Pingente de uma cidade gande, Ana Maria, chegou até inventar um novo termo, "inesquecimento" que, com sua licença, vou passar a usa-lo. Se ele, o termo existe, é a primeira vez que tomo conhecimento dele. Seu texto é encantador, principalmente quando vc se refere aos bondes como "trenzinhos". Um doce pedaço de nossa infância. Parabéns, Ana Maria.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 27/04/2011 Também fui atraída pelo título deste seu texto...
Tudo era lindo, Ana? É porque você é linda!
Parabéns
Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - lia.ferrero@hotmail.com
Publicado em 26/04/2011 Ana Maria, gostei do neologismo, que substitui o inesquecível, se esta errado ou certo não sei, mas poderá entrar na próximo edição de algum dicionário e quanto a história, muito boa, eu já bati a cabeça em poste por olhar para cima, quando era criança, parabéns,Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 26/04/2011 Legal, Ana Maria, voce, realmente ama esta nossa cidade.Quando digo nossa, digo, a minha, a sua, São Paulo de todos nós. Tambem amo a sua terra, Minas Gerais. Abraços Enviado por Marco Antonio (Marcolino) - advancedtop@uol.com.br
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