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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Teatro Paulo Eíró II Autor(a): Luiz Boz - Conheça esse autor
História publicada em 14/06/2011
Voltando a falar do nosso querido Teatro Paulo Eíró, símbolo existente da cultura Santamarense; como alguns leitores mesmo manifestaram na história anterior, ele encontra-se um pouco abandonado e mal conservado.

E aproveitando, sugiro que um condomínio recém construído, junto a praça, faça a manutenção do jardim ali existente e que seja gradeado o mural do querido artista "botina Amarela" Julio Guerra, para que seja preservado de pichações.

Voltando aos acontecimentos daquela casa de espetáculos, lembro-me que, na metade da década de sessenta, existia uma pessoa muito conhecida, Mario Ferraz, que considero ser um propulsor do marketing para época. Ele possuía um "Bel Air" - 57 vermelho conversível e através de alto falantes divulgava um programa de calouros que ele mesmo produzia e apresentava nas tardes de domingo no Teatro Paulo Eíró.

Aquele programa era patrocinado por antigas empresas de Santo Amaro, que em troca ouviam seus nomes anunciados por aquele veículo de propaganda durante a semana. Lembro de algumas como a da Casa de Materiais de Construção Luzan, Farmácia Nossa Senhora Aparecida, Serraria Itararé e um dos primeiros cursos de Inglês de nome Yazigi.

As inscrições para este programa eram feitas na Farmácia já mencionada que ficava ao lado da Igreja Matriz e do Cine Marajá. Aos sábados eram marcados os ensaios, sempre acompanhados por um excelente violonista de nome Valdir, que inclusive possuía um curso de violão em Santo Amaro.

Eu me inscrevia durante a semana, ensaiava e no domingo soltava minha voz infantil, tentando abiscoitar o prêmio sempre oferecido ao ganhador que era sempre um long play, um kit perfumaria, matricula e primeira parcela de um curso de violão ou vale calçado.

Como morávamos nas imediações do teatro e não havia cobrança de ingresso, enchia o teatro de amigos e minha apresentação era sempre muito mais aplaudida que a dos demais concorrentes. Nossas apresentações eram julgadas por aplausos, e minha turminha ficava na platéia sempre em um lugar estratégico onde me ovacionavam. Aí eu me dava bem, apesar de quase não desafinar e ter uma voz bem colocadinha.

E me aperfeiçoei em "Chega de Saudades" de Jobim e Vinicius, a música que impulsionou a Bossa Nova.

E lá ia eu com:
-“Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece...”

No meio da música me entusiasmava, pois os meus amigos aplaudiam com tremenda vontade, que os jurados não tinham como me deixar fora da finalissíma.

Tal fato aconteceu por várias vezes, até os outros calouros perceberem e começarem a levar seus "fãs clubes". Então a partir daí, passei me dar mal, pois o programa era repleto de ótimos intérpretes, o que fazia com que a concorrência se tornasse dificultosa á obtenção do primeiro lugar.

E hoje vou divagando e passando para as pessoas os momentos puros e felizes que vivi no meu velho Teatro Paulo Eiró.


E-mail: luiz.boz@hotmail.com
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Publicado em 20/06/2011 Que os anjos tenham dito AMÉM na hora em que digitava o segundo parágrafo do seu divertido texto. Parabéns Enviado por rita cassia Oliveira - rcco3@hotmail.com
Publicado em 19/06/2011 Luiz, esses dois textos sobre o teatro são ótimos. Meus parabéns. Um abraço. Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 14/06/2011 Por falta de apoio dos "clakes", ficamos sem o Pavaroti de Sto. Amaro. Mas, o importante é competir, não é, Luiz? não perca as esperanças. Parabéns, Boz.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
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