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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas A Cidade de Santo Amaro e seu jornalismo historiográfico Autor(a): Carlos Fatorelli - Conheça esse autor
História publicada em 29/06/2011

O bairro Capela do Socorro, que se incorporava ao distrito de Santo Amaro, realidade anterior à oficialização de 1938, tem seu nome ligado ao marco importante para a aviação mundial relacionado à Primeira Travessia do Atlântico sem suporte marítimo pelo oceano.

Este épico ocorrido em 1927 foi realizado pelos aviadores, Francesco De Pinedo, comandante da Força Aérea Italiana e João Ribeiro de Barros, comandante brasileiro, natural da cidade paulista de Jaú, que amerissaram com seus hidroaviões Santa Maria e Jahú na Represa de Guarapiranga, reservatório de água da Região Metropolitana de São Paulo e fornecedora de energia elétrica da empresa The São Paulo Tramway, Light and Power Company Ltd.

O fato teve relevância à época, promovendo a vinda do maior industrial de São Paulo, Francesco Matarazzo a Santo Amaro conversar sobre a construção do "Monumento aos Aviadores da Travessia do Atlântico" para memória deste momento histórico. O empresário fez o pedido ao então prefeito em exercício de Santo Amaro, Isaías Branco de Araujo, convencendo-o da importância histórica do Monumento que foi idealizado pelo artista italiano Ottone Zorlini em 1929.

Isaías Branco de Araujo já havia decretado cumprimento dos nomes dos aviadores às ruas nas margens da represa de Guarapiranga, além da referência de Avenida Atlântica ao que era ainda uma estrada de terra que se ligava à obra da "AESA - Auto Estradas S.A.", uma estrada que depois recebeu o nome de Avenida Washington Luís, homenagem ao presidente deposto pelo golpe de 1930. Era uma construção arrojada e moderna para a época, ligando a "Cidade de São Paulo" à "Cidade de Santo Amaro" e que se completava ao Largo 13 de Maio, centro de Santo Amaro, através da Avenida Victor Manzini, outra homenagem justa ao idealizador do jornal A Tribuna, fundado em 1936, que cruzava pelo Rio Pinheiros passando pela Capela do Socorro dirigindo-se largo da Cidade Dutra.

Em depoimento ao jornal da região, "Gazeta de Santo Amaro", em novembro de 1960, Isaías Branco de Araujo, prefeito de Santo Amaro de 1917 a 1928, na época município do Estado de São Paulo declarava no subtítulo "De Pinedo e Conde Matarazzo": "Recepcionei João Ribeiro de Barros quando desceu com o Jahú na Represa. Em homenagem ao grande aviador, dei o nome à Avenida do Bairro do Socorro, este já existente antes das formalidades de fundação indicada como o ano de 1938. Quando o Conde Matarazzo, em nome da colônia italiana, veio a esta cidade tratar do monumento na represa em honra ao aviador, foi por mim recebido".

No início da década de 60, houve necessidade de ampliar a "picada" cortada na mata original que saía do Largo do Socorro, indo ao encontro do empreendimento da Auto-Estrada unida a Interlagos, sendo, mais tarde, a referida Avenida ampliada durante a gestão do prefeito de São Paulo, Francisco Prestes Maia, quando era o subprefeito de Santo Amaro Fernando Scalamandré Junior. Nesta época também houve a alteração do nome da Avenida Atlântica para Robert Kennedy, o Bobby, irmão do presidente americano John Fitzgerald Kennedy, que visitava o Brasil oficialmente, fruto da "Aliança para o Progresso" entre os países da América da década de 60 e que foram responsáveis de liberação de fundos financiadores de empreendimentos brasileiros.

Hoje estes homens são parte da historiografia, os Kennedy não são mais nome de rua e a biblioteca ex-Kennedy recebe as honrarias de seu idealizador Prestes Maia, sinal dos tempos transformadores do espaço santamarense.

Uma nova resolução atual, Lei nº 14.454, de 27 de junho 2007, define não ser mais possível colocação de nomes estrangeiros em ruas, avenidas, praças e logradouros públicos voltando deste modo o nome original de Avenida Atlântica, realizado por ato público em 19 de dezembro de 2010, que recebeu de volta também o "Monumento aos Aviadores da Travessia do Atlântico", no Parque da Barragem, na Represa de Guarapiranga.

Santo Amaro possui uma historiografia respeitável, como tantos outros bairros paulistanos, e que através de sua importância há a incumbência da preservação da historiografia e a hemeroteca de suas duas representações jornalísticas de imparcialidade, através do "A Tribuna", do inesquecível jornalista Victor Manzini e a "Gazeta de Santo Amaro", de inestimáveis préstimos de seu diretor Armando da Silva Prado Netto.

Santo Amaro sempre ofertou a melhor política, mesmo recebendo pouco em troca das benesses ofertadas, e atualmente é de grande interesse imobiliário e recebe investimentos, transformando o local de residências de comerciantes e operários em local de construções verticalizadas, mas que deve preservar em seu interior as características de um urbanismo, devendo manter a preservação ambiental, evitando os desmandos do passado.

E-mail: cafatorelli@gmail.com

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Publicado em 06/07/2012 Disculpen la molestia, pero vivo en USA y he sido amiga de Maria Helena Petrillo Berardi por mas de 40 anos. La he llamado por tel. y le he enviado mensajes y no se de ella. Serian tan amables de decirme si esta bien y donde pudo conseguirla??
Muchisimas gracias; quedare eternamente agradecida.
Enviado por Maria Teresa Pompei - maritepompei@gmail.com
Publicado em 03/07/2011 Dados históricos interessantes Fatorelli.Já se sabia algo do momumento citado. Santo Amaro sempre prestigiado por vc. e em outras histórias publicadas no site, do município que se transformou em bairro, isto responde ao Vilton Giglio cuja referência foi citada num bate-papo. Parabéns a todos vocês. Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 30/06/2011 Concordo, inclusive possuo a reliquia do album de Sto Amaro, onde conta a vida de meu avô materno.
Só que acho, quando a Gazetinha estava no seu melhor momento, deveria ter entrevistado e ouvido histórias, que não fazem parte de nenhum arquivo mencionado, ter pego memórias de seus descendentes, e incorporá-las semanalmente em uma pagina exclusiva.Só isso, o resto perfeito. Mais uma vez parabéns pelos resgates.
Enviado por Luiz Boz - luiz.boz@hotmail.com
Publicado em 29/06/2011 Façamos justiça à vasta bibliografia específica de pertencimento e identidade da “Cidade de Santo Amaro” escritas nos primórdios do século 20, muitos raros, da historiografia santamarense, outros mais recentes e que devem dar aporte a outras pesquisas futuras de outra realidade local em transformações constantes de São Paulo (há tantas outras dentro das coletâneas sobre o Município de São Paulo e que são de interesses constantes de orientação investigativa, além de material jornalístico concentrado em hemerotecas)
1-CALDEIRA, João Netto. Álbum de Santo Amaro (1935) São Paulo: Organização Cruzeiro do Sul-Bentivegna & Netto/
2-GUERRA, Juvencio; GUERRA Jurandyr. ALMANACK COMEMORATIVO DO 1º CENTENÁRIO DO MUNICÍPIO DE SANTO AMARO. São Paulo: Graphico Rossolillo/
3-SAMMARTINO, Paulo (redator). RECORDAÇÃO DO CENTENÁRIO DE SANTO AMARO. Typographia Selecta/
4-SCHMIDT, Afonso. A VIDA DE PAULO EIRÓ. São Paulo: Editora Nacional/
5-SANSON, Louis Romero. SANTO AMARO 1832-1932. São Paulo: Empresa América de Publicidade Ltda/
6-ZENHA, Edmundo. A VILA DE SANTO AMARO. (A Colônia Alemã de Santo Amaro /Santo Amaro de Paulo Eiró/ Onde o Primeiro Engenho de Ferro do Brasil) Revista do Arquivo do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo/
7-BERARDI, Maria Helena Petrillo. SANTO AMARO MEMÓRIA E HISTÓRIA. São Paulo: Scortecci Editora/
8-BERARDI, Maria Helena Petrillo. HISTÓRIA DOS BAIRROS DE SÃO PAULO: SANTO AMARO. São Paulo: Oficinas da Gráfica Municipal/
9-REIBEL, Ernesto. SOPRANDO AS VELAS YACHT CLUB SANTO AMARO. São Paulo: Donnelley Cochrane Gráfica Ed. do Brasil Ltda/
10-PASSAGLIA, Luiz Alberto do Prado. MERCADO VELHO DE SANTO AMARO. São Paulo: Gráfica Municipal de São Paulo/
11-Mello, Elisiário Venâncio (diretor). REVISTAS INTERLAGOS (Década 1950)/
12-Kuhlmann, Alberto. Projecto de uma Estrada de Ferro de São Paulo ao Rio da Ribeira. M.L. Buhnaeds & Cia/
Enfim, o trabalho é árduo, mas fascinante e todos devem estimar sua “identidade” local, onde perpetuam fatos e feitos da memória coletiva e que são abarcadas em São Paulo Minha Cidade em publicações variadas, que nos faz admirar outros locais que não são comuns ao nosso cotidiano.
Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 28/06/2011 Carlos, Santo Amaro tem história como poucos a ser contada, desde antes da fundação de São Paulo e voce com doses homeopáticas nos revela o bairro cidade a todos que participam desse site como autor e leitor, parabéns,Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 28/06/2011 Foi um municipio que virou bairro ou estou errado?
Me ajuda ai!Deveria estar no GUINES BOOK ofereceu muitas benesses e atualmente passa o chapéu para conseguir o q. é de lei,infelizmente conhecemos e muito Santo Amaro,modestia a parte,tudo de bom esta em Santo Amaro ou na Zona Sul ( sem bairrismo ) é a real.
Parabéns My Fryend.
Vilton Giglio
Enviado por vilton giglio - viltongiglio25@gmail.com
Publicado em 28/06/2011 Muito bom! Só fico triste por saber que a Gazetinha não tivesse explorado mais as histórias e seus personagens tão botinas amarelas. Aos poucos todos se foram ou estão indo, e a nossa gostosa história não foi revelada. O unico que divulgava e escrevia era o Sr.Edmundo Zenha,e quem atualmente fala e comenta é o Sr.Pavanelli, e também o Sr. que como diz o leitor Estan "em doses homeopáticas".abraços e continue. Enviado por luiz boz - luiz.boz@hotmail.com
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