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Categoria - Outras histórias O Rei do Mate Autor(a): Luiz Fernando Gonçalves Zanfelici - Conheça esse autor
História publicada em 04/07/2011

"São Paulo amanhece trabalhando, São Paulo que não sabe adormecer, porque durante a noite paulista vai pensando, nas coisas, que de dia vai fazer...”.

Todos os dias minha mãe me acordava pra ir para a escola e lá estava o rádio na Jovem Pan tocando essa música, que cada vez que ouço meu olho se enche de lágrimas. Essa música que me acompanha até hoje não só reflete toda São Paulo, mas sim o centro.

O lugar que na minha cabeça, quando pequeno, era impossível de chegar. Ia com minha mãe na Rua 25 de março, teatro municipal, pegava o metrô e, por fim, voltava para minha casa de ônibus na Lapa. Indo pela Avenida São João, olhava pelo vidro do fundo do ônibus ele, o maravilhoso e inexplicável edifício Altino Arantes, o famoso Banespa que na adolescência ainda é um dos meus lugares preferidos de ficar andando no centro.

Certo dia, quando eu era pequeno, estava com meu pai no parque Villa Lobos, e me veio à cabeça que tinha uma casa de chá no centro, e pedi pra ele me levar lá. O Rei do Mate na Av. São João, era o primeiro de São Paulo. O local onde todos paravam para se refrescar com um mate grande ou pequeno gelado, puro, com limão ou o clássico mate com leite, onde todas os estilos aparecem.

Depois dessas lembranças do centro de pequeno e a primeira vez que fui ao Rei do Mate, continuei indo todos os finais de semana e, conforme fui crescendo, a curiosidade de explorar o maravilhoso centro aumentava. Comecei a ir sozinho e conhecer a nossa verdadeira realidade.

Pegava o ônibus na Avenida São João ou na Praça Ramos, descia no Arouche ou no começo da Avenida São João e ia andando, vendo coisas, apenas coisas, que se vêem no centro. Chegando no cruzamento da Av. Ipiranga com a Av. São João, já observava o bar Brahma com seu clássico chopp e seu clássico samba. De lá atravessava a avenida e já conseguia sentir o cheiro do chá de longe e já me preparava para falar:
- “Me vê um puro pequeno.”

E na maioria das vezes nem precisava falar mais nada. Acabei influenciando muitos a irem ao Rei do Mate.

Minha vontade de ir ao centro apenas por ir aumentava, ia à noite para comprar livros, observar o Banespa iluminado ou ao teatro, andar pela Sé, comprar comida japonesa na Liberdade com a minha irmã e comer no metrô, andar pela Quintino, Quinze de Novembro, Rua do Tesouro, Rua do Comércio, 25 de Março; sentar-me na escada do teatro com meu pai e ver a movimentação, ir ao Café Girondino, Sala São Paulo, Mercado Municipal; ir ao topo do Banespa com a minha mãe, enfim, simplesmente andar e se sentir bem.

Muitas pessoas me perguntavam:
- “O que você vai fazer no centro?”

Simplesmente não tem explicação quem sente isso ou gosta de ir ao centro deve saber do que eu estou falando.

E por incrível que pareça nenhum Rei do Mate é igual ao da Avenida São João, em frente ao ponto de ônibus. Nem o Rei do Mate algumas ruas parra baixo tem o mesmo gosto. São histórias que só quem vive ou passa por São Paulo pode contar. Lugares que como o centro não tem explicação, a única coisa a dizer é: “é o centro”.


E-mail: luizgz@hotmail.com
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Publicado em 22/09/2011 Sou paulistano a 54 anos e desde os 18 vou ao Rei do Mate e tenho muito orgulho de morar na terceira maior metropole do planeta e, mais ainda pelo texto que foi escrito por nada menos do que meu filho. Te amo muito filhão e parabens pela homenagem à São Paulo. Quem nasceu nesta cidade passa para a proxima geração as delicias de entrar no primeiro Rei do Mate do Brasil. Obrigado por voce mencionar seu pai com um dos incentivadores em amar são paulo. Beijos e Te amu Enviado por Marco Antonio Zanfelici - mantonioz_5@hotmail.com
Publicado em 22/09/2011 Meu amigo, gostaria de compartilhar contigo sobre esse maravilhoso Centro de São Paulo e o nosso Rei do Mate, frequento o local desde os meus 15 anos quando era office-boy e até hoje nos meus 44 anos não passo por lá sem tomar "um com leite". O que eu mais gosto do local é o tratamento dos funcionários, as vezes fico meses sem aparecer, mas quando chego todos logo lembram de mim. Obrigado pelas lembranças. Enviado por Antonio da Silva Oliveira - antonio.rh@terra.com.br
Publicado em 21/09/2011 Aprendi a gostar e "ver" a beleza do centro, apreciando um chá gelado a quelquer hora do dia, graças aos convites do meu irmão: "Mãe, eu vou no centro. Eai Ana, vamos?". Obrigada por me mostrar essa parte tão bonita e cultural de nossa cidade. Amo você Lu. Enviado por Ana Carolina Zanfelici - anacarolgz@gmail.com
Publicado em 05/07/2011 Comecei a minha vida profissional no Lgo. Paiçandu em 1969 e a partir dali virei freguês assíduo do Rei do Mate. Havia na São João uma única loja e ao lado dela a Casa do Mate, que depois foi incorporada à primeira dando origem a uma grande rede. Lá na São João, até há pouco tempo, ainda podia-se encontrar o mesmo gerente dos primeiros tempos. Enviado por Tony Silva - silva.luiz2006@ig.com.br
Publicado em 05/07/2011 O centro de S.Paulo ( ou cidade como costumamos dizer) é isso tudo e mais um pouco.Gostei muito deste seu texto. Um abraço, Enviado por Trini Pantiga - trinesp@ig.com.br
Publicado em 05/07/2011 maravilha, ouvir historias da minha cidade, so me faz sentir muita alegria e orgulho de ser Paulistana de coração... Amei!!!!! Enviado por claudia - claudia-andrade12@hotmail.com
Publicado em 04/07/2011 o rei do mate, do shopping ibirapuera, e otimo,
tem salgados deliciosos, teu uma epadinha coisa de louco,
Enviado por joao claudio capasso - jcccapasso1@HOTMAIL.COM
Publicado em 04/07/2011 Voce tem toda razão! O rei do Mate da Av.S.João é imbatível. Fui a primeira vez no final de 1968 e tenho voltado lá sempre que posso, para um puro.O velho centro de SP é insuperável, pois tem coisas que só lá mesmo. Muito legal seu texto, lembrou-ma minha adolescencia. Abraços. Enviado por Alfred Delatti - alfredpd@gmail.com
Publicado em 04/07/2011 Luiz, antesmesmo de se poder viajar no Metrô, eu já saboreava os produtos do Rei do Mate da São João. Muitas vezes saí do Cine Rotz São João direto para aquela portinha do outro lado da rua e ali matar a minha sede.
Pindos tempos aqueles.....
Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 04/07/2011 Belo relato, Luiz, sinceridade acima de tudo. Os pontos mencionados ficarão guadados em sua memória por muitos anos. Parabéns, Zanfelice.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
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