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Categoria - Outras histórias Ao Tucuruvi, gris Tucuruvi Autor(a): Lúcio Kume - Conheça esse autor
História publicada em 02/08/2011
Dos seus altos em guarda
Teu verde esplendor camuflavas
A dura sombra
de uma guerra distante,
tal carcaça ferida
inconciliada;
1932 d.C., onde hoje,
Rastro apagado,
nos dá companhia aqui
Agora um hipermercado

Pois tu, tu mesmo T.,
Tuas ladeiras morrem em minha dor
(em cheio),
Abandono-me na insignificância)
antes
Velo o irreparável chão impuro
das horas guardadas; aqui
ou ali ouço disparar carências
onde há tempos
meus pés surrupiam
dor-tripas passadas

pois então,
lavremos esse chão de pegadas
quando azuluz na noite
tucuruvises de nascença,
uma vez que esplende
o raro lampejo
da amorfa cicatriz gris
no torso;
pois tu, tu mesmo T. - estás comigo,
teu lume também me pertence.


(Tucuruvi, 1963. Nesse tempo, o grande morro que circundava o então moderno complexo imobiliário do Cine Valparaíso exibia uma densa paisagem verdejante de bananeiras e jabuticabeiras.

Era garoto ainda, mas lembro bem da história: diziam os mais antigos, toda essa região incrustada entre as avenidas Nova Cantareira, Tucuruvi e a Rua Domingos Calheiros, graças à sua topografia, fora também palco estratégico - posto de observação e sentinela - do conflito histórico denominado Revolução Constitucionalista, ocorrido no ano de 1932.

Um pouco por conta desse fato ou boato, incorporei esse "mito (sub)urbano" aos versos iniciais. Uma alusão, talvez apenas curiosa e extemporânea, tanto que ao longo de algumas décadas tudo veio a desaparecer, tragado pela odisséia modernizadora que de tempos em tempos empreendemos, para, quem sabe, inconscientemente apagar da nossa memória todo "sangue, suor e lágrimas" fincado em nossos corações.)


E-mail: luc.graph@yahoo.com.br
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Publicado em 04/08/2011 Eu nasci e fui criado na zona sul, mas de 1988 a 1992 passei por aquela região ido para Guarulhos onde fiz faculdade .Onde hoje é o Carrefour lembro do prédio do cinema desativado e cheguei a observar do onibus parte desse morro, com plantações de milho, se nao me engano. Me surpreendi quando pouco tempo depois o morro sumiu Enviado por Luiz Carlos Pereira - lcarlospereira@gmail.com
Publicado em 03/08/2011 Estilosa e sofisticada homenagem a um bairro muito querido por todos. Versos que fogem a uma escola específica, rimado espontaneamente, sem um critério fixo, que daria uma composição mecânica. Parabéns, Lúcio.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 03/08/2011 Lúcio, morava eu na Parada Inglesa e cansei de chupar jaboticabas da chácara do Valparaizo. Enviado por Marcos Loureiro - marcoslour_ti@yahoo.com.br
Publicado em 03/08/2011 Lúcio, gostei da forma que homenageia o bairro, dá para sentir a diferença do passado e presente, parabéns,Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 02/08/2011 Belíssimo texto, poeta! Enviado por Cida Micossi - cida.micossi@gmail.com
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