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Categoria - Outras histórias Relembrando... Autor(a): Ludovina Maximo - Conheça esse autor
História publicada em 21/09/2011
Era uma simples casinha que parecia ter sido desenhada por uma criança iniciante nessa arte.Toda branca e com portas e janelas de madeira rústica, pintadas de azul. A sua volta, muito verde. Arvores frutíferas, verduras e flores.

O espaço era pequeno, apenas quinhentos metros quadrados, mas muito bem aproveitado. Eram laranjeiras, pereiras, caquizeiros, pessegueiros... As parreiras formavam caramanchões onde, aos domingos, a nossa grande família se reunia para o almoço.

Verduras eram as mais diversas, alface, couve, catalonia, escarola, chicória, salsa, cebolinha vagem, ervilha e outras. Também encontrávamos muitas ervas, utilizadas para fins medicinais e para temperar diversos pratos. Tudo era cultivado pelos meus avos e distribuído para a família e os vizinhos.

Algumas poucas coisas eram vendidas nos fins de semana, quando minha avó - morando no Tatuapé e provida de uma grande cesta cheia de produtos ali produzidos - se dirigia ao Mercado Municipal de São Paulo, tomando um bonde chamado de “camarão” que ia da Penha ate o Mercado Municipal, passando pela Av. Celso Garcia.

O bonde era tinha dois bancos no seu comprimento e um espaço entre eles para os volumes que os passageiros levavam. Era usado principalmente por pequenos agricultores domésticos, que podiam carregar para o “centro” os produtos que comercializavam. As cestas da minha avó voltavam cheias de alimentos adquiridos no Mercado Municipal. Era praticamente uma troca.

Ah! E as flores! Como eram lindas!

Rosas, camélias, jasmins, margaridas, copos de leite, cravos, violetas, amor perfeito, palmas que no tempo da florada cobriam de branco um grande espaço chamando atenção de todos que por ali passavam, pois que não havia muros, somente uma cerca de arame com trepadeiras cheias de cachos de “rosa chorão”, dando um encanto natural a toda aquela simplicidade. Lembro-me da cesta enorme, toda florida, carregada por minha avó para o Mercado Municipal para vender durante o dia de finados.

Toda manha o perfume o perfume que exalava desse quintal era inesquecível, principalmente quando floriam as laranjeiras e os jasmins. Os pássaros, borboletas e cigarras “marcavam o ponto” todos os dias, nos deliciando com sua musica, tão naturalmente harmoniosa.

Os responsáveis por essa maravilha eram os meus avós, portugueses, lavradores em sua terra, humildes, batalhadores, dignos e de muita sabedoria.

Ah! Quanta saudade de minha infância, muita dificuldade e ao mesmo tempo felicidade. Agradeço a Deus pela base sólida e digna que tive. E lá se foram décadas. Restam-me as boas lembranças!


E-mail: lumaxbr@yahoo.com.br
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Publicado em 02/06/2012 tTudo tão lindo!!! Tambem faz parte da minha infancia junto com vc. que SAUDADE! bjos Enviado por tide - clotildeguipar@hotmail.com
Publicado em 01/11/2011 Muito linda esta história, comovente por ser a minha família em destaque. Lindo mãe, vc é dez. Enviado por Regina - inama@bol.com.br
Publicado em 22/09/2011 Linda a sua recordação, Ludovina, intimamente ligada a flores, hortalissas, verduras, frutas trazendo até nós os dias de muito trabalho, dificuldades e muita felicidade. O bonde que sua avó tomava pra ir ao mercado central, não era o "camarão", era verde, semiaberto pra passar sacos de verduras, especial pra chacareiros e a passagem era mais barata: um tostão,(cem réis); o normal, na época era duzentos réis, o dobro. Parabéns pela bela história, Máximo.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 22/09/2011 Parabéns Ludovina! Você escreve muito bem, até pensei que eu estivesse lendo um bom livro de literatura brasileira ou portuguesa. Os olhos femininos observam os detalhes que transmitem para o cérebro e que armazena as lembranças, citadas e relatadas tão bem neste texto suave e gostoso de ler. Enviado por Carlos Rocha - carlos.rocha@terra.com.br
Publicado em 22/09/2011 Ludovina, que história encantadora, passada no bairro do Tatuapé. Assim como você, meus avós também eram de Portugal e cultivavam flores e legumes, apenas não tive a felicidade de conhecer os bondes. Aguardamos mais histórias. Felicidades. Niderce Teresa Enviado por Niderce Teresa - niderceteresa@bol.com.br
Publicado em 21/09/2011 Ludovina, bons tempos! Quanto a sua colocação: ... eram os meus avós, portugueses, lavradores em sua terra, humildes, batalhadores, dignos e de muita SABEDORIA... lembrei de uma frase de um poeta patrício de seus
avós: "O homem mais sábio que conheci, não sabia ler e nem escrever." Saramago- referindo-se ao Avô dele. Parabéns !
Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 21/09/2011 Prezada Ludovina, sua história me trouxe a lembrança da compra de flores na chacara, assim por nós chamada, onde seus avós cultivavam tão lindas flores. nos dias de finados e outros: uma querida lembrança. abs Marisa Enviado por marisafrediani - marisafrediani@gmail.com
Publicado em 21/09/2011 Belas lembranças, de uma infância ainda idílica. Abraços. Enviado por Luiz Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 21/09/2011 Ludovina... você é ótima! Escreva sempre!
Parabéns.
Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - lia.ferrero@hotmail.com
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