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Categoria - Outras histórias Vendendo verduras nas ruas da Penha Autor(a): Rubens Rosa - Conheça esse autor
História publicada em 30/09/2011

No bairro da Penha meu pai tinha uma chácara de verduras e frutas, na Avenida Gabriela Mistral, que dava fundo para a linha do trem da central. Plantávamos almeirão, couve, copo-de-leite, catalonias, salsinha, cebolinha, margaridas, e muitas coisas mais. Eu ajudava a montar os maços, amarrando com "resma" (um tipo de mato comprido), cortávamos “bem fininho” e servia para amarrar e fazer os maços.

Eu saia pelas ruas do bairro com uma cesta de palha vendendo de porta em porta, todos me conheciam, aos domingos era sagrado, eu ficava no final da Rua da Penha com a Avenida Gabriela Mistral, tinha a farmácia do Sampaio a feira de domingo, eu ficava lá com um carrinho de tabuas, vendendo essas verduras e as flores, principalmente o copo-de-leite, e a renda da família vinha desse serviço.

Nossa chácara também recebeu pessoas ilustres da época da TV Tupi, tais como Luiz Gustavo (Tatá), Geórgia Gomide, Gui Lupe, Lolita Rodrigues, pois havia um centro espírita na rua que eles frequentavam, e iam a nossa chácara comprar flores, sentavam na varanda e conversavam com a gente tranquilamente.

E eu também atravessava o Rio Tietê com uma canoa de madeira, ia até outro lado, que já era Guarulhos, pois o meu pai ajudava em outra chácara. Meu pai e outros chacareiros abasteciam o mercado das flores do Largo do Arouche, infelizmente em 1970 meu pai veio a falecer e eu não toquei mais a chácara, acabou ficando abandonada.

Se naqueles dias eu tivesse a visão que tenho hoje, talvez estivesse muito rico, como estão os lojistas/floristas do Largo do Arouche. Mas valeu, foi uma vida/infância maravilhosa, calcada com honestidade, respeito, lisura, honra e simplicidade.

Também trabalhei ali no armazém do Vicente, era tudo em sacos, arroz, feijão, farinha, milho. Ia fazer as entregas de carroça, puxada por um belo cavalo de estimação e no dia do pagamento ficava todo contente, pois ganhava uma lata de doce chamada de 4 x 1 (era da Cica), um doce com 4 sabores.

Era só alegria, e nas mãos da minha mãe entregava todo o meu pagamento, que ajudava no sustento da casa, esses trabalhos honestos foram a maior universidade que eu fiz, com PhD de felicidade, e hoje saudade, valeu!


E-mail: rrosa49@yahoo.com.br

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Publicado em 07/10/2011 Que maravilha ter uma infância igual a sua para recordar! Parabéns! Você é um privilegiado e garanto que a convivência com uma família como a sua deve ter feito de você uma pessoa com profundos e verdadeiros valores!
que a convivência com uma família tão maravilhosa deve ter feito de você uma pessoa com profundos e verdadeiros valores!
Abraço
Célia
Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - rccsimonato@hotmail.com
Publicado em 06/10/2011 Rubão pelo que lhe conheço, você malhou pra caramba...inclusive no exterior, em Dallas-EUA. Receba de seus amigos o respeito dígno de um bom trabalhador, que merece o seu salário. Imagino que você mereceria o titulo de cidadão do mundo. Parabéns. Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 05/10/2011 Parabens Rubão, me lembro das feiras aos domingos, da Rua Gabriela Mistral, saída para Guarulhos, da descida e depois subida para o Cangaíba. Meus tios moravam na rua Carlos Meira. Tambem vendi biju da dona Doxa, nas Ruas da Penha. Não o conheci pessoalmente, mas vivemos no mesmo pedaço. Desejo muitas felicidades. Enviado por Hermes C.Figueiredo - hermes.figueiredo@yahoo.com
Publicado em 03/10/2011 Rubens, Que privilégio ter a oportunidade de ter uma infância assim tão próxima ao contato com coisas boas e verdadeiras. Hoje em dia vemos tantas crianças submersas entre monitores, telas de Tablets, celulares, MP3, 4..., games, notebooks, netbooks, etc que tem lá seus benefícios, porém, os fazem perder o sentido de coisas palpáveis e verdadeiras. Que lembranças essas crianças terão para contar? Sempre me pergunto. Consolata. Enviado por Consolata Panhozzi - cpanhozzi@gmail.com
Publicado em 03/10/2011 Rubens, como a família era unida, situação bem diferente de hoje. A riqueza que você possui tem outra classificação. O respeito, sua maturidade, a colaboração e o amor pela sua família são jóias caríssimas e não tem comparação. Adoro ouvir falar da Penha de França, tá lindo seu texto. Enviado por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br
Publicado em 03/10/2011 Joel, acho que podia ser figada. Enviado por Pedro Cardoso - piparoda@gmail.com
Publicado em 02/10/2011 E você diz que não é rico. Ledo engano. Você é muito rico, basta ler o seu relato. Felicidade é a maior de todas as riquezas. Enviado por Marcos Loureiro - marcoslour_ti@yahoo.com.br
Publicado em 02/10/2011 E como valeu! Parabéns por tudo e pelo maravilhoso pai, que cultivava flores. Há uma frase que diz, " fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas". Enviado por Trini Pantiga - trinesp@ig.com.br
Publicado em 30/09/2011 Sr. Rosa: parabéns por lembrar-nos dos bons tempos passados. Lembrei-me perfeitamente do "4 em 1" da Cica. Numa lata circular, quatro quadrantes de doces (marmelada, pessegada, goiabada e mais um que não me ocorre no momento). Eu também gostava! Enviado por joel benega - jbenega@uol.com.br
Publicado em 30/09/2011 Gostoso aquele tempo, né Rosa? verduras, legumes, e flores, tudo fresquinho, atravessar o Tiete de barco, que coisa melhor? Excelente recordação, Rubens, a cândida eloquência de seu relato, é primoroso. Parabéns, Rosa.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
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