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Categoria - Personagens Manézinho do Itaim Autor(a): Mario Lopomo - Conheça esse autor
História publicada em 12/12/2011

Manézinho era uma das figuras mais conhecidas do bairro do Itaim Bibi. Seu nome de batismo era Nelson, mas quem o fosse procurar pelo nome real, ninguém sabia dizer de quem se tratava. Agora se alguém perguntava pelo Manézinho, ai à coisa mudava.

Seu ponto de partida para idas e vindas das jornadas noturnas era o Bar Star, na Rua Joaquim Floriano, esquina com a Rua Renato Pais de Barros. Ali ele discutia futebol e turfe, dois de seus esportes favoritos. Era corintiano fanático e estava cabreiro pelo fato do "timão" estar na fila sem ganhar títulos. Era motivo de muita gozação dos amigos como Claudio Dotti, e os demais amigos que torciam pelo Palmeiras e São Paulo, mas tudo isso ficava na boa amizade que ele tinha com o pessoal.

Em termos de turfe ele fazia questão de mostrar que sabia tudo, da mesma forma que entendia de futebol. Sabia o nome de proprietários de haras e Stud, locais onde os animais, ficavam alojados, e até as cores das fardas das fardas usadas pelos jóqueis ele sabia de cor. Tinha conhecimento dos jóqueis, como Pierre Vaz Luiz Gonzáles e José Alves que morou no Itaim, na Rua Bandeira Paulista. Estava sempre no jóquei, para jogar no páreo a páreo, e quando ia ao Pacaembu ver o seu Corinthians, fazia as suas acumuladas na agencia central do jóquei, na esquina da Rua Boa Vista com a Ladeira Porto Real.

Para ele o Corinthians na linguagem turfística era o Gualicho, cavalo campeão dos grandes prêmios São Paulo e Brasil no inicio dos anos 1950. Manézinho trabalhava na firma de moveis Artesanal, Rua Arnaldo (hoje Rua Bandeira Paulista) onde eu, o Mario Alimari e outros trabalhavam.

Em uma sexta feira do mês de setembro de 1964, o motorista da firma tinha uma entrega a fazer na cidade de Santos, e sabendo que Manézinho gostava de uma praia o convidou para ir com ele, que com a anuência do chefe, acabou aceitando e indo.

Depois de fazer a entrega, eles estavam na praia andando a beira do mar com água pela canela, quando Manézinho caiu em um buraco e quando subiu já estava roxo e morto, por um colapso cardíaco fulminante. Foi uma comoção no Itaim. Eu ainda não sabia do acontecido, quando minha irmã veio me dizer que o irmão de uma colega dela da Kopenhagen tinha morrido, e que ele era muito amigo meu. Disse que se chamava Nelson, e eu não me lembrava de ter algum amigo com esse nome. Mas quando ela se lembrou que as pessoas o chamavam de Manézinho me dei conta do amigo.

Já eram 13h30 daquele sábado e o enterro estava marcado para ás 15h. Ainda deu tempo de ir até a casa dele e ver pela ultima seu rosto castigado pelo colapso fulminante. Aproveitando uma carona do Zangari, fui ao cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, onde ele foi enterrado.

No ambiente de muita tristeza teve alguém que chegou a dizer:
- “Que coisa! Agora que o Corinthians vai se campeão o Mané foi morrer!”

Mas o Corinthians não foi campeão naquele ano, e ainda levou uma goleada de 7 a 4 do Santos, e o Manézinho se privou de mais uma raiva, daquelas que estávamos acostumados a ver no Bar Star.


E-mail: mlopomo@uol.com.br

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Publicado em 20/10/2012 Mário
Conheci o Manezinho, ou Nelson P. Dias, seu nome de batismo, quando trabalhei na Forma (ex Artesanal), entre os anos de 1958/1962.Eu tinha 14 anos de idade, era aprendiz de marceneiro e cursava o Senai. Certo dia, incumbido pelo Sr. Guido (gerente geral da fábrica)para fazer o apontamento da produção dos empregados da seção de lustração. Não conhecia ainda o Manezinho e chamei pelo seu nome Nelson P.Dias, ninguém sabia quem era. Nisso levantasse alguém e diz : Nelson aqui não pede nada (em alusão ao P.Dias), eu sou Manezinho. Foi um riso só, fiquei vermelho de vergonha. Como se diz hoje : paguei um grande mico.
Enviado por MARCOS ANTONIO DOS REIS - marcos-a-reis@ig.com.br
Publicado em 15/12/2011 É veradade, o Roque Dotti era casado com a Filomena Lopomo. Tanto é que lé em casa tem uma foto desse tal Salvador Dotti. Enviado por Guilherme Calli - guilhermeacali@hotmail.com
Publicado em 13/12/2011 Mário, esse Claudio Dotti, se for filho do Roque Dotti,era primo do meu avó. Por quê se eu não me engano, Roque, era casado com uma tia Calli.....Não Guilherme. Meu tio e padrinho Roque Dotti, não era casado com sua atia Calli. Ele era casado com minha, Tia e Madrinha, Filomena, Mãe, do Claudio, Miguel, Salvador, Caetana, e Carmela. Minha tia era irmã do pai do Osvaldo e Francisco Calli, (Piqui), que vendia na rua frutas ou peixe. Enviado por Mario Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 13/12/2011 FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO
MODESTO
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 12/12/2011 A partida do seu amigo é dolorosa para os que aqui ficam mas é um prêmio para os que partem. Um minuto apenas... sem dor, sem hospitais. Meu irmãozinho morreu assim, durante um evento, morte abençoada diante de tanta violência, tantas dores, tanto sofrimento. Enviado por Trini Pantiga - trinesp@ig.com.br
Publicado em 12/12/2011 Mário, esse Claudio Dotti, se for filho do Roque Dotti,era primo do meu avó. Por quê se eu não me engano, Roque, era casado com uma tia Calli Enviado por Guilherme Calli - Guilhermealcali@hotmail.com
Publicado em 12/12/2011 Mário, a sua homenagem foi muito bonita. Parabéns, mas perder um amigo é sempre um problema sério, duro de engolir. Um abraço e feliz Natal. Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 11/12/2011 Mário, é triste mas é bonita. Porem você não deve ser corintiano, se fosse saberia que o Manezinho morreu feliz, porque ser corintiano é muito mais que ganhar ou perder, de ter ou não ter, é ser, apenas ser. Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslour_ti@yahoo.com.br
Publicado em 11/12/2011 Mario, Manézinho não pertence mais ao Itaim Bibi,agora lá no céu, está muito feliz por ser lembrado por você. Que ele descanse em paz. Um abraço. Enviado por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br
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