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Categoria - Personagens Deixe o sol entrar - Segunda montagem 1971/72 Autor(a): Luiz Carlos Marques - Luigy - Conheça esse autor
História publicada em 21/02/2012

Houve um tempo que subir e descer a Augusta fazia parte da minha rotina diária. Em 1971, matriculado no Cursinho MED, saia do Banco Real na 24 de Maio, onde trabalhava, e subia a Augusta em direção a Lanchonete “Crazy Cat” ao encontro de uma turma que parecia morar ali.

Nessa lanchonete (“Crazy Cat”) formávamos uma turminha de futuros e pretensioso compositores: com o Paulo Roberto Santiago (Sants), o Beto, Trans, a Rose, o Robson e eu.

Ao invés de frequentar as aulas no cursinho MED, agente se mandava para lá na tentativa de se aplicar cada vez mais na arte de beber, cantar e compor. Músicas, letras e jingles saiam a todo instante. Todo dia tinha cantoria.

Para variar, de vez em quando saíamos em busca de novos bares e botecos, festas ou qualquer tipo de despedidas. A animação, às vezes, acabava rendendo além dos aplausos, uma passada de chapéu para recolher grana para a cerveja. Todo mundo fazia parte da turma.

Esmê (Esmeralda de Souza): Quando a conheci, era a garçonete mais bonita do “Crazy Cat”. Morena jambo, de olhar meigo que chamava a atenção de todos pelo conjunto da obra. Esmê, era natural do Rio Grande do Norte, tinha como sonho de ser artista... No dia de seu aniversário, fizeram uma festa surpresa para ela. E também para mim, pois "o presente dela" acabei sendo eu.
Acabei então me tornando o namorado da Esmeralda.

Por seu uma pessoa muito simpática e alegre com as pessoas, jamais desconfiei do seu interesse. Entendia tudo como uma bela amizade. Mas ela não... Nossos amigos comuns tramaram a favor dela, sem que eu nada soubesse... Ela era mais vivida que eu, tinha 28 anos e eu apenas 22.

Ali aprendi a fazer música (letras), aprendi a amar e a conhecer o lado “out” da cidade. Praticamente "dado como presente" de aniversário fiz a minha estréia no mundo dos adultos. Ficamos juntos por quatro meses.

Fuçando aqui e ali, ela acabou cavando um teste para fazer parte do elenco da peça “Hair”. Na surdina, foi aprovada para fazer parte do elenco da segunda montagem de ““Hair”” 1971/1972. Mais adiante fez parte do elenco teatral do Tem Banana na Banda contracenando com Zezé Mota e nunca mais parou.

Estávamos juntos, quando ela me convidou para assistir a peça “Hair” que eu não havia assistido. Não tinha a menor idéia do seu papel e qual seria sua atuação.

“Hair” sempre foi um sucesso em todos os países onde foi montada. A peça entusiasmava o público que era levado a se manifestar.Num determinado momento da peça, o público era surpreendido quando atores e atrizes tiravam suas roupas e ficavam nus em pleno no palco... Apenas com a luz negra.

Quase cai pra traz ao ver a minha namorada nua no palco com um bando de gente. Em 1971 Estreava em São Paulo a 2ª montagem brasileira do musical “Hair”, no palco do Teatro Aquarius, mais tarde Teatro Zaccaro, no bairro do Bixiga

Tempos depois ela foi para o Rio convidada a participar de outras peças teatrais. Depois de inúmeras batalhas ela chegou onde queria, a vida de artista. Pesquisei na net, sobre suas andanças, mas não tive mais resultados.

Acabei perdendo o contato com ela, mas rendo aqui a minha sincera homenagem para a Esmê.


E-mail: luigymarks@uol.com.br

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Publicado em 23/02/2012 Se tivesse ido com ela, quem sabe, sua história seria outra... e você não estaria aqui contando-nos os seus "causos"! Parabéns, Luigy. Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - lia.ferrero@hotmail.com
Publicado em 23/02/2012 Sr.Luigy,no final da sua história pensei q. estivesse com ela,muito legal,vamos fazer um volta Esmê,cade a Esmê,falta a Esmê,esse musical e muito legal,rimou,artista e sempre artista nasce assim e depois se molda,assim como todas as profissões,segundo "Fruid". Eramos felizes e não sabiamos.(desculpe a brincadeira)
Um abraço
Enviado por vilton giglio - viltogiglio25@gmail.com
Publicado em 22/02/2012 Bela história e justa homenagem,vc participou de uma fase importante da produção teatral e do contexto cultural dos anos setenta em São Paulo,que ecoavam também em todo o Brasil.Importante e histórico registro,parabéns! Enviado por Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - anamarisribeiro@ig.com.br
Publicado em 22/02/2012 A moça tem o mesmo nome da camareira agredida por Dado Dolabela. Enviado por Almir - almir1960@hotmail.com
Publicado em 22/02/2012 Assisti a primeira montagem a do Altair Lima , ganhei ingressos, na época eu fazia parte da diretoria do Sindicato dos Artistas e técnicos juntamente com o Ator Juca de Oliveira. Foi um musical maravilhoso principalmente pela Musica Aquarius um grande sucesso. Enviado por Arthur Miranda - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 21/02/2012 Luigy, não fui assistir a peça porque era proibida pelo meu pai, mas tinha minha vontade.Estou com você nesta tua homenagem a Esmê. Parabéns pelo texto. Enviado por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br
Publicado em 21/02/2012 Aí é que está, Luigy enamorado de uma "popstar" sem o saber e ela abandonou-o sem saber a joia que estava deixando. Não se preocupe, Luiz Carlos, um dia ela retorna, como todas mas, aí, o papo é outro. Parabéns, Luigy, bela narrativa.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 21/02/2012 LUIS, CURTIR MUITO ESSA ÉPOCA ANOS 70 NA RUA AUGUSTA, A PEÇA HAIR ASSISTI PELA PLRIMEIRA VEZ NO TEATRO S.PEDRO NA BARRA FUNDA (UMA LOUCURA NA ÉPOCA), DEPOIS ASSISTI A MONTAGEM NA B.VISTA TEATRO AQUARIUS-FORAM ANOS DOURADOS, O QUE MARCOU TAMBEM FOI A PEÇA " B E N T " NO TEATRO DO SENAC/R.DR.VILA NOVA-FOI SIMPLESMENTE SENSACIONAL,ABRAÇOS RUBÃO Enviado por RUBENS ROSA - RROSA49@YAHOO.COM.BR
Publicado em 21/02/2012 Luigy, essa peça foi bem badalada na época, era muito atirada e eu logicamente não pude vê-la pois era noiva naquela época e meu noivo(hoje marido) não deixou, que pena. Abraços Sônia Enviado por Sonia Maria de Paula - depaula.artes@ig.com.br
Publicado em 21/02/2012 Luigy, que história!!! Tomara que a reencontre, afinal, acho salutar rever conhecidos antigos...
Abraços
Enviado por Cida Micossi - cida.micossi@gmail.com
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