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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Pompéia Autor(a): Alvaro Glerean - Conheça esse autor
História publicada em 23/03/2012
Todas as pessoas no decorrer de suas vidas têm a oportunidade de presenciar modificações que ocorrem em seu entorno. Ficam evidentes as transformações acontecidas em sua cidade e no seu bairro. Moro na Vila Pompéia desde a década de 70, na Rua Guiará e tive a oportunidade de ver significativas transformações.

Morávamos em um bairro um tanto distante da Pompéia e me lembro que quando comentávamos que íamos mudar para lá, as pessoas em geral ficavam surpresas e, creio, com certa inveja, pois na época e possivelmente até hoje, o bairro gozava de prestígio como local desejado como residência.

Tudo começou com o fato de minha mulher ter direito a um empréstimo do IPESP para a compra de imóvel. Depois de muita busca, muita pesquisa, de ver apartamentos e casas sem sucesso, um amigo de meu pai resolveu vender sua casa situada na Pompéia! Quase não acreditamos na ocasião! Na Pompéia? E assim foi.

Pagamos as prestações do empréstimo por alguns anos até que, por felicidade, meu pai teve a chance de nos permitir liquidar a dívida. E fizemos isso, lembro-me bem, na agência do Banespa da Cidade Universitária, local em que eu trabalhava. Tiramos dos ombros o peso das prestações. Ufa!

Na época em que fizemos a mudança, com enorme satisfação, o bairro era bem diferente, com relativamente poucos recursos em geral. Algo que infelizmente desapareceu nas grandes cidades principalmente foi o fato de que de pronto fizemos amizade com os vizinhos a qual durou até o tempo em que mudaram de bairro ou cidade ou se mudaram para sempre para o desconhecido.

A partir do momento em que para cá, nossas filhas passaram a estudar no Colégio do Sagrado Coração, na Rua Caraíbas, chamado carinhosamente pelas alunas (era só pata o sexo feminino) de “Sagradão”. Atualmenete essee colégio ampliou de muito suas dependências e continua com o mesmo alto prestígio.

Passei a me utilizar do barbeiro João, no início com salão na própria Guiará; hoje continuo a me servir dele, mas na Rua Tavares Bastos. Meu mecânico de confiança era o Orlando, hoje falecido, com oficina situada da Ana Tavares Bastos.

Frequentávamos o cinema existente na Rua Cotoxó, que depois foi transformado em um teatro utilizado pelo Silvio Santos. Hoje se transformou em um estacionamento.

Minha mulher (às vezes eu ia junto) fazia feira na Rua Barão do Bananal (ainda existente). O sério problema era na volta, subir a rua até atingir a Guiará (pagava-se os pecados).

Tive a oportunidade de por algumas vezes mandar consertar relógios no simpático e competente senhor Luís, também na Barão do Bananal.

Com o passar dos anos o bairro foi acompanhando o desenvolvimento da cidade, modificando-se, desenvolvendo-se, de modo que quase mais nada tem a ver com os idos de 1970. Muitas pessoas mudaram de alguma maneira, muitas casas foram demolidas para dar lugar a prédios de apartamentos. As ruas tomaram ares de ruas comerciais; principalmente ocorreram mudanças sensíveis na Rua Alfonso Bovero (um ilustre professor de origem italiana da Faculdade de Medicina da USP), com o surgimento de inúmeras agências bancárias e muitas e diversas casas comerciais.
Um amigo meu que morou na Guiará na década de 40 disse-me que da casa dele era possível ver a frente um enorme terreno em que ele e amigos jogavam futebol, onde hoje está situada minha casa e a vila a que ela pertence.

Segundo este mesmo site, no setor bairros, a Vila Pompéia passou a existir em 1910 numa vasta área de propriedade do Comendador Adolpho Miranda e que resolveu dar ao local, quando do loteamento, o nome de sua esposa Aretusa Pompéia.

A rua em que moro ainda é a mesma, há tempos atrás absolutamente tranquila. Hoje tem trânsito intenso, pois se transformou em ligação preferida de parte da Lapa e da Vila Madalena em direção a outros bairros. Ainda bem que inventaram a janela antirruídos.

É interessante lembrar que é tradicional no bairro o aparecimento de conjuntos musicais que se projetaram, além de muitos outros que ainda estão no anonimato.

Obviamente estas são pequenas recordações pessoais. O bairro é muito grande não só quanto suas histórias como também quanto a perspectivas.

De uma coisa tenho certeza: Vim para a Pompéia e daqui não pretendo sair, a não ser para aquela viagem que não tem volta.


E-mail: alvarogle@terra.com.br
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Publicado em 19/07/2012 Seu relato é interessante e mais interessante os comentários posteriores. Teve um que mudou até o nome do cinema de Cine Astral para Alvorada. Mas tudo bem, nem sempre as pessoas conseguem puxar pela memória.
Morei toda minha infância na Vila Pompéia, frequentei o Cine Astral, íamos inclusive durante a semana, já que o cinema era pertinho e barato.
Também fazíamos compras no Pão de Açúcar da Afonso Bovero, pagávamos as contas no Bradesco, na mesma rua, mas a agência não é aonde é hoje.
Enviado por Raul - rmslima@gmail.com
Publicado em 04/04/2012 uerido Alvaro, primeiramente desculpe por qualquer falta de ortografía, meu teclado nao é apto para o português e muito menos possou un corretor nessa lingua, tao maltratada no Brasil.

Fiquei emocionado por seu relato e desejo que Sao Paulo seja capaz de recuperar sua história através de imagens do pasado e relatos como o seu. Frequentei muito o cinema ao qual vc faz referencia, localizado na rua Cotoxó. Caso vc nao recorde, o cinema se chamava: Cinema Alvorada. Minha familia é da Pompéia desde que meus avós chegaram da Toscana, Italia, nos anos 50. A casa da minha familia ficava (foi vendida, mais ainda existe) na rua Venâncio Ayres. Depois meus pais se casaram e foram morar na rua Tucuna, no quarterao entre a Venâncio e a rua Padre Chico. Alí crecí, meus amigos eram todos italianos, alguns de origem germanica e também alguns poloneses fugidos da guerra. Naquela época falavamos em italiano e frequentavamos missa em italiano na paroquia que existía dentro do Club Palmeras. Nosso farmaceutico era alemao, uma figura que parecia, e se vestia, igual ao padre Merlin no filme "O exorcista" Seu nome era Dr. Verneck.
Muitos moradores do bairro trabalhavam na antiga fabrica Matarazzo, até o seu incendio nos anos 70. No metade dos anos 60, meus primos, que moravam na Alfonso Bovero, formaram um grupo musical e alugaram uma casa na rua Venancio Ayres para seus ensaios. As vezes eu ia ve-los ensaiar, tinha aproximadamente 6 anos e já me movia pelo bairro sózinho. Um dia meus primos compraram un Bug, era lindo, e me levaram para dar uma volta pelo bairro. O Bug parecia a bandeira dos USA, pintado de azul metalico con estrelas brancas e a capota de lona listrada de vermelho. Apesar da minha curta idade fiquei apaixonado pela vocalista da banda. Ela era loira de pelo comprido e usava umas botas que cubriam suas estilizadas pernas até os joelhos. Se chamava Rita e a banda: Os Mutantes. Entrando na decada dos 70 eles deixaram a casa da Venancio. Ficou em venda durante muitos anos até que o proprietario acabou transformando a casa em pensao. Foi quando, por primeira vez começou o bairro a receber emigrantes do nordeste brasileiro. Naquela periodo, a avenida Pompéia sofreu uma verdadera amputaçao, pois tinha um passeo central de terra batida com frondosas àrvores de flores amarelas. Para os vehículos, apenas possuía uma pista para subir e outra para baixar nas laterais do passeio central. Com o tempo, outros sobrados tradicionais da avenida foram transformados en pensao e acabaram sendo verdaderos cortiços de emigrantes. Até entao, nosso bairro nao conhecia nordestinos, indios e negros. Foi nos inicios 1975-76, no auge da febre da música dancing, quando os problemas econômicos do "Palestra Italia" obrigaram o club a transformar uma grande superficie de cimento que existia de baixo das arquibancadas em salao de bailes e festas e que perdura até nosos dias. Antes esse gigantesco espaço subterraneo era utilizado como um kartródomo de terra batida e depois foi utilizado como espaço para as missas dominicais em italiano, devido a grande afluencia de paroquianos italianos. Foi nessa época que surgiu a febre pela música dance e havia bailes no edificio da sede social das pistas de tenis do club e que depois foi transferido para o novo salao de baile. Foi entao, quando uma empresa musical propôs alugar o espaço alguns sábados ao ano para promover shows. O que nao esperava a direçao do Palmeiras era que aquilo fosse mudar o perfil do bairro e do club. Chegou o "Chic Show", bailes de música black e com ele a violencia, furtos, roubos e racismo ao bairro. Foi um periodo em que, nos sábados, depois das 19hs havía "toque de queda". Ninquén se atrevia a sair de suas casas se nao fosse por uma emergencia. As possibilidades de ser agredido, física e verbalmente, era muito grande se voce era branco. Hoje, posso dizer que aquela etapa foi a mais violenta que sofreu o bairro e só terminou quando deixaram de realizar o "Chic Show" no Palmeiras. Nos anos 80, por primeira vez o Palmeiras admitiu como sócios pessoas que nao eram de raça branca. A emigraçao nordestina aumentou nessa década e o numero de pensoes e cortiços também. Felizmente, uma grande parte das casas e sobrados do bairro seguem pertencendo a familias de origem europeia e isso tem mantido o nivel cultural do bairro, al menos essa é a percepçao que tenho desde minha última visita a Sao Paulo, em 2M9. A "Fabrica" de cultura desde seu inicio e transformaçao, obra da visionaria arquiteta italiana Lina Bardi, que transformou a antiga fabrica de geladeiras no que hoje é, no final dos anos 70, foi de grande importancia para o bairro. Igualmente o nucleo cultural e social que o "Palestra Italia" formou, possibilitou formar uma rica base cultural e o surgimento de muitos artistas, entre eles, a Banda "Made in Brasil". Um dos seus membros vivia a 20 metros da entrada principal do Palmeiras, na rua Caraíbas.

O Bairro possuia outros cinemas: Turiassú, Florida e o Nacional na rua Clélia.

Nao me alargo mais, espero haver contribuido,ainda que seja um pouco, com o relato que voce iniciou.

Um afetuoso e saudoso abraço, Roberto.
Enviado por Roberto - gattacacyberspace@gmail.com
Publicado em 29/03/2012 oi, álvaro eu também amo este bairro.nasci aqui há 71 anos. Moro na Ministro F. Alves. Conheci e conheço alguns dos personagens citado
Eu também só saio daqui carregado de costa.
Enviado por elmir zanotti - elmirzanotti@yahoo.com.br
Publicado em 26/03/2012 Caro amigo: Minha casa é na Venâncio Aires, entre a Diana e a Caraíbas.Dizem que estamos em Perdizes ou Água Branca ou Sumaré ou Lapa.Tenho que insistir que moro na Pompéia.Estou aqui desde 1970 como vc e tenho o maior respeito pelo nosso bairro. Enviado por neide gaudenci de sá - neidegsa@gmail.com
Publicado em 23/03/2012 Álvaro, gostei muito do seu relato. Quando criança visitei muito a rua Guiará, pois meu tio-avô morava lá. No início desse ano, passeando po S.P., visiei a rua. Muito diferente daquela dos anos 70. Eu adorava o bairro e ainda hoje é muito especial esse espaço para mim. Lindo texto, Um grande abraço. Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 23/03/2012 Muito interessante seu registro sobre a Pompeia,ilustrando as transformações vividas a partir de sua história de vida.Ótimo texto! Enviado por Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - anamarisribeiro@ig.com.br
Publicado em 23/03/2012 Beleza Alvaro,realmente a Pompéia é um lugar privilegiado.Lembro que na minha meninice ficava maravilhada quando meu paime levava para passar o domingo no Parque da Agua Branca e na volta a pé ia respirando o perfume das flores dos jardins e das arvores imensas.Pompéia sempre exalou tranquilidade. Apesar do crescimento que você conta, é ainda um sortudo.
Parabéns pela escrita
MC
Enviado por mary clair peron - clairperon@hotmail.com
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