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Categoria - Paisagens e lugares Meu documentário sobre Parelheiros Autor(a): Aldemir Reis - Conheça esse autor
História publicada em 14/06/2012
No ano de 2010 comecei a captação de imagens para a produção do documentário "Parelheiros - Um contraste da metrópole Paulistana".

Este material, com 47 minutos de duração, foi fruto de um ano de trabalho, 38 horas de imagens e 27 entrevistados.

O filme:

Inicia-se em uma isolada e desconhecida região, chamada Ilha do Bororé, uma Península em plena metrópole Paulistana, que tem como meio de transporte duas balsas, administradas pela EMAE (Empresa Municipal de Águas e Energia).

Na Ilha do Bororé (Veneno de flecha em Tupi), o Sr. Tibúrcio conta um pouco de sua vida na Ilha e da época em que trabalhava nos bondes da Cidade de São Paulo, orgulhando-se em dizer que era o condutor mais antigo.

Já o Senhor Emerentino, apesar de pouco tempo na ilha, diz não trocar o lugar por nenhum outro, pois a paz e a tranquilidade encontrada na região são raras em outra parte da Cidade, por isso diz que seu lugar é ali, ao lado da natureza e da simplicidade no cotidiano de seus moradores.

A Associação de Pescadores Artesanais da Ilha do Bororé tem um ilustre cooperado que faz da pesca seu "Ganha Pão". Com seu pequeno barquinho, Donizetti conta um pouco da sua vida na ilha, de seu trabalho e do destino de seus pescados.

De uma simplicidade única e aparência humilde Donizetti é, sem dúvida, o retrato ideal de morador da Ilha do Bororé. Outros moradores também falam um pouco da pacata vida e do ar puro respirado em meio a muito verde e a vida selvagem da ilha.

Saindo da Ilha do Bororé a próxima parada foi em um distrito muito falado, mas pouco conhecido pela maioria dos paulistanos.

Parelheiros, derivado da palavra parelha - que eram as competições a cavalo entre Germânicos e Brasílicos, foi colonizada em 1827, por determinação do Governo Imperial, para que ali se estabelecesse uma Vila, visando assim a não invasão de outros povos, já que nesta época o trabalho escravo no Brasil encontrava-se defasado.

Parelheiros antes mesmo de ter este nome, chamava-se Vila de Santa Cruz. Este nome se dava por causa de uma enorme cruz de madeira que existia na praça central, obra de um homem chamado Amaro de Pontes. Este homem foi convocado a participar da Guerra do Paraguai, prometeu que se caso voltasse ileso da batalha construiria ali uma capela em gratidão.

Assim, então aconteceu, ele construiu a capela que levou o nome de Igreja de Santa Cruz, construída em 1898, tombada como patrimônio histórico do distrito, ela conserva até hoje suas características originais.

Outros patrimônios que também fazem parte do distrito de Parelheiros são: o cemitério de Parelheiros de 1910; a Capela de São Sebastião na Ilha do Bororé de 1904; a Capela de Nossa Senhora Aparecida; localizada no bairro de Colônia, de 1910 e o Cemitério da Colônia Alemã de 1829, “tendo em vista” ser o mais antigo cemitério particular do Brasil e repleto de histórias e personagens que marcaram a colonização da região.

Em Parelheiros encontramos também diversos casarões centenários como: o da Família Roshel, localizado na Estrada do Juza, da década de 1840; a Casa Taipa de Pilão, edificada por João Frederico Glasser no ano de 1847, que está localizada na Estrada Kaio Okamoto e mais outros casarões espalhados por todo o território.

O Cemitério da Colônia Alemã é administrado pelo Sr. André Barboza, de aparência humilde e com o “português bem requintado”, ele também fala um pouco da fundação de Parelheiros e da luta pela preservação do Cemitério da Colônia Alemã, patrimônio do distrito.

Para o resgate das tradições e culturas alemãs, quase perdidas, descendentes alemães e André Barboza organizam anualmente o Colônia Fest, evento voltado ao resgate das tradições e culturas alemãs na região.

A Cultura Afro em Parelheiros tem destaque com o Templo Ase Yle do Hozzouanne, que tem como presidente o Sr. Luis Antônio Katulemburange, que através de vários projetos e parcerias dissemina a cultura negra na região e auxilia jovens na procura de empregos, através de cursos ministrados pela Associação.

A colonização japonesa na região também tem sua participação, com a chegada dos japoneses em 1945 no Porto de Santos e posteriormente na região de Parelheiros. O cultivo de hortaliças e plantas ornamentais é a fonte de sustento. Essa prática transformou Parelheiros no maior produtor agrícola da Cidade de São Paulo.

O Templo da Igreja Messiânica, também conhecida como Solo Sagrado do Guarapiranga, é uma das maiores presenças na região. Fundada em 1995, ela traz todo o trabalho de cerca de 75 mil messiânicos do Brasil e do Exterior, em nome da filosofia de Mokiti Okada, fundador da Igreja Messiânica.

A paz e a tranquilidade encontrada no local é realmente maravilhosa e sua arquitetura foi inspiração para fazer um dos maiores jardins particulares da América Latina. Em Parelheiros encontramos também um Templo Budista chamado Quann Inn, baseado no prolongamento da fé e religião Chinesa tradicional.

Encontramos também na região a primeira fábrica de óleo de gergelim do Brasil. Composta por muitos patrimônios históricos e culturais, Parelheiros está localizado no extremo sul da Cidade de São Paulo, em uma área de 353,3 km2.

A grande concentração de matas faz com que a região concentre grande quantidade de rios, riachos, cachoeiras e nascentes, muita vida selvagem e ar puro. Para se ter uma ideia da importância dos cursos de água da região de Parelheiros, de cada três copos de águas consumidos pela capital um sai de Parelheiros. Neste lugar estão os últimos rios limpos da Cidade.

De aparência interiorana o distrito de Parelheiros tem dois outros lugares, considerados vilarejos, com aparência típica de interior. São as vilas de Engenheiro Marsilac e Evangelista de Souza.

Em Marsilac existe muito verde, ar puro e vida selvagem, além de rios de águas cristalinas, belas cachoeiras, estrada de terras e muitas trilhas. O Núcleo Curucutu, uma antiga fazenda de carvão, hoje reserva natural, o PESM, está localizado em Marsilac, na divisa com as cidades de Itanhaém e Mongaguá. Dentro desta reserva nascem os rios Mambu, Embu-Guaçu e Capivari.

Os rios Mambu e Capivari correm sentido litoral, já o rio Embu-Guaçu abastece a Represa do Guarapiranga, essencial a todo região metropolitana. Marsilac surgiu na época da construção da Ferrovia Mairinque-Santos, hoje a Sorocabana.

O engenheiro José Alfredo Marsilac foi quem projetou sua construção, especialista em túneis e ferrovias. O nome Marsilac é uma homenagem a esse homem que trouxe a ferrovia para a região. A estação Evangelista de Souza foi construída em 1935, para competir com a ferrovia Inglesa SP RAWAY, que trazia o café do interior paulista para o Porto de Santos.

A vantagem da Sorocabana sobre a inglesa foi o pequeno declínio encontrado nessa região, que possibilitava o transporte de cargas mais pesadas e em maiores quantidades, ou seja, mais vagões. O nome Evangelista é também uma homenagem ao Barão de Mauá.

Nessa região encontramos diversas cachoeiras como: Jamil, Usina, Virgens, Forno, Túnel 24 e outras, além dos rios Capivari, Monos, Branco, dos Campos e outros afluentes. São águas cristalinas em meio a muito ar puro e vida selvagem. A vida selvagem na região é muito grande. Macacos, aves, felinos, insetos, répteis...

Conhecida também como "A Amazônia Paulistana", não poderíamos de modo algum deixar de citar a cultura indígena na região.

As margens da Represa Biliings, duas aldeias guaranis, Tenondé-Porã e Krucutu, vivem na região e preservam firmemente suas tradições e culturas, apesar de estarem dentro de uma grande cidade, terem alguns costumes dos “Juruás” (homem branco), com acesso a tecnologias, aparelhos celulares e outros, eles mantêm, bem conservada, suas tradições e culturas.

A primeira sensação para quem chega à aldeia é de não estar da Cidade de São Paulo. Athaíde, cacique da aldeia Tenondé relata bem o dia a dia da aldeia, seus costumes, tradições e contato com o “Juruás”.

Um depoimento de cerca de 6 minutos ilustram bem a vida desses guaranis nessa louca metrópole paulistana. Na aldeia Krucutu o cacique Timóteo também luta para manter seus costumes e tradições. Parelheiros é mesmo um lugar deslumbrante. A primeira impressão para quem chega ao centrinho é de muita gente e quase nada de natureza e ar puro.

Mas engana-se. Como toda grande cidade de bairro, Parelheiros cresceu e muito, mas também conserva em seu interior uma rica biodiversidade cultural, histórica e selvagem, rios limpos, cachoeiras, descendentes alemães e japoneses e um “astroblema” formado a milhões de anos por um meteorito.

Seu impacto no solo formou uma cratera com cerca de 3,5 km de diâmetro, conhecida como Cratera da Colônia. Dentro dessa cratera, chamada de Vargem Grande, vivem cerca de 40 mil pessoas.

Parelheiros é isso. História, cultura e muita, mas muita natureza, ar puro e rios cristalinos. Realmente "Um contraste da metrópole Paulistana".

Fonte: Aldeia Doc Filmes. Edição: Aldemir Reis


E-mail: aldemir_reis@hotmail.com E-mail: aldemir_reis@hotmail.com
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Publicado em 23/01/2013 Boa tarde pessoas !
Moro na zona leste e tenho vontade de ir nessa região pra conhecer e ver de perto as incríveis atrações,turísiticas até,se for parar para analisar. Mas confesso ter um pouco de receio.
Vocês me recomendariam eu levar minha família para lá como recreação para um fim de semana,por exemplo ? Em caso afirmativo, que cautelas posso e/ou devo tomar ?

Gostaria de ter retorno.
Obs: Visitem a região do Guarapiranga. Está cada vez mais linda ! Dali falo com muita proriedade pois lá eu fui com minha família.
Enviado por Adriano Barbosa - adriannobarboza@yahoo.com.br
Publicado em 22/01/2013 Sr.Reis, um excelente relato de pesquisa. Muito bom saber que existem ilhas de preservação não muito longe da cidade de pedra. Os meus parabéns pelo ótimo trabalho. Abraço. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 14/06/2012 Que belo documentário sobre Parelheiros!
Deu vontade de conhecer, mas viajei nas palavras e visitei um bairro interessante de Sampa.
Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 14/06/2012 Bom dia para falar de parelheiros sou suspeita, pois adoro aquela região, moro no castro alves que fica entre o grajau e o sesc interlagos, mas sempre que posso vou nas festividade da Colonia, minha filha já lecionou na Aldeia Krukutu, na época o Cacique era o Seu Manoel pessoa maravilhosa e apesar de ser Catarinense de Joinville creio que estava escrito que viria para São Paulo para conhecer essa Região com muito ar puro tudo de bom que devemos respeitar, amar e se possivel morar lá.Beijos Enviado por mara rubia soares adriano - mararubisoadri@hotmail.com
Publicado em 14/06/2012 Aldemir, o que não falta na nossa região (Sto Amaro) são abnegados e eruditos historiadores como você e o Fatorelli.Continuo cada vez aprendendo mais. Quando criança íamos com meu Pai pescar prá aqueles lados. Minha espôsa,é descendente de alemães "Roschel". Parece que está previsto a passagem do Rodoanel por lá, o que acredito poderá afetar a natureza. Parabéns ! Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 13/06/2012 Aldemir, belo trabalho de pesquisa, já nos falamos por fone uma vez, queria que voce fosse ao CETRASA, expor seu trabalho da região, mas fico contente com sua história melhorando nosso conhecimento da região e divulgando-a para o mundo por esse canal que é o SPMC,creio que voce tem muito mais a divulgar sobre a história desse lado preservado de Santo Amaro, parabéns,Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 13/06/2012 Aldemir,só lamento Parelheiros numa época em q. foi feito um plebiscito,não virou Municipio,é o único bairro de São Paulo atípico,a sub-pref. fica num prédio onde um dia foi uma ind. metalurgica,a mais nova sub-pref. de SP,existe um lago dentro dela,uma quadra,um viveiro de plantas,etc,na região há pesqueiros,centro de recuperação de usuarios de drogas dos irmãos franciscanos,uma penitenciaria onde tem 1000 presos defecando "diariamente" e poluindo o rio vermelho,não há tratamento de esgoto..... Enviado por Vilton Giglio - viltongiglio25@gmail.com
Publicado em 13/06/2012 ...não temos restaurantes razoaveis,nem pousada,hotel,pensão,é uma região com vocação pra o turismo mas há temos estruturas para isso,temos 400 mil habitantes nessa região,muitas áreas invadidas,tenho chacara na região há 32 anos,inclusive há muitos poços abertos,fossas septicas,a dif. de temp.em relação ao centro de SP é sempre tres graus centigrados para mais ou para menos,vale a pena fazer uma visita de um dia.
Sua pop. só dorme na região e trabalha além ponte SOS, vizinha das duas Reprêsas.
Enviado por viltongiglio - viltongiglio25@gmail.com
Publicado em 13/06/2012 Realmente é um “tour” dos mais interessantes para se realizar, vale à pena! Boa sugestão, parabéns!
Há textos e fotos desses locais em:
RIO GRANDE DE JURUBATUBA, A “ILHA” DO BORORÉ E A REPRESA BILLINGS
http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2011/02/rio-grande-de-jurubatuba-ilha-do-borore.html
EXTREMO SUL DA CIDADE DE SANTO AMARO: SOCORRO!
http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2011/01/extremo-sul-da-cidade-de-santo-amaro.html
Colônia Fest 2010
http://www.youtube.com/watch?v=cqJq_Hxd2bA
Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 13/06/2012 Aldemir,fiquei curiosa para vizitar tanta beleza escondida atrás deste lugar que eu apenas ouvia falar como Estrada de Parelheiros,eu já passei por ela uma vez,para vizitar uma prima querida mas não imaginava tudo isto.Espero retornar ao lugar para conhecer seu belo interior. Enviado por walquiria rocha machado - walquiriarocha@yahoo.com.br
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