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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Santo Amaro suas histórias, suas personagens e sua vida Autor(a): Luiz Boz - Conheça esse autor
História publicada em 20/06/2012
Santo Amaro! Bairro de tanta gente, coisas, histórias, que acabam se perdendo com o tempo, por falta de quem as narre. Tempos em que as pessoas denominadas de botinas amarelas se conheciam por uma das coisas mais prezadas "Família". Lembro até hoje da expressão "fulano é gente dos sicranos"

E este bairro que era para ter se transformado em uma cidade foi crescendo, sua "gente" progredindo e adaptando-se ao progresso, que não demorou muito á chegar. Ruas de terra batida, por onde trafegavam carroças e charretes, foram aos poucos transformadas em vias de paralelepípedos dando lugares aos primeiros carros importados.

Solo que muitas vezes testemunhara o "estouro da boiada" que se dirigia ao matadouro, transtornando a vida dos transeuntes, obrigando-os a procura refúgios e causando correrias. As primeiras fábricas aqui instaladas apitavam ao iniciar do dia, no almoço e no final da tarde, avisando seus operários da entrada, do descanso e da saída.

Sinos da Igreja matriz em suas badaladas, quase sempre em um quarto de hora, perfeitamente audível quebrando um silêncio sempre existente. Missas aos domingos, onde nos preparávamos com o melhor calçado e com a roupa mais alinhada.

Frases como "dia", "noite", eram ditas no encontro com as pessoas, mesmo que não conhecidas. Outras como "tropiquei, arguri, esssste". Tempo das cadeiras ás portas, de longos bate-papos de vizinhos. Tempos em as pessoas se ajudavam mutuamente nas ocasiões de apuros como falecimentos e doenças, pela amizade, nada pedindo em troca.

Bairro das festas do divino, das quermesses e das Romarias á Pirapora. Lembro de duas até hoje: as do Ciniríno Branco de Araújo e José Diniz o Zé da Farmácia. E de lembrança da Dona Salvatina, orgulhosa, montada em seu lindo cavalo Branco; do Toninho Engraxate nosso anãozinho em sua charrete; José Carnevalle, Sr.Antonio Mirandola, Sr. Armando Barbeiro, Antonio Cruz e de meu saudoso pai Gigi e de tantos outros personagens, levaria horas para lembrá-los.

Quem não se lembra dos médicos caseiros que abrandavam nossas dores a partir de sua entrada em nossos quartos com sua imponente presença. Exames para que? Só no toque manual sabiam diagnosticar nossas enfermidades.

Homenagem ao Doutores da época: Sérgio Braga, José Elias, Elias Bechara, Waldemar Teixeira Pinto,Hiroshi Kitaday, Djalma, Alfredo Bossa, Akira Nishimura, Onórinho Prado, Waldemar Sacramento, Hélio Gonçalves, José de Sá, Rubens de Lucca, Edmundo Freire, Jamil Auada, Jose Eduardo Helfenstein, Brenha, Pierre, Aurélio, e ainda clinicando Dr. Emidio Branco de Araújo e tantos outros abnegados responsáveis por nossas vidas e pela medicina de nosso bairro.

Muitas indústrias se instalaram em nossa querida Santo Amaro, principalmente no ramo farmacêutico, como Laborterápica e Squibb que eram responsáveis pelo emprego de boa parte da população de nosso bairro e muitas outras no ramo automobilístico e automotivo já nas décadas 50 e 60 juntamente com as extintas fábricas de tecidos Velnac e Gabriel Calfat.

O comércio se proliferou rapidamente com advento de lojas de renomes como Exposição Clipper, Ducal, Garbo, Buri e de sapatos na época a famosa Casas Eduardo. Estabelecimento do primeiro supermercado grande, o "Tudo", depois veio a Eletroradiobraz, o surgimento da primeira galeria do Cine Plaza com muitas lojinhas, mais para frente á Galeria Borba Gato, bem mais moderna, reunindo todos tipos de lojas, de comércio e serviços.

Nossas padarias: XV, Gôa, De Luccia, Essel. Restaurante São Paulo, Bar 13 (Dona Lídia Antal e do Garçom Zig), Amigo Fritz; Bar do Mário Sujo, Gambarini, São Pedro, Casa branca (antiga Rua do Cotovelo), Casa de Carnes Rex. Rememorar das matines nos Cines São Francisco, Cinemar, Marajá, Plaza e Bruni, e dos primeiros espetáculos apresentados no Teatro Paulo Eiró.

Relembrar os tempos escolares nos colégios primários Linneu Prestes, Paulo Eiró e o Secundário no querido Alberto Conte com suas festas dos Estados. Quanto era bom descer a Rua Padre José Maria e assistir, aos domingos, jogos de excelentes times de várzea como: Palmeirinha (Campeão do IV centenário de Santo Amaro), Gusa, Vila Anriete, Socorro, Guarda Civil, América, Velnac, Estrela do Norte, CASP, América, União Brasil e tantos outros.

Nosso Transporte até 69 era o querido e inesquecível Bonde 101-103, as saudosas lotações que eram conduzidas por veteranos “Santamarenses”. Recordo-me dos saudosos Dito Fogueteiro e Carlos Michaelis e depois as linhas de ônibus CMTC, Bola Branca, Jurema, São Luiz e Campo Belo.

Saudoso Coreto na Praça Floriano Peixoto, onde domingueiramente se apresentava a Furiosa Banda do Sr. Norvalino, algumas pessoas pitorescas do bairro ficavam á frente ensaiando alguns passos de dança.

Repassando rapidamente me vem à lembrança de um senhor de voz forte e estridente de nome Big, que muitas crianças tinham medo por sua forma de abordagem. Ele vivia com um apito na boca e um capacete de construção, dirigindo o pequeno trânsito de Santo Amaro.

Esse senhor dormia na rua, e num carnaval qualquer da época, adormeceu de frente á uma loja enrolado á um colar havaiano e pessoas de má índole atearam fogo nesse colar, se não fosse á rápida intervenção das pessoas que ali transitavam ele teria morrido.

Havia uma pequenina senhora japonesa que passava pelas ruas do bairro vendendo produtos de limpeza, ficando na minha memória sua pronúncia misturada sugerindo:
-Sabonete, pasta, "tarco, graxa "bririantina"!

Outra pessoa típica era um velho senhor que provavelmente sobrevivente de um derrame e ficou como sequela, tinha a boca totalmente torta, mal pronunciava as palavras, e o coitado vivia coberto por produtos plásticos armazenados em cestas de vime, batendo de porta em porta, vendia: açucareiros, xícaras, copos com canudinhos, escorredores, funis, tudo era muito colorido e mamãe sempre comprava alguma coisa.

Perambulando pelas ruas uma mulher que todos chamavam de "Nega Luiza", que era piradinha, diziam na época que era por causa da perda de um namorado. Passava blasfemando e levantando á saia mostrando tudo. Tinha muito medo desta pessoa, mas ela não fazia mal à ninguém.

Em plena Avenida Adolfo Pinheiro, na esquina da Santa Casa de Misericórdia, existia um ponto de lotação, em seu banco ficava sentado, quase o dia inteiro, um senhor que conhecíamos como Pireco, sempre vestido com um paletó surrado, gravata borboleta e chapéu na cor branca quase beije e o mais marcante: Um cravo vermelho na lapela.

Santo Amaro do Poeta Paulo Eiró “O homem sonha monumentos Mas só ruínas semeia para pousada dos ventos” e do escultor Julio Guerra, que presenteou-nos com a escultura estrategicamente localizada na entrada, recepcionando todos que chegam e visitam nosso bairro, "o guardião Borba Gato"

Tive a honra de ter nascido no dia 15 do mês de Janeiro (aniversário de Santo Amaro), de ter visto, vivido e acompanhado todos esses momentos que emocionado acabo de escrever.


E-mail: luiz.boz@hotmail.com E-mail: luiz.boz@hotmail.com
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Publicado em 15/08/2012 pois eh, como da saudade, principalmente lendo o que foi escrito aqui.Morei en Santo Amaro 22 anos, casei-me ahi e minhas filhas são santamarenses nascidas no Hospital Santa Marta pelas mãos do Dr. Bossa, e depois de 14 anos mudamo-nos para o Litoral, mas temos todos muita saudade de santo amaro.Obrigado por tão lindo artigo. Enviado por meire - lmkp@uol.com.br
Publicado em 21/06/2012 Amigo,Luiz voce nao pode se esquecer das lojas
Escarby,da familia Cataldo,do doutor Djalma do
hospital Santa Marta,do Henrique Pires,das
romarias para Pirapora, abracos.
Enviado por antonio pinto alves - antonio.palves@yahoo.com.br
Publicado em 21/06/2012 Boa noite,adorei seu relato,sr.Luiz morei em Santo Amaro,quando pequena.Com sete anos fiz meu primeiro ano na Escola Mista da Parada Floriano.Minha professora nunca mais esqueci.Dona Abigail Cesar.Quanta saudade.Me lembro da familia de um médico,uma casa na esquina de minha rua.Familia Bijos.Rua de terra.Quanta saudade.Abraços. Enviado por Hilda Russon Francisco - jura,francisco@hotmail.com
Publicado em 21/06/2012 Adorei seu comentário Sr.Luiz.Quanta saudade de Santo Amaro,Fiz meu primeiro ano na Escola Mista da Parada Floriano.Minha professora Abigail Cesar, eu nunca esqueci.Nem meus amigos.Reinaldo,Vanda,Bijinho...Não me lembro o nome da rua com certeza, era de terra,e o nome,não tenho certeza,parece que era Américo Brasiliense.Abraços. Enviado por Hilda Russon Francisco - jura.francisco@hotmail.com
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