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Categoria - Outras histórias As Festas Juninas do ginásio Jesus Maria José Autor(a): Luiz Boz - Conheça esse autor
História publicada em 02/07/2012
Era sagrado, todo ano acontecia o evento mais esperado do ano, tal qual o Natal: "A quermesse do Ginásio Jesus Maria José". Naquela época o colégio de freiras, tradicional da região de Santo Amaro, era direcionado ao ensino de educação exclusivamente feminina, então não precisa dizer o quanto nós jovens, frequentávamos as saídas das aulas e as missas dominicais daquela unidade de ensino.

Voltando as quermesses, tudo era muito bem coordenado e elaborado, com ajuda dos pais e mestres e freiras que se esmeravam de corpo e alma para o bom êxito daquele evento anual.
E tudo saia de forma perfeita, as barracas de brinquedos (argolas, boca de palhaço, pesca), comidas típicas (bolo de fubá, doce de abóbora, quentão, cachorro quente, pipoca), serviço de som com a famosa oferta de música, em seu eterno chavão: “Fulano oferece a Cicrana esta música como prova de boa amizade”, respeitosamente falando, a incomoda cadeia, que nos tirava de circulação por um bom tempo até aparecer uma alma bondosa que vinha em nossa ajuda.

Mas o mais esperado era aquele papelzinho colorido, entregues por algum organizador da festa (o correio elegante), que nos deixava na expectativa e curiosidade de quem o mandara, e na maioria das vezes era escrito por algum amigo, só por gozação, nos causando a maior decepção.

Mas o ponto máximo era a noite de domingo, quando ao final da festa, dançava-se a quadrilha, e nós estávamos ali, para sermos os pares, das mais lindas caipirinhas, depois de uma semana de exaustivos ensaios.

Garbosamente nos apresentávamos com vestes cobertas de remendos, com bigodes e costeletas produzidos pelo efeito de uma rolha chamuscada ao fogo, com os dentes também escurecidos, pelo mesmo truque.

Mas era uma felicidade só, estarmos acompanhados das garotinhas que durante o ano inteiro flertávamos, e ali naqueles poucos minutos, com ar de vitoriosos, pegá-las pelas mãos e conduzi-las pela quadra inteira, ao som de uma sanfona marcando os movimentos, e lá íamos arrastando os sapatos:
“Anarriê”;
“Balancê”;
“Olha a cobra!”;
“Volta a ponte caiu!”;
“Olha a chuva!”;
“É mentira!”;
“Olha o túnel!”;
“Caminho da roça!

Terminado a quadrilha, nos despedíamos e na maioria das vezes nem pegando o endereço e telefone das nossas musas de uma semana, simplesmente observando elas irem embora, para um dia talvez reencontrá-las.

Passado isso, levantávamos na segunda-feira com um gostinho de quero mais, torcendo e contando os dias faltantes para junho do próximo ano.

Pura Inocência, doces recordações, simplicidade, valores tão marcantes, que deram a todos nós os parâmetros para a nossa educação e princípios.


E-mail: luiz.boz@hotmail.com E-mail: luiz.boz@hotmail.com
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Publicado em 04/07/2012 Oi Luiz, tudo bem? Gostei muito do seu texto pois me fez voltar ao passado. Sempre gostei muito de festas juninas, mas hoje já não se vêem mais festas como essas. Perderam a graça. Antigamente fazia-se fogueira pois havia muito espaço para a realização das mesmas.As barracas ficavam ao ar livre e eram decoradas das mais variadas formas e coloridas. Os participantes das quadrilhas eram bem animados e dançavam alegremente.O mes de Junho tinha um cheirinho caracteristico, era muito bom. Enviado por cleber odaondo - cleberodaondo@live.com
Publicado em 04/07/2012 Muito boa recordação, deste colégio, pois parece que Santo Amaro está perdendo essa sua referência festeira, talvez por culpa de um setor imobiliário que se apoderou dos espaços, não deixando nada que recorde essas festas folclóricas onde as famílias reuniam-se para um divertimento salutar, ou, quem sabe, culpa do próprio santamarense, aliás pessoas que também estão tornando-se “raras”. Não tempos mais o vínculo caipira de outrora e que deu esse modelo festeiro da antiga Cidade de Santo Amaro. Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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