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Categoria - Paisagens e lugares Favela Cantinho do Céu (ex-inferno) Autor(a): Vilton Giglio - Conheça esse autor
História publicada em 19/12/2012

Sempre percorri locais de São Paulo desde quando me conheci por gente, ora por um motivo ora por outro e nunca perdendo olhar de alguma visão, seja belo ou feio, engraçado, pitoresco, o paraíso, a pobreza, a miséria, os milionários, sempre com um envolvimento de pessoas, paisagens, datas e por aí vai ao longo dos anos.

Há alguns anos ia muito ao hoje “Cantinho do Céu”, sempre aos sábados, pois fazia companhia a um amigo na entrega de bicicletas, pois tinha loja. Nas suas entregas ia junto (eram muitas), achava aquele lugar mais um cantinho de inferno, um local que não tem saneamento básico, asfalto, luz, segurança, escolas, comércio, postos de saúde, barracos, ponto de desova de carros roubados à beira da Represa Billings; não poderia ter o nome de “Cantinho do Ceú”, passava pela minha cabeça, tinha sim gente trabalhadora, honesta; muitas eram chacinas, pois um local que não tem nada só pode dar nisso, mas que por algum motivo da vida invadiram ou compraram lotes naquele local e inclusive estão lá até hoje. É uma área de manancial, pois os moradores jogam o esgoto na Represa Billings.

Fica no extremo sul de São Paulo. Certa ocasião estávamos fazendo campanha política junto com o José Serra, era candidato a prefeito de Sampa, pois fui candidato a vereador por São Paulo. Ficamos assustados com o povo, pois era um reduto da oposição e assusta um pouco tamanha agressividade das pessoas, fiquei um pouco assustado, assim como no largo São José, onde tivemos que nos refugiar em uma loja de calçados próximo ao “Cantinho do Céu”, pareciam quadrilhas querendo nos agredir, tamanha violência.

Fiquei sabendo que haverá uma exposição de fotos “Future Planning for 90 cities Percent”, Bienal em Veneza, no mês de agosto, com muitas fotos do “Cantinho do Céu”. Hoje, existe até píer, parques, um local que um dia (na minha cabeça) era cantinho inferno, mas infelizmente “o não pertence a natureza desse local”, e o homem invadiu a mesma, pois é uma área de manancial puramente local das águas limpas e claras que um dia foi.

Será que existe foto do passado, daquela caixa d’água com algumas boas quantidades do líquido precioso da vida, que a Sabesp levava nos caminhões pipas, semanalmente? “Cantinho do Céu” será conhecido pelo mundo, pena que dessa forma, inclusive com fotos.


E-mail: viltongiglio25@gmail.com

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Publicado em 20/12/2012 Vilton,esta violência vem forma como vivem. Eles precisam de orientações, escolas, cursos que os ajudem a descobrir outros valores. Sei que é difícil, mas não é impossível. Há necessidade de pessoal apropriado para lidar com as diferenças.Um abraço. Enviado por margarida peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 19/12/2012 Vilton, nos conhecemos desde a época do retorno do monumento aos herois da travessia do Atlantico,na Represa de Guarapiranga, creio que desde 2008, mas não sabia que voce também é um ubernautista dessa cidade, pois revela conhecer muitos "cantos" dela, parabéns,Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 19/12/2012 Eu concordo com o José Aureliano,mas o que me desilude neste pais,é a falta de mão de obra mais popular.Ex: Já sou aposentada,tenho situação financeira previlegiada, mas trabalho o dia todo,alfabetizo em uma ONG dois dias a noite,nos finais de semana,faço faxina, costuro para família,sempre tem alguém pintando ou reformando a casa e eu ajudo por entender tudo sobre reformas tomo conta de netos em finais de semana por alguma necessidade dos filhos,e o problema é que não acho diarista não acho nunca um pintor disponível que aceite fazer pequenos serviços em apto,não tem mão de obra nenhuma, todos que conheço reclamam a mesma coisa, e você passa nas comunidades durante o dia,e vê centenas de pessoas sem fazer nada... Minha mãe criou 9 filhos sem marido fazendo faxinas costurando,lavando roupas(no tanque c/ água de poço)e carpindo quintal dos outros,nos obrigou a estudar até o colegial,(era o máximo que se conseguia na época),estudávamos a noite,andando km. a pé ,quase sempre com fome,e todos foram trabalhar com 13 anos,engraxate,casa de família,pacoteiro de lojas... não tinha creches,nem escolas como hoje(alheás as mulheres colocam seus filhos na creche p/ ficar mais tempo sem fazer nada...)não tinha cesta básica, bolsa família,nem ajuda de governo e de igrejas.Tinha que trabalhar duro!!! coisa que não se vê hoje. Walquiria Enviado por walquiria rocha machado - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 18/12/2012 Vilton, eu sempre espero pela publicação dos seus textos, pois eu aprendo muito com eles e passo melhor a conhecer a cidade e ter um novo olhar. Muito obrigada. Um abraço. Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 18/12/2012 Querido Vilton,já fiz alguns trabalhos sociais
com moradores de favelas,curtiços,e de buracos
embaixo de viadutos...meu coração sangrava com as
barbaridades que via.Hoje procuro separar a dôr dos outros do meu dia a dia,apenas procurar orientar quando posso,mas garanto que o inferno é aqui na terra nestes lugares,mas tenho dúvidas,se não são eles próprios que escolhem ficar assim...
Enviado por walquiria rocha machado - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 18/12/2012 A maioria dos moradores desses locais vieram do Norte Nordeste. A finalidade era trabalhar, vencer, se possível voltar a terra querida com alguns tostões no bolso. Muitos encontraram os grileiros que se aproveitaram da suas inocência. Infelizmente no meio deles, como em qualquer lugar existia o “joio” . Se cuida Viton . Abraços ... Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
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