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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Ano Novo no Bixiga Autor(a): Nelson de Assis - Conheça esse autor
História publicada em 03/01/2013
A correria já começava bem cedinho lá em casa com minha mãe ultimando os preparativos para a grande ceia natalina, com mesa posta e recheada de iguarias nunca dantes vistas no cotidiano de nossos dias. Bolos, frutas frescas e cristalizadas, queijos, bebidas e a indispensável champanha (ainda com rolha de cortiça). Tinha também os famosos pratos salgados (cuscuz, farofa, arroz branquinho com passas, saladas e o famoso pernil assado no forno da padaria).

As horas custavam a passar e com elas nossos convidados chegavam como que gotas pingadas de um conta-gotas. Tios, primos, amigos e afins se apresentavam com alegres sorrisos estampados nas faces e nas mãos, os presentes e lembranças que seriam depositados ao pé da Árvore de Natal, perfeitamente montada no ângulo das paredes do mais nobre cômodo de nossa casa, a sala de visitas.

Alegrias e festas eram os temas no momento e as conversas dos adultos remetiam à lembranças de um ano que já chegava ao seu fim. Trabalho, futebol, governo, economia e cultura eram as retrospectivas (que ainda não existiam nas “tevês”), tônicas de uma tertúlia só nossa. Por vezes, um fato mais drástico assomava às conversas como alguma catástrofe ou um crime que mexesse com a sensibilidade de todos, mas eram de imediato repudiados, pois não era o momento para tristes lembranças.

A noite se aproximava e as horas eram contadas a cada minuto para os brindes e os votos de uma feliz “noite feliz”, antecedida pela tradicional missa do galo, irradiada pelas ondas radiofônicas e transmitidas pela televisão, diretamente da Catedral da Sé. Findo o momento ecumênico, o espocar dos fogos de artifício anunciava as festividades de mais uma noite de Natal e as champanhas, agora já bem geladas, lançavam suas rolhas ao espaço e suas espumas enchiam as taças para os brindes acompanhados de um “Feliz Natal”, seguido pelos beijos e abraços de todos.

A festa seguia seu curso como se fosse um casamento de ciganos, pois duraria exatos uma semana até o último dia do ano quando comemorávamos o “Réveillon” e, com ele, a esperança de uma nova era de tempos de novas realizações. Comidas, bebidas ainda sobrariam da noite natalina para a virada do ano e as alegrias pareciam tomar um sentido ainda maior com todos os sentimentos aflorados para um ano novo cheio de novas prosperidades e realizações.

Enfim, chegou o dia 31 de dezembro. O último dia do ano que se findaria e, com ele, o balanço de tudo o que foi feito ou tentado. Era hora de esquecer o passado e praticar o futuro. A contagem regressiva ecoava pelas ruas, becos, vielas, largos e avenidas em um uníssono quase que universal: “dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um... “Feliz Ano Novo...”.

Já não éramos apenas nós, a família, em nos regozijar, pois que depois dos cumprimentos de cada um achávamos já no meio das ruas e agora amigos, vizinhos, conhecidos e até mesmo os estranhos recebiam abraços e os votos de um feliz ano novo. Os fogos de artifício iluminavam os céus de um colorido festivo, conferindo à noite uma aquarela de luzes e cores de breve beleza enquanto que eu e os garotos da vizinhança muníamos de pedaços de pau ou mesmo ferro para batermos nos postes metálicos da Light e assim criarmos uma sinfonia única e de comunicação geral, espécie de ritual de novas venturas e promessas para o ano que se iniciava.

A festa seguia noite adentro com algumas casas tocando em suas, hoje antigas vitrolas, velhas marchinhas carnavalescas, temas natalinos ou outro qualquer sucesso do momento. Eram noites felizes com as ruas sempre em movimento constante de carros e pessoas. Nossos parentes, amigos, vizinhos, todos se encontravam para juntos e em uma só voz, desejarmos a todos:

“Feliz Ano Novo e um tempo de muitas alegrias, saúde e paz”.


E-mail: nel.som55@yahoo.com.br E-mail: nel.som55@yahoo.com.br
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Publicado em 03/01/2013 Nelson cheguei a pensar que você tivesse ido a São Paulo, mas foram nas suas lembranças. Dai que: Feliz Natal e um ano novo repleto de tudo o que é de bom para todos. Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 03/01/2013 Um fim de ano no Bixiga, cheio de alegria, fartura, presentes dos presentes, lembranças dos ausentes, festança na recepção dos novos 365 dias com bastante saúde e bonança. Parabéns, Assis.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 02/01/2013 Nelson, como é bom recordar este tempo de festas de final de ano.Adoro esta época e nas atuais festas, apesar de muita coisa mudada, procuro
trazer a mesma alegria de outrora. Um abraço.
Enviado por margarida peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
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