Leia as Histórias

Categoria - Outras histórias Goteiras Autor(a): Alvaro Glerean - Conheça esse autor
História publicada em 14/02/2013
O termo goteira é empregado em vários ramos da atividade humana, como na Anatomia, na Odontologia, na Medicina, em cada um deles com seu significado específico.

Mas, indo direto ao motivo destas mais ou menos bem traçadas linhas, quero dizer algo sobre as goteiras que dão a nítida impressão de que chove igualmente tanto dentro quando fora de casa.

Quando eu era garoto, meus pais e eu moramos na Rua General Osório em duas casas diferentes, uma situada no número 415 e a outra no 248, Hoje naturalmente não mais existem, tendo sido substituídas por prédios de apartamentos.

Ambas haviam sido construídas no fim do século 19 ou quanto muito no início do século 20. Estou me referindo a fatos ocorridos nas décadas de 40 e 50. Acontece que em ambas havia goteiras. Eram alugadas, (pelo que me lembro da conversa de meus pais) os donos afirmavam que pelos aluguéis cobrados não havia justificativa para que as mandassem consertar.Os inquilinos (meus pais)mal tinham dinheiro para nos manter, portanto, que venham as goteiras.

Resultado, em épocas de chuvas, havia, dentro de casa, mas, felizmente em locais isolados (!) o aparecimento das ditas cujas. Minha mãe e eu (meu pai estava no trabalho) corríamos para juntar bacias, panelas e tudo o mais que servisse para receber o líquido não desejado. Confesso que era uma azáfama cansativa. Infelizmente eu não pensava na época, para suavizar a coisa, isso poderia ser encarado como um exercício saudável!

O assoalho era feito de tábuas de madeira de verdade (não as atuais disfarçadas. E isso me lembra que com frequência deviam ser raspadas com um tal de escovão (algo antediluviano) associado à tal de palha de aço. Sempre havia alguém premiado para, num vai e vem contínuo, raspar as tais tábuas para em seguida ser aplicada cera (vinha numa lata redonda e tinha um cheiro característico) também com o escovão, agora munido de um pano, muitas vezes, quando havia, flanela.

Mas, voltando às goteiras, parada a chuva, vinha a seguir o recolhimento das bacias e panelas e o ritual de despejá-las no quintal. E, a seguir, a parte mais dura, ou seja, a de secar o assoalho com todo o pano que estivesse à mão; em geral já separados para essa eventualidade. Acontece que na época
das chuvas, quase que diárias, tudo complicava. E, desacorçoadamente, deixava-se lá estar as panelas, as bacias e tudo que fosse utilizável, como latas de grande porte. E a umidade do assoalho teria que esperar até dias melhores.

Lembro-me que não éramos só nós que tínhamos esse problema e no entanto a vida continuava (haviam problemas maiores, creio). Daí o dito que bem poderia ser criado: "os moradores de casas com goteiras são antes de tudo uns fortes".

Nossa vida mudou nesse aspecto, quando conseguimos mudar para um prédio de apartamentos situado na Avenida Rio Branco (lá perto). O apartamento situava-se no segundo andar. Como o prédio tinha nove andares, a possibilidade de termos de novo goteiras era matematicamente impossível! Ufa!


E-mail: alvarogle@terra.com.br E-mail: alvarogle@terra.com.br
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 16/02/2013 Álvaro, na minha casa o piso era de vermelhão e o escovão era pura diversão, como sou gêmea, uma sentava em cima do escovão e a outra empurrava e puxava depois era a vez da outra e esse trabalho era muito divertido. Abraços Julia. Enviado por Julia - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 14/02/2013 Seu texto é leve e bem humorado! Não lembro de ter passado por isso, mas deve ser muito chato, mesmo!
Abraço Célia
Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - rccsimonato@hotmail.com
Publicado em 14/02/2013 Sr. Álvaro, em primeiro lugar, eu estava com saudades porque o sr. havia tirado umas férias , não é? Que bom que voltou! Esse seu texto também me provocou lembranças do nosso apartamento no Cambuci, que era de último andar. Haja panelas! Mas, pelo sim, e não, a gente sobreviveu. Boas lembranças de uma São Paulo única. Um abraço, sr. Álvaro. Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 14/02/2013 Alvaro - É você conseguiu lembrar do que eu não gostava na época. Aquele escovão pesado que nem precisavamos fazer academia. A palha de aço e a cera Parketina. A cera que sobrava e ficava para a próxima passada, esquentávamos ela no fogão, e ai que estava o perigo. Um dia pegou fogo, foi uma correria geral. Não fica lembrando de coisa ruim Alvaro - Risos - Forte Abraço ... Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 14/02/2013 Lembrei da casa que morava na Vila Nivi,onde nós crianças ficávamos no canto do quarto com a boca aberta tentando saborear as gotas incansáveis das goteiras,eu de um lado meu irmão do outro e mais um em outro lugar,dou risada só de imaginar que brincávamos de fazer um campeonato de quem bebesse mais água daquela teimosa goteira ganharia ,como se isso fosse possível, era o nosso mundinho de alegrias... Enviado por walquiria rocha machado - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 14/02/2013 Lá em casa, quando quebrava alguma telha a goteira aprecia no andar de cima. Não tinha lage, o teto era de madeira, aí goteira aparecia. meu pai logo mandava alguém trocar as telhas que quebravam.Um abraço. Enviado por margarida peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 13/02/2013 Alvaro, quando você me fez lembrar do escovão, que por muito tempo meus pobres braços de criança teve de dirigi-lo, me senti jurássico. Mas foram bons tempos. Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslour_ti@yahoo.com.br
« Anterior 1 Próxima »