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Categoria - Outras histórias “A televisão brasileira...” Autor(a): Nelson de Assis - Conheça esse autor
História publicada em 03/04/2013
Lendo o belo texto da sensível escritora Margarida Pedroso Paramezza sobre a televisão em nossas vidas e, sob o título "Quanto a TV chegou", aproveitei o luxuoso “gancho” e faço aqui as minhas considerações que, com certeza, não se finalizarão aqui.

A década de 50 foi um período de novidades e novas descobertas, principalmente no que tange às modernidades para o lar e a família. Assis Chateaubriand foi o pioneiro com a inauguração da hoje extinta TV Tupi, canal 3, no dia 18 de setembro de 1950. Seguiram-se as TV's Paulista (canal 5, hoje rede Globo) e Record (canal 7). Na década de 60 as TV's Excélsior (canal 9) e Educativa (canal 2).

Igualmente à narradora do texto original que em sua crônica deu lugar a este relato, também tivemos uma televisão da marca Semp de 21 polegadas. Era um “trambolhão” em uma enorme caixa de madeira, que poderia ser em marfim ou caviúna, nobres madeiras da época para acondicionar os aparelhos.

Outras marcas também eram oferecidas como Philips, Philco, Invictus, RCA, Zenith e outras. Todas, em sua maioria, com tubo de imagens de 21 polegadas, alimentadas por válvulas, capacitores, resistores e um intrincado esquema elétrico.

A maior característica destes aparelhos estava no momento de ligá-los. Dois grandes seletores, um para ligar/desligar e regular o som e outro para mudança de canais, com um anel adicional para a regulagem da sintonia fina.

O processo de “acendimento” do aparelho poderia demorar “infindáveis” minutos até que o equipamento “esquentasse” para que, uma imagem “fantasmagoricamente velada” fosse se formando como a um “espectro”, até que se fizesse uma perfeita nitidez em preto e branco. Tudo isso não seria possível de uma antena externa não estivesse afixada no alto do telhado para captar os sinais de transmissão da “geradora-mãe”.

Antenas internas (aquelas de duas hastes que ficava em cima do aparelho), por vezes não eram perfeitamente eficazes para uma boa recepção de imagens e, um artifício muito usado sempre foi uma mecha de 'Bombril' para excitar a transmissão.

Sessão Zás-Traz, Pim-Pam-Pum, Pullman Club, Circo do Arrelia, TV de Vanguarda, O Céu é o Limite, Grande Gincana Kibon, Sitio do Pica-Pau Amarelo. Os desenhos animados ainda eram apresentados em sua versão original, isto é, não eram traduzidos para a língua portuguesa e nós, crianças, ainda tínhamos de nos esforçar para “interpretar” a pequena história vivida pelos cômicos personagens. Pica-Pau, Urso Panda, Gato Felix, Popeye e Olivia sempre nos mostrava uma história com final fabulista ou com a moral do que seria correto, exceto alguns desenhos do Pica-Pau que, por vezes levava vantagens em suas “falcatruas” com o pobre do Zeca Urubu e nós torcíamos para que ele levasse “uma pior” em outros episódios.

As propagandas que na época chamávamos de “reclame”, eram por vezes apresentadas “ao vivo” pelas garotas-propaganda. Neyde Aparecida, Idalina de Oliveira foram as mais famosas “âncoras” das propagandas ao vivo e, muitas vezes se viram “apertadas” com algum texto ou com as demonstrações de alguns equipamentos que insistiam em não funcionar.

Os “jingles”, musiquinhas das propagandas que facilmente ocupavam as nossas mentes foram (e ainda são) trilhas sonoras de nossas saudades. Varig, Cobertores Parahyba, Biscoitos São Luiz, Ducal, Bozzano, Querosene Jacaré dentre outros aqui não lembrados, marcaram um compasso de ritmos e harmonias em nossas lembranças.

A fronteira natural das décadas de 1950/1960 mostrou-nos o progresso da televisão nos nossos lares e a tônica mais evidente veio com a apresentação dos programas de auditório como A Praça da Alegria, Programa Silvio Santos, Chacrinha, Um Instante Maestro, dentre outros. Os festivais foram o trampolim para os novos valores do nosso cancioneiro, fossem eles intérpretes ou compositores.

Contudo, e o que realmente deu certo até hoje, foi a descoberta da dramaturgia e a televisão explorou e explora até hoje, este filão de situações inusitadas que é retratada pelas telenovelas.

Telejornais, documentários ( o primeiro programa de reportagens externas veio com “Amaral Neto – Repórter”), adaptação de peças épicas e de épocas. Gianfrancesco Guarnieri, Cassiano Gabus Mendes, Vicente Sesso, Ivani Ribeiro, Dias Gomes, Janete Clair, “monstros sagrados” da dramaturgia brasileira, nos mostraram páginas memoráveis do imaginário ou mesmo da história de nosso povo.

Era comum termos em nossas os telespectadores da família e, da janela da sala, o “televizinhos”, espectadores que ainda não tinham o seu aparelho em suas casas por serem muito caros. O exemplo da cronista que deu sequência à minha narrativa, a televisão brasileira também fez parte de minha infância e deixou impactantes saudades pela singeleza de sua programação, apesar da complexidade de sua criação.


E-mail: nel.som55@yahoo.com.br
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Publicado em 05/04/2013 Sr.Assis, um bom apanhado histórico do aparecimento da TV no Brasil. Junto com a Sra. Peramezza dá para formar uma equipe e escrever um compendio. O meu melhor era Waldemar Seyssel, o Arrelia, O Vigilante Rodoviário e o Repórter Esso; e de olho na programação pela revistinha inTerValo. Meus pais sempre aproveitaram o reclame dos cobertores PARAYBA para nos colocar a dormir, senão o chinelo funcionava. Abraço do Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 04/04/2013 Nelson, até hoje me lembro dos musicais da Excélsior. Considero os melhores que assisti em todo minha vida, porem o que a Trini disse é verdade. Hoje, o aparelhinho nos desune. Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslour_ti@yahoo.com.br
Publicado em 03/04/2013 Você falou e disse, Nelson. Nada a acrescentar diante deste seu minucioso relato. Agora, uma coisa não podemos negar, a TV no início nos reuniu, e hoje nos separa ( vejam um exemplo - o Flávio tem 06 aparelhos, um para cada quarto e, desse modo, cada um fica sozinho). Em casa e na casa dos meus filhos é a mesma coisa- cada um com sua programação e seu silêncio. Enviado por Trini Pantiga - trinesp@ig.com.br
Publicado em 02/04/2013 Eu gostaria muito de ver nossos jovens sendo obrigados por um mês usarem as tecnologias dos anos 60 e com a programação da TV da época.
Seria muito divertido se estes programas de realit show fizessem isto,colocassem estas pessoas vivendo esta época,acho que a audiência seria grande e proveitosa para os que assistissem.
Enviado por walquiria rocha machado - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 02/04/2013 Nelson, realmente dá saudade da programação daquela época! Havia tanta ingenuidade, tanta inocência, tão diferente de hoje em dia! Lembra quando colocávamos um tipo"slide" colorido, não lembro bem como era chamado, cores suaves e que "transformavam" a tv em colorida! Bons tempos! Abraço Célia Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - rccsimonato@hotmail.com
Publicado em 02/04/2013 Nelson, fiquei lisonjeada pela citação do meu em seu texto. Você lembrou de muitos outros detalhes e que me fizeram até rir, um deles é o da antena interna com bombril, usamos muito na época, até que meu pai conseguisse instalar a antena externa. Muitas vezes a antena externa quebrava por causa do vento e chuva, inclusive aquele fio principal ligado a ela.Só nos restava então usar a antena interna até o conserto. Parabéns pelo texto e um grande abraço. Enviado por margarida peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 02/04/2013 Beleza de texto, Nelson, trazendo gratas recordações. A primeira TV que teve em casa foi uma RÇA Victor de 17 polegadas, era um conjunto, Rádio, Vitrola e TV, meu saudoso pai comprou em 1955. A casa ficava lotada também, familiares compareciam em peso, família grande, alguns vizinhos também. Bons tempos, gratas recordações. Década de 60 surgiu também a Bandeirantes, Canal 13, em 1967. Este ano completa 45 anos a TV Bandeirantes, como o tempo passa, voa, parece que foi outro dia. Lembro como se entrava fácil no prédio no Morumbi, era só falar onde ia. Depois do incêndio, porém, claro, tinha que mudar mesmo, era muita moleza, pelo menos nas vezes que lá estive. - abraços - Pedro Luiz -. Enviado por Pedro Luiz Boscato - plboscato@uol.com.br
Publicado em 02/04/2013 Pois é Nelson...quando as imagens da TV chegaram em setembro de 1950, o sr.Chateaubriand “esqueceu” que poucos (ou ninguém) tinha os “aparelhos” (pelo seu alto custo) e assim teve que mandar instalar alguns aparelhos em casas comerciais da nossa Capital, para que o povo pudesse “tomar contato” com a novidade...rsrsrsrs e eu mesmo, que casei em 1955, só pude comprar um aparelho “RCA” em prestações mensais, nas Casas Pirani (da av.Rangel Pestana) no ano de 1958...Hoje, todos nós, temos no mínimo 2 aparelhos em nossas casas...eu mesmo, hoje tenho em meu apartamento, 06 aparelhos de TV...02 na sala (uma de plasma de 47’ e uma de 21’) 01 em cada quarto de 29’ (total de 03) e uma de 21’no quarto de nossa empregada...Exagêro??? não!!! E sim comodidade...- abração – Flavio Rocha Enviado por Flavio Rocha - flaviojrocha@bol.com.br
Publicado em 02/04/2013 Nelson, gostei demais das suas lembranças, principalmente a citação do Guarnieri, que, prá mim, era o máximo. Eu também curti muito tudo isso, as novidades, a empolgação das pessoas. Parabéns e um abraço. Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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