Leia as Histórias

Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Santo Amaro, seu desenvolvimento socioeconômico Autor(a): Estanislau Rybczynski - Conheça esse autor
História publicada em 27/08/2013

Santo Amaro, nos seus 461 anos de vida, passou por muitas fases políticas, sociais e econômicas, fundada como pequena aldeia em 1552, passou por freguesia, vila e província e em 1832, tornou-se município e em 1935 tornou-se bairro.

Distante 15 km do centro da capital paulistana, era um município agrícola, que até hoje ainda possui resquício dessa atividade nos fundões da zona sul como Parelheiros, Colônia, Marsilac e Cipó, com grande atividade nas áreas hortifrutigranjeiras, foi grande produtor de batatas, devido a sua terra amarela que colaborou a dar o nome de botina amarela a seus moradores.

A atividade econômica foi levada mais a sério quando no início do ano de 1829 no governo imperial de D. Pedro I, que recebeu primeira leva de imigração alemã para São Paulo, no bairro de Santo Amaro, para atuarem na agricultura e dar impulso a essa atividade econômica, tendo também na região inclusive uma indústria carvoeira que abastecia o comércio e as residências com carvão.

No Início do século XX, 1906 é construído a Represa de Guarapiranga com o intuito de represar água para o consumo da cidade e concomitantemente veio o turismo para essa região, que até nos dias atuais recebem turistas, e por consequência a instalação de grandes chácaras, sítios e clubes em suas margens, principalmente de estrangeiros que atraído pela represa com clima semelhante ao do europeu, com seus meses gelados do inverno e calor na primavera, com sua garoa e neblina característica época que lembrava o fog londrino.

Nesse mesmo início de século é colocado nas ruas da cidade de São Paulo o bonde elétrico em 1900 e em Santo Amaro o bonde elétrico chega em 1913 e termina em 1968 a última linha de São Paulo, o bonde da linha 101.

Nos meados de 1935 é construída uma nova represa entre Santo Amaro e São Bernardo do Campo com o objetivo de fornecer água para a Usina de Henry Bordem em Cubatão, para suprir de energia elétrica nossa cidade, sendo seu nível controlado pelos rios da região e principalmente com o bombeamento das águas do Rio Pinheiro para ela, que há aproximadamente 20 anos é proibido devido à poluição das águas do rio, pois nos dias de hoje essa água também é para consumo humano, juntamente com a Guarapiranga.

Também nesse ano de 1935 é inaugurado o aeroporto de Congonhas na região de Santo Amaro, dando novo impulso econômico ao bairro e em toda cidade que também foi um dos motivos de sua anexação a capital. E em 1939 é construído o autódromo de Interlagos nome dado devido a estar localizado entre as duas represas, autódromo esse que até os dias atuais está entre os eventos que mais trás divisas financeiras ao bairro e ao município de São Paulo.

Nos meados dos anos 50, Santo Amaro toma uma nova realidade, com 15 anos de vida como bairro, chega a nossa região grandes indústrias de autopeças devido à vinda da indústria automobilística para São Paulo, fundamentalmente na região do ABC e com isso as montadoras necessitavam de fornecedores de autopeças para suas montagens e Santo Amaro se revelou grande fabricadora, principalmente nas regiões das marginais que começavam a ser rasgadas ao lado do então Rio Pinheiros, ora retificado. E também prevendo a expansão industrial de Santo Amaro e região foi construído a UTP, Usina Térmica Piratininga, no Bairro de Pedreira, às margens da represa Billings, usina esta termo elétrica, ou seja queima de óleo em suas caldeiras.

Santo Amaro, apesar de ter característica de bairro popular, operário principalmente após o Rio Pinheiros, tem seu lado europeu bem destacado e em grande número que ocupam bairros luxuosos como Brooklin Velho e Novo, Chácara Santo Antonio, Granja Julieta, Campo Belo e outros na sua maioria alemães

Com essa atividade industrial aparece também nas cercanias das marginais um dos maiores parques industrial e farmacêutico da América do Sul, principalmente entre os anos de 60 a 90. Com esses grandes tipos de indústria seguem por consequência outras como as de confecção, têxtil, plásticos e serviços. Com esse advento surge a grande migração nordestina a essa região, principalmente a baiana e pernambucana e do Sudeste, os mineiros.

Devido a essa migração começa a grande expansão, ocupação territorial de Santo Amaro, transpassando o Rio Pinheiros para além da Ponte João Dias, Ponte do Socorro e Interlagos, criando verdadeiros bairros típicos de um povo do nordeste.

Portanto bairros novos surgem com grandes loteamentos e as grandes avenidas começam a surgir como Av. Guarapiranga, Estrada de Itapecerica, Av. Interlagos, que já havia desde o início do século XX, porém, estreitas e de terra batida e agora alargadas e asfaltadas, abre-se a Av. Washington Luiz, 23 de Maio toda sentido a Santo Amaro.

Surge, com essa atividade econômica, jornais em Santo Amaro como A tribuna e a A Gazeta de Santo Amaro em 1960, também nesse ano é inaugurado a Galeria Borba Gato, precursora dos atuais shoppings, um dos primeiros de São Paulo e com eles centenas de lojas, por diversas ruas.

O largo 13 de Maio e seu entorno, torna-se um dos maiores centro de compras de São Paulo, e também com invasão de marreteiros, camelôs com grande intensidade, ocupando todas as ruas em volta da Igreja matriz de Santo Amaro que prevaleceu e dominou o comércio de rua até o ano 2000, quando foi proibido com rigor esse tipo de comércio onde a maioria foi remanejada para shoppings populares da região.

No comércio de alimentação surge as duas grandes padarias que foram a padaria Gôa e padaria 15, encerrando suas atividade na década de 90, sem esquecer dos famosos restaurantes alemães, casa Rex de frios do frigorífico Eder da Av. Adolfo Pinheiro e no entretenimento os cines, Pindorama, São Francisco, Bruni, Cinemar, Londres, Marajá, Senador e Plaza todos extintos, hoje só nos shoppings.

Na década de 60, lembro-me das lojas Barroso e Barrozinho que frequentava com meu pai para comprar material escolar, pagar conta de luz na Light, na Rua Jose Bonifácio a pequena rua em forma de "L", Roupas íamos às Lojas Fauza e Pernambucanas, assim como na Garbo e A Exposição Clipper e comer pastel na galeria Borba Gato.

Nessa época também, anos 60, acompanhava meu pai para comprar material de construção nas casas Sgarbi, que ficava na Alameda Santo Amaro, vizinho da farmácia do José Diniz, o popular Zé da farmácia, comércios estes há muito tempo fechados.

No início do século XXI, temos nova transformação econômica em Santo Amaro, a maioria das indústrias de todos os segmentos são fechadas e outras mudaram para o interior do Estado e para outros Estados do Brasil. Com essa nova realidade, em seus lugares apareceram os Shoppings e empresas de serviços em geral, com novas construções ou reaproveitamento do antigo prédio, principalmente nas marginais, outros viraram casa de bingo, porém depois fechados por lei e a maioria em igrejas protestantes, agências de automóveis e até hipermercados. Também foram e estão sendo desapropriados grandes quarteirões de casas antigas e populares e comércio pequeno para dar lugar a grandes condomínios verticais de luxo.

Agora os trabalhadores de então do início dessas indústrias em sua maioria aposentados, outros para completar os anos de trabalho migraram com aquelas empresas e muitos fixaram moradia em outros lugares e se adaptaram a nova cidade.

Também com a chegada do neo-santamarense em grande número, agora com maior poder aquisitivo, ao contrário dos antigos migrantes que para cá vieram em busca de trabalho e para fixarem-se em pequenas comunidades, em transporte de ônibus e até em pau de arara.

Devido a essa nova situação a região de Santo Amaro desde os anos 70 foi dividida em regionais e na década de 90, aproximadamente, aumentaram as divisões criando as subprefeituras, para facilitar a administração, pois a população crescia muito e problemas também.

Santo Amaro que anteriormente fazia divisa com Itanhaém, sendo um dos maiores bairros da cidade agora é um dos menores, porém pujante em sua população e comércio.

Para culminar com essa explosão demográfica e comercial chega o Metropolitano em nosso bairro no ano de 2000 que circula de Capão Redondo ao largo Treze de Maio, denominada linha-5 ou Lilás, com previsão de chagar a chácara Klabin em 2015.

E-mail: estan_tec@hotmail.com
Localização da história
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 28/08/2013

Estanislau, parabens pela excelente aula que voce me deu sobre o bairro de Santo Amaro, aprendi muita coisa.

Enviado por Leonello Tesser (Nelinho) - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 27/08/2013

Estanis, estou muito feliz em te reencontrar, com esse show de conhecimento e da brilhante redação. Aprendo muito com os teus relatos. Você me apresenta o bairro com distinção elegância e rara maestria. Muito obrigada, Estanis. O meu grande saudoso abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
« Anterior 1 Próxima »