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Categoria - Paisagens e lugares Represa de Guarapiranga, um lago em alerta em São Paulo Autor(a): Carlos Fatorelli - Conheça esse autor
História publicada em 23/10/2013

Não vamos ater-nos sobre processos técnicos, nem pretendemos estar sendo pretensiosos em entendimentos que cabem as várias áreas de engenharia especializada, de onde devem sair sugestões e soluções para este grande imbróglio que deve ser resolvido sem paliativos ou engavetar por anos a fio para que as demandas sejam empurradas por governos infindáveis no tempo.

Estamos diante de uma situação de crime ambiental, e todo crime pressupõe-se haver uma intenção em receber o benefício do mal que se pratica por parte do infrator que dele se beneficia.

O que acontece ao redor da Represa de Guarapiranga não é de conhecimento da maioria da população paulistana que usufrui da água no abastecimento da cidade, que sustenta 1/3 de toda água “potável” consumida.

Os responsáveis desta estrutura, implantada ao redor da represa, mantêm nesta orla tubulação de “captação de esgoto” que deveria ser bombeada por determinada potência (força de deslocamento) suficiente para levar o esgoto total, empurrando (recalque) essa “massa” por encanamentos através da geografia da cidade de São Paulo até uma “estação de tratamento” (Barueri).

Parece tudo perfeito dentro dos prognósticos, onde tudo funciona normalmente no projeto idealizado, ou seja, todos que habitam no entorno da Represa de Guarapiranga coletam seus esgotos numa rede e pagam o mesmo valor pelo consumo de água potável.

A orla local foi sendo habitada por pessoas em busca de alternativas habitacionais, idealizada sem um controle planejado, criaram bairros que incharam ao redor da Represa de Guarapiranga e deste modo foram sendo feitas às pressas as condições básicas para abastecimento de água, energia elétrica, transporte, enfim, o mínimo necessário. O “inchaço habitacional” foi inevitável e todos, de certa maneira, pela falta de esgoto, no início do loteamento, resolveram o problema fazendo "fossas sépticas", onde se recolhia toda a “sujeira” produzida.

A empresa de saneamento básico há algum tempo ofereceu um “novo modelo” para a população crescente, fazendo a coleta em captação de esgoto na Estrada da Baronesa e M’Boi Mirim, onde uma tubulação deveria possuir bombas de recalque que estariam em produção plena das necessidades locais e que deveria manter a Represa de Guarapiranga livre do esgoto doméstico, comércio ou pequenas fábricas, produzido no dia a dia.

Tudo parecia perfeito: o esgoto viria das residências e cairia por gravidade, sendo coletadas nestes ramais numa grande tubulação primária, onde bombas potentes enviariam toda captação para um grande reservatório, onde deveria ter o tratamento adequado. Isto tudo demandaria equipe treinada para manutenções preventivas (prevenir antes de quebrar ou parar para limpeza), e, às vezes, por algum acidente de desgaste de máquinas, seria feita manutenção corretiva, para sanar danos de mecanismo, e, neste caso, fechar-se-ia o registro da passagem da bomba danificada, desviando por algum tempo o esgoto por outra passagem (by-pass), esporadicamente, até o completo ajuste das condições normais da linha primária, onde “corre” todo o esgoto produzido pela população.

Isto seria a normalidade que deveria acontecer num procedimento com serenidade e seriedade. Não deveria haver “ladrão” de descarga (tubulação de esgoto que sai do ramal principal direto para a represa) voltando às bocas de descarga de esgoto diretamente voltada para as águas límpidas da Represa de Guarapiranga! Como as vantagens são muitas para a empresa detentora deste monopólio, aliviando rapidamente o esgoto para as margens da represa, optou pela prática comum e assim se “esgota” o “esgoto” rapidamente pela Represa de Guarapiranga todo o fedor em volta da própria captação de sujeira.

As águas, na atualidade, possuem odor desagradável, além de ter uma cobertura de algas com a nítida condição de pouco ou nenhum oxigênio e turvas de cor acinzentada, que, de tão poluídas, perderam seu movimento natural e estão perdendo sua condição de abastecimento da cidade de São Paulo.

E-mail: cafatorelli@gmail.com
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Publicado em 24/10/2013

E pensar que em 1.978 fiz minha primeira pescaria nesta represa, águas limpídas, Na época fiquei inconformada por um cojunto habitacional construido pela Sabesb para seus funcionários totalmente abandonado.

Parabéns, um belo texto e um alerta às autoridades e população.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 23/10/2013

Enfim, povo paulista, paulistano, nós bebemos esgoto tratado e não da fonte ou de uma represa límpida, essa é a realidade nua e crua, que os responsáveis leiam esse texto, Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estantec@gmail.com
Publicado em 23/10/2013

Cuidadosa narrativa em torno da famosa Represa de Guarapiranga, com suas peculiaridades em torno do trabalho de engenharia hidráulica. Parabens, Fatorelli.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 23/10/2013

Carlos, simplesmente apavorante. Sem palavras. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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