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Categoria - Outras histórias Um dia fui compositor... Autor(a): Luigy Marks - Conheça esse autor
História publicada em 25/09/2013

Me preparava para o primeiro vestibular da vida. Durante o dia trabalhava no Banco Real, agência na Rua 24 de Maio. No período noturno, pretendia fazer o cursinho do MED, na Rua Augusta. Fiz minha matrícula em abril de 1971. Devido ao cansaço, no final de maio, já frequentava pouquíssimas aulas após um dia de trabalho.

Acabei descobrindo um bar-lanchonete chamado Crazy Cat, no mesmo quarteirão do cursinho, logo depois da Rua Caio Prado. Passei a frequentá-lo ao invés de assistir às aulas. Recém-desfeito de um relacionamento juvenil, passava as noites na lanchonete, também frequentada pelos alunos do MED nos intervalos.

Saia do trabalho e seguia a pé pela Rua Augusta para curtir minha solidão nas mesas do Crazy Cat, onde fazia meu lanche regado à Coca-cola e escrevendo minhas poesias de "fossa". A cada dia novos desabafos saiam da minha cabeça, mas nada que valesse a pena contar, a não ser que fossem doloridas.

Pouco a pouco a lanchonete foi sendo invadida por alunos que cabulavam aulas como eu. No fundo, se reunia um pessoal que passava horas fazendo um som com violão. Acabei fazendo amizade com uma garota de nacionalidade grega, chamada Poli. Ela era uma pessoa com baixa autoestima, sempre se colocando como vítima e reclamando da vida. Mas eu escrevia e mostrava a ela. E ela fazia o mesmo, era uma troca-troca literária.

Por ser muito entrona, conhecia todo mundo e também fazia parte da turma do violão. O pessoal do fundão passava boa parte do tempo compondo música em grupo na tentativa de colocar alguma nos festivais da Record e no Universitário da Tupi. O tema da música geralmente pendia para o protesto como era o estilo da época. Eu ficava no meu canto curtindo minha fossa rabiscando no papel.

Certa vez, o pessoal atacava no violão tentando elaborar mais uma música... E eu no meu canto rabiscando, quando minha amiga Poli veio ver o que eu fazia.

A seu pedido, mostrei o que escrevia.

Ela pegou meus escritos e levou para ao grupo. Em menos de um minuto, eles juntaram o meu conteúdo do papel com a melodia e se puseram a cantar. Distante mentalmente dali, tomei um susto ao perceber meus versos naquela música.

Letra e música se encaixaram de forma harmônica naquela canção de protesto. "Sem querer querendo" nascera uma melodia que levou o nome "Sem assunto" com a letra abaixo:

Sem Assunto (título)

(Brasil)

Terra Amada

Terra querida

Um dia quero vê-la crescida

Terra amada

Terra sofrida

Ainda vive esperando ser livre

Outrora fomos

Um belo quintal (Portugal)

Passamos de vila a capital (Império )

E a independência não terminou

Pois o gigante já despertou

O povo unido e decidido

De fraco passou a forte

E olhou para a bandeira

Jurou até a morte

Esperando pela sorte

Pedindo ao Senhor

Paz e Amor

Coro “uouuuuuuuuuuuuo”

Essa canção abriu as portas para mais 15 canções. Também fizemos "alguns jingles" nascidos da parceria de Paulo Roberto Santiago (Sant.'s) e Luiz Carlos Marques (Luigy) ou ainda Sant'/Louis no período de 71 e 72.

E-mail: luigymarks@uol.com.br
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Publicado em 26/09/2013

Luigy que ótimo. Logo no início me identifiquei com o seu texto, pois fui professora de História do MED por 3 anos (até que saí de São Palo e tive que pedir as contas). Mas o legal foi o desenrolar (apesar da sua fossa, mas isso passa, né?), a música, as pessoas juntas, a criatividade. Meus parabéns. Adorei o seu relato. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 26/09/2013

Por pouco, Luigy não tivemos o compositor entre os colaboradores do site. Não faz mal, em troca temos um ótimo cronista da cidade. Parabéns, Luigy.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 26/09/2013

Muito bom Luigy , muito bom mesmo pena que não seguiste a carreira de compositor pois talvez com a parceria da garota voces iriam longe como compositores . Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 25/09/2013

Luigy, muito bacana a letra desta canção, ficaria anida melhor se pudéssemos ouvi-la.Meus parabéns!

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 25/09/2013

Luigy, essa lanchonete em também conheci muito embora, já naquela época, eu já chefe de família e durango não podia me dar ao luxo de custear tais habitos. Passava por alí, para rever os amigos do Ozanan, para buscar minha esposa na casa da sogra e para muitas outras coisas, afinal a Augusta naquele trecho era meu reduto. Valeu a lembrança.

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 25/09/2013

Luigy, voce tem talento apesar de ter cabulado as aulas, continue mandando suas composicoes para o site, parabens pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 25/09/2013

Adorei! Parabéns! Parabéns! Parabéns!

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 25/09/2013

Luigy, então, depois de compositor você virou escritor, creio que de escritor para compositor é um passo, parabéns, Estan.

Enviado por Estan - estantec@gmail.com
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