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Categoria - Paisagens e lugares Árvore misteriosa em São Paulo Autor(a): Marina Moreno Leite Gentile - Conheça esse autor
História publicada em 10/10/2013

Quem me conhece sabe que gosto de calor. Este é um dos motivos de ter partido de São Paulo e permanecido em Salvador (Bahia) desde 1982. Mas o amor por minha terra e minha família permanece. Pelo menos uma vez por ano venho visitá-los. Ao chegar aqui em São Paulo tento dar a maior atenção a minha mãe, aproveitando todas as oportunidades. Vou ao mercado, às lojas, gastamos horas de conversa sentadas no terraço, uma delícia.

Outro dia fomos a um local perto da estação João Dias, bem próximo da Av. Giovani Gronchi. O bairro que visitamos é margeado parcialmente pela Av. Carlos Caldeira e por um canal. Assim que atravessamos a avenida percebi uma praça com algumas árvores. Ali na praça observei um senhor vendendo churrasquinhos. Fiquei com vontade de provar, mas resisti. Lá em Salvador encontramos acarajé em toda parte da cidade, mas churrasquinhos eu garanto que não! (risos).

Quando olhei para o chão vi um monte de folhas caídas, aproximadamente 15 centímetros, super diferentes. Em uma das extremidades da folha observei uma bola coberta por espinhos. Ao pegar uma delas fui espetada. Fiquei super curiosa para saber o nome da árvore, parecia ser uma planta do cerrado. Perguntei para duas pessoas que estavam ali se sabiam o nome da árvore. Estranharam a minha pergunta, responderam que não. Provavelmente moravam na região, mas nunca tiveram interesse em saber. Olharam-me como se eu fosse um ET.

Abaixei, cuidadosamente coloquei duas folhas em uma embalagem de plástico e as levei para casa. Fotografei-as e imediatamente iniciei a minha pesquisa na internet. Ninguém dos meus contatos conhecia a tal folha, ninguém no facebook, etc. Uma prima se assustou quando mostrei para ela. Pensou que fosse um morcego. Adentrei em diversos sites de botânica e afins, sem sucesso. Mandei foto até para uma amiga na Itália, que trabalha com botânica. Mas nada!

Depois de uma semana finalmente obtive sucesso. Consegui a ficha detalhada da tal planta. Fiquei extremamente feliz, foi uma conquista a ser comemorada. Adentrei na sala onde minha mãe descansava, para anunciar o nome da árvore misteriosa. Na realidade o que pensei tratar-se de folha era o fruto, o qual é colhido em agosto. A árvore estava sem folhas quando a vi, por isto me confundi. Aquilo com espinhos era fruto!

- “Mãe, finalmente descobri o nome da árvore. Consegui mãe!”

Eu estava super empolgada.

- “Qual é?”

Ela também ficou curiosa.

- “Araribá é o nome popular. O nome científico é Centrolobium tomentosum.”

- “Legal, não é mãe?”

E assim que comentei o nome da planta lembrei do nome do local que visitei: Jardim Arariba.

Ou seja, a diferença era apenas o acento. Nunca imaginei que a origem daquele bairro fora originado de uma planta.

A partir daquela inusitada visita ao Parque Arariba fiz a constatação de mais uma árvore emprestando nome a um local.

Aposto que poucas pessoas sabem disto naquela região. Quem é que se interessa por estas coisas? Quem se interessa pelos nomes das ruas, ou pela história de bairros, cidades? Em uma cidade como São Paulo, onde muitos destes bairros funcionam como abrigo dormitórios, não é difícil entender.

Se alguém desejar conhecer o site www.arvores.brasil.nom.br/new/lista.htm, garanto que descobrirá maravilhas da nossa flora.

E a vida segue. Daqui dois dias retorno para o meu lar, com a promessa de voltar. Quem sabe em outra oportunidade eu tenha outro fato curioso para desenvolver uma crônica, um fato pitoresco para levar em minhas malas! “Bye bye”.

E-mail: dagazema@gmail.com
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Publicado em 14/10/2013

Marina Gentile, primeiro pesquisei o site indicado, de fato a Arariba existe e seu Jardim Arariba. Trabalho compensado heim!!!!

Enviado por Carijó (apelido no futebol) - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 13/10/2013

Querida Marina,lendo neste site uma historia na qual falava do quintal da família centenária dos Faundes no JªMonte Alegre(Jabaquara)e que na esquina desta Av.tinha um imenso pé de jaboticaba no qual ele fez parte do quintal desta antiga família,descobri que esta árvore frondosa estava a duas quadras do local onde trabalho.Só me entristeci com o descaso que ela se encontra,assim como a árvore das lágrimas,na Estrada das Lágrimas que tem uma história inesquecível e linda contada neste site.Agora a sua que deu nome ao bairro Arariba e que só nos acrescenta mais conhecimentos...Parabéns!!!

Enviado por Walquiria Rocha Machado - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 11/10/2013

Marina, parabéns pela aula de botânica! por favor continue contando os fatos pitorescos da nossa São Paulo gigantesca.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 10/10/2013

Marina, esta é melhor forma de aprender e agora divide conosco sua pesquisa. Parabéns, adorei o texto.Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 10/10/2013

Realmente, Marina, voce tem razão. Poucos de nós nos apercebemos ou nos preocupamos com muitas coisas ao nosso redor. Não seria diferente com a nossa flora e também a fauna. Sua descoberta poderá abrir um precedente para outras curiosidades. Se em São Paulo foi um pouco difícil descobrir o nome do estranho fruto, imagine ma Amazônia, onde a diversidade é enorme. Parabéns poetisa.

Enviado por Nelson de Assis - nel.som55@yahoo.com.br
Publicado em 10/10/2013

Realmente, Marina, voce tem razão. Poucos de nós nos apercebemos ou nos preocupamos com muitas coisas ao nosso redor. Não seria diferente com a nossa flora e também a fauna. Sua descoberta poderá abrir um precedente para outras curiosidades. Se em São Paulo foi um pouco difícil descobrir o nome do estranho fruto, imagine ma Amazônia, onde a diversidade é enorme. Parabéns poetisa.

Enviado por Nelson de Assis - nel.som55@yahoo.com.br
Publicado em 10/10/2013

Marina, obrigada pela crônica muito esclarecedora, então este é o fruto do Araribá.

Tenho uma cunhada que mora em Ubatuba na Estrada do Araribá, a próxima vez que for para lá vou procurar um Araribá por perto.

Beijos Julia

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 10/10/2013

Sra. Gentile, além do interesse histórico existe o científico, no caso Botânico ou Fitológico. Como o bairro está associado a planta tudo se casa com o histórico. Gostamos das mesmas coisas. A nova geração gosta de eletrônicos, música ruim e políticos falsos. Sua história é muito motivadora por que sei que a diversidade de espécies botânicas de S.P. é uma das maiores do mundo em uma cidade e surpresas imensas existem em locais como o Parque da Aclimação e Parque da Água Branca. Parabéns! Bernardi.

Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 10/10/2013

Bela pesquisa! Moramos próximo do Parque Araribá, que é próximo do Jardim Ingá, que é cortado pelo córrego e que segue pela Carlos Caldeira. Senti a falta do “churrasquinho” em Salvador, mas em compensação deliciei-me com o "acarajé cozido", o abará! Parabéns!

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 10/10/2013

Marina. com que alegria li seu texto, alem de bem escrito, pois sou morador do bairro vizinho ao qual voce se refere, que é a Vila das Belezas, bairro quase centenário e o Parque Araríbá,tem base de 50 a nos. Todos aqui usam como (paroxitona)acento na penultima silaba e não com acento na última que é uma oxítona, sabia dessa origem que voce bem descreveu e logo a frente do bairro que voce visitou tem o Jardim Ingá e Parque Ipê que tem nomes devido a planta, toda essa região até no minimo 60 anos eram chacaras dos Andradas, que deu origem ao bairro Vila Andrade e Chácara dos Abranthes, etc, parabéns pela sua perpicácia e pesquisa, Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estantec@gmail.com
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